Ciclo de vida

Um ciclo de vida, em biologia, é um conjunto de alterações que os membros de uma espécie sofrem à medida que passam a partir do início de um determinado estágio de desenvolvimento para a criação do mesmo estágio de desenvolvimento numa geração subsequente.

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O ciclo de vida é uma sequência de fases que um ser vivo passa desde o seu nascimento até à sua morte. Um ciclo de vida é um período envolvendo uma geração de um determinado organismo através da reprodução assexuada ou sexuada.

Tipos de ciclos de vida

De acordo com a ploidia (nº n de conjuntos de cromossomas), podem considerar-se três tipos de ciclo de vida em organismos que se reproduzem sexuadamente:

Ciclo haplonte

  • Ocorre maioritariamente em fungos e alguns protistas (incluindo algumas algas) – ex: espirogira (microalga);
  • Meiose pós-zigótica – ocorre após a formação do zigoto (única estrutura diploide deste ciclo de vida);
  • Os gâmetas formam-se através de células haploides (produzidas pela meiose), que se dividem por mitose, formando um organismo adulto (haplonte).
Ciclo de vida haplonte. Fonte: Wikiciencias

Ciclo de vida haplonte. Fonte: Wikiciencias

Ciclo diplonte

  • Ocorre em algumas algas e na maioria dos animais – ex: Homem;
  • Meiose pré-gamética – ocorre durante a formação dos gâmetas (única estrutura haploide deste ciclo de vida);
  • O zigoto forma-se através da fecundação dos gâmetas, sofrendo mitoses sucessivas e formando um organismo pluricelular diploide.
Ciclo de vida diplonte. Fonte: Wikiciencias

Ciclo de vida diplonte. Fonte: Wikiciencias

Ciclo haplodiplonte

  • Ocorre maioritariamente em plantas e algumas algas – ex: feto;
  • Contrariamente aos dois ciclos anteriores, existe alternância de gerações haploide e diploide;
  • Meiose pré-espórica – ocorre para a formação dos esporos;
  • Os organismos possuem uma geração esporófita (que produz esporos), constituída pelo esporófito, e uma geração gametófita (que produz gâmetas), constituída pelo gametófito;
  • Geração esporófita – inicia-se no zigoto, que forma o esporófito (diploide, através de mitoses sucessivas). Dos esporófitos diferenciam-se os esporângios que por meiose formam os esporos (haploides).
  • Geração gametófita – dos esporos (e através de mitoses) origina-se o gametófito, que se diferencia em gametângios. Dos gametângios formam-se os gâmetas, ocorrendo posteriormente a fecundação dos mesmos formando-se o zigoto.
Ciclo de vida haplodiplonte. Fonte: Wikiciencias

Ciclo de vida haplodiplonte. Fonte: Wikiciencias

Ciclo de vida nos animais

No mundo animal, cada espécie tem o seu próprio ciclo de vida, desde os mamíferos, répteis, anfíbios, aves, peixes até insetos e outros invertebrados. Existe uma elevada diversidade de ciclos de vida dentro do mundo animal. Extraordinariamente, a maioria dos animais são ovovivíparos (embrião desenvolve-se dentro de um ovo), temos o exemplo dos insetos, aves e répteis. Apenas 3% de todas as espécies animais são vivíparos (embrião desenvolve-se dentro do corpo da mãe), como por exemplo os mamíferos.

Ciclo de vida dos anfíbios. Fonte: UNESP

Ciclo de vida dos anfíbios.
Fonte: UNESP

 

Os animais precisam de se alimentar, para se desenvolverem, para se protegerem e para se reproduzirem. Os seus corpos são adaptados de diversas formas para assegurarem a sua sobrevivência. Isto tudo faz parte do seu ciclo de vida.

A duração de um ciclo de vida completo de um animal pode ser de apenas dias ou semanas, como acontece com a maioria dos insetos, até a mais de um século, como é o caso da tartaruga.

Longevidade animal. Fonte: Mundo dos animais

Apesar das diferenças de tempo, todos os ciclos de vida começam com o processo de crescimento e desenvolvimento, seguido de reprodução. A fase de reprodução marca o fim do ciclo e muitos animais morrem depois de terem reproduzido apenas uma vez.

Ciclo de vida nas plantas

Existem cerca de 375.000 espécies de plantas no mundo. O reino Plantae é constituído por uma diversidade de organismos, desde minúsculas algas unicelulares até grandes árvores – as sequoias. Sem as plantas a vida na Terra não seria possível, pois elas são os únicos seres vivos capazes de gerar energia através da luz solar. Essa energia é essencial para que os outros processos de vida na Terra ocorram.

As plantas são seres autotróficos (produzem o seu próprio alimento), e por isso são capazes de viver em quase toda a parte do mundo e numa elevada variedade de habitats. Muitas plantas desenvolveram adaptações especiais para a sua sobrevivência.

 As angiospérmicas, plantas que produzem flor, representam o maior grupo do reino Plantae. Estas plantas com flor produzem pólen, que contém o gâmeta masculino, na antera. O gâmeta feminino é produzido no óvulo que está localizado no ovário. Os gâmetas são haploides.

Ciclo de vida de uma angiospérmica. Fonte: Editora Saraiva

Ciclo de vida de uma angiospérmica.
Fonte: Editora Saraiva

Quando a polinização ocorre, ou seja, quando o pólen entra no estigma de uma flor, a fertilização ocorre e há fusão do gâmeta masculino com o gâmeta feminino. Desta união resulta uma célula diploide, o embrião. O óvulo transforma-se em semente e o ovário em fruto. Se as condições forem favoráveis, a semente cresce e o ciclo repete-se.

No entanto, existem plantas que não possuem flor nem semente, como por exemplo o feto, pelo que o seu ciclo de vida é diferente das plantas que produzem flor. Neste caso, o feto adulto (esporófito) produz esporos haploides na face inferior das folhas (onde se encontram pequenas estruturas arredondadas – os soros). O vento, a águas ou os animais dispersam esses esporos, que posteriormente irão crescer e transformar-se em gametófitos, que são pequenas plantas em forma de coração (protalo – que se fixa à terra) que produzem os gâmetas. Posteriormente ocorre a fertilização dos gâmetas, que origina um feto jovem.

Ciclo de vida do feto. Fonte: Silva, A.D. et al.

Ciclo de vida do feto. Fonte: Silva, A.D. et al.

The view taken here is that the life cycle is the central unit in biology. … Evolution then becomes the alteration of life cycles through time, genetics the inheritance mechanisms between cycles, and development all the changes in structure that take place during one life cycle. (J. T. Bonner, 1965)

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References:

  • Azevedo, C. (2005). Biologia Celular e Molecular. Lidel.
  • Gilbert, SF. (2000). Developmental Biology. Sunderland (MA): Sinauer Associates.
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