Algas

Conceito de algas, as suas principais características, os principais elementos deste grupo, as suas aplicações e os problemas que podem causar…

Conceito de Algas

Phaeophyta

Algas é o nome comum atribuído ao conjunto de seres vivos que habitam o meio aquático. Estes indivíduos possuem clorofila, o que lhes permite realizar a fotossíntese e são considerados seres avasculares, pois não possuem vasos condutores, além de não possuírem embriões. A ciência que estuda estes seres é a ficologia e por vezes a botânica.

Apesar do seu uso, este nome já não possui nenhum significado taxonómico, pois foi determinado que os membros que pertenciam a este grupo eram filogeneticamente diferentes entre si, acabando por ser dispersos por vários filos e reinos.

Estes seres vivos apresentam uma grande variedade, pois existem exemplares de tamanho microscópico (microalgas), assim como exemplares macroscópicos (macroalgas), as suas dimensões vão de valores na gama dos micrómetro até a valores na gama das dezenas de metros.

Estes seres podem ser unicelulares ou multicelulares, sendo que o seu corpo assume o nome de talo, este é muito simples mesmo para indivíduos grandes. Estas podem habitar ambientes terrestres (desde que estes sejam muito húmidos ou quando em simbiose com outros seres) ou ambientes aquáticos (tendo uma maior predominância em ambientes marinhos).

Ao conjunto das algas que vivem à deriva na coluna de água dá-se o nome de fitoplâncton uma vez que realizam a fotossíntese (são seres autotróficos que produzem o seu próprio alimento e como tal correspondem aos produtores, a base da cadeia alimentar) e servem de alimento a outros seres denominados de zooplâncton. A maioria das algas são autotróficas obrigatórias, no entanto, existe organismos que são considerados algas, mas que não são autotróficas.

Apesar de comummente associadas às plantas terrestres, só as algas verdes possuem alguma relação filogenética com esses seres. Sendo que os outros grupos de algas terão evoluído em paralelo com as plantas terrestres.

Estes seres possuem uma ampla distribuição por todo o planeta. Algumas vivem dentro de outros seres vivos, como é o caso da alga Anabaena azollae que vive dentro de uma pteridófita.

Microalgas

Grande parte das microalgas correspondem a seres que vivem de forma livre na massa de água, fazendo parte do fitoplâncton. Outras são betónicas vivendo fixas num substrato (rochas, areia, lodo, pele de animais, conchas, entre outros). As cianobactérias são um dos elementos que compõem o fitoplâncton.

Estas são conhecidas por algas azuis, sendo consideradas os seres mais antigos no planeta (possivelmente foram os primeiros seres vivos a surgir), podendo ter tido um papel importante no surgimento da atmosfera como se encontra hoje, pois produzem grande quantidade de oxigénio.

Estes organismos têm um arranjo celular típico dos procariontes, apresentando os filamentos fotossintéticos suspensos no citoplasma. Os cloroplastos podem ter surgido devido a uma endossimbiose entre estes indivíduos e outras células procarióticas.

Outros elementos que formam o fitoplâncton são Dinoflagelados e as Diatomáceas. Os dinoflagelados são seres unicelulares, possuem alvéolos assim como uma armadura (parede muito resistente). Estes seres apresentam, normalmente, dois flagelos diferentes que lhes permitem ter movimento de rotação.

As diatomáceas são seres que vivem no meio aquático, tanto marinho como de água doce. As suas paredes são siliciosas o que permite o seu deposito e fossilização. Estes depósitos recebem o nome de diatomite e são muitas vezes explorados para a criação de desodorizantes e pastas de dentes. As espécies que compõem este grupo são unicelulares, podendo viver em colónias ou formando simbioses. As únicas células flageladas que apresentam são os gâmetas masculinos.

Macroalgas

As macroalgas marinhas são maioritariamente seres bentónicos que vivem na faixa medio-litoral durante a maré baixa e no infralitoral durante o resto do tempo. As algas do género Sargassum são uma excepção pois vivem livres na massa de água dando muitas vezes à costa.

Estas algas possuem uma estrutura que as torna semelhantes as plantas terrestres, pois apresentam um talo que se assemelha a um caule, mas sem os vasos condutores, estruturas que se assemelham a raízes e outras que se assemelham a folhas.

As algas com grandes dimensões colonizam grandes porções de substrato, formando muitas vezes pequenos micro-habitats que servem de refúgio a outras espécies.

Dentro das macroalgas podem ser encontradas as algas verdes, vermelhas e castanhas. As algas verdes apresentam dois tipos diferentes de clorofilas: clorofila a e b. Os restantes grupos de algas possuem clorofila a e c

Morfologia das algas

Como foi mencionado anteriormente, o grupo das algas possui imensas diferenças morfológicas. As algas podem possuir fagelos (um ou vários), alvéolos, pigmentos diversos, podem tratar-se de seres unicelulares ou multicelulares.

Algumas algas são tolerantes a condições extremas, enquanto outras não são. Certas algas vivem livremente, outras estão fixas, ou podem viver em conjunto com outros organismos.

Normalmente as algas que possuem flagelos são algas unicelulares.  Se uma alga possui diversos flagelos, estes podem ser todos iguais ou podem ser diferentes uns dos outros.

As algas unicelulares podem viver livremente ou formar colonias de algas. As algas coloniais podem formar comunidade agregadas em que não ocorre a separação entre os seus elementos, ou podem viver em colonias mais frouxas em que os seus elementos podem separar-se mais facilmente.

As algas multicelulares são mais complexas, sendo por isso denominadas de macroalgas. Estes seres vivos são maioritariamente macroscópicos e não apresentam diferenciação celular.

Filos (divisão) das algas:

  • Glaucophyta

Organismos unicelulares flagelados. Os cloroplastos são semelhantes aos que existem nas cianobactérias, trata-se de seres fotossintéticos. A descoberta destes indivíduos contribui-o para a confirmação da teoria da endossimbiose.

  • Rhodophyta

Estas algas são conhecidas por algas vermelhas, sendo considerados um dos filos mais antigos.  Estes seres são fotossintéticos, sendo que os seus pigmentos são clorofilas a e c. As suas células não são flageladas.

  • Heterokontophyta

As suas células possuem dois flagelos diferentes, dirigidos para sentidos opostos. Estes indivíduos são fotossintéticos, sendo que os seus pigmentos são as clorofilas a e c. As diatomáceas são elementos deste grupo.

A maioria dos indivíduos desta divisão é unicelular flagelada, podendo formar colónias, apresentam dois flagelos com tamanhos diferentes, assim como um haptonema (estrutura semelhante a um flagelo mas com organização diferente). Estes seres são fotossintéticos mas podem viver com seres heterotróficos. Estas algas podem desenvolver bloom com libertação de toxinas.

Algas com forma de vida livre em água doce e marinha. Apresentam forma de vida simbiótica em conjunto com invertebrados. Estas algas possuem dois flagelos com pêlos nas laterais. Estes seres são fotossintéticos, mas podem viver como heterotróficos. Nestas algas já foi observada reprodução sexuada, no entanto, é mais comum a reprodução assexuada.

  • Dinophyta

Os elementos mais conhecidos deste grupo são os dinoflagelados. Estes seres podem apresentar uma cor avermelhada, apesar de possuírem clorofila a e b,. quando em condições ideais podem produzir blooms. Estas algas são unicelulares, no entanto, podem ou não apresentar flagelos.

  • Euglenophyta

Algas presentes na maioria dos ambientes de água doce, podem também existir no ambiente marinho. A maioria corresponde a seres fotossintéticos (no entanto podem sobreviver em ambientes sem luz) e unicelulares, podem viver em colónias. Estes seres apresentam dois flagelos, assim como um vacúolo que os auxilia na osmorregulação. A sua reprodução é assexuada.

  • Chlorarachniophyta

Algas unicelulares que realizam fotossíntese, no entanto, também podem comportar-se como seres heterotróficos. Os seus zoósporos podem possuir flagelos. Os seus pigmentos fotossintéticos são semelhantes aos das algas verdes, clorofila a e b.

Estas algas são conhecidas como algas verdes. Este grupo possui uma grande variedade de seres, estes podem ser unicelulares, coloniais ou multicelulares, podem viver em ambientes aquáticos ou ambientes terrestres. Estes seres quando são unicelulares apresentam flagelos. Ao contrário da maior parte das algas, estes indivíduos apresentam pigmentos fotossintéticos de clorofila a e b.

Aplicações

As algas possuem diversas aplicações no quotidiano do ser humano. Além de serem uma das maiores fontes de oxigénio (foi estimado que o maior produtor de oxigénio do planeta são as algas e não as árvores), estes seres vivos são utilizados em várias indústrias como conservantes, fertilizantes e até como uso medicinal.

Nos países orientais é bastante comum a utilização de algas na alimentação. Uma vez que se tratam de uma boa fonte de proteínas, vitaminas e minerais, esse costume tem vindo a ser introduzido também nos países ocidentais. As algas usadas na alimentação provêem do meio marinho ou então são criadas em viveiros com o objectivo específico de produção para a alimentação. As rações para animais também podem incluir algas.

Os géis usados em laboratório (por exemplo o agar-agar) são obtidos pela extracção de substância, com características gelificantes, das algas. Essas substâncias são também usadas no fabrico de alimentos para consumo humano como é o caso das gelatinas, dos gelados, cervejas, onde agem como emulsionantes, estabilizantes e gelificantes. Além da produção de alimentos estas substâncias são também utilizadas na produção de cremes, pasta de dentes e tintas.

Devido à riqueza em minerais, as algas são muitas vezes usadas como fertilizantes e adubos naturais. Em Portugal existe a tradição de recolher sargaço (e varias outras espécies de algas) para uso na agricultura e pastorícia. A nível comercial estas algas são tratadas, muitas vezes secas, e vendidas em forma de pequenos grãos ou pó, podem também ser extraídas substâncias que são usadas como adubos para jardins.

Os povos orientais têm o costume de usar algas no tratamento de doenças. No ocidente, foi reconhecido pela comunidade científica os benefícios do uso de alga para o tratamento de doenças relacionadas com o metabolismo do iodo. Estas são também utilizadas no tratamento de doenças estomacais, em particular para regularizar o apetite.

Recentemente surgiu em Portugal um novo produto, pão de algas, que tenta aliar o gosto português pelo pão às propriedade benéficas das algas. Estudos continuam a ser realizados para descobrir mais utilizações para as algas, ao nível do tratamento de doenças, assim como a outros níveis (cosméticos, alimentação, industria química).

Problemas

As algas são boas indicadoras ambientais, quando se encontram grandes aglomerados de determinadas espécies (por exemplo algas azuis), este pode indicar, que existe no local, uma grande quantidade de nutrientes , indicando consequentemente a existência de poluição. Por outro lado, o desaparecimento de algumas espécies pode indicar que a poluição é muito extrema.

O surgimento dos chamados Bloom de algas (aumento acelerado do crescimento destes organismo que leva à formação de uma estrutura semelhante a um cobertor de algas) pode causar graves problemas ambientais, uma vez que muitos desses seres produzem substâncias tóxicas, que podem matar os seres vivos aquáticos ou provocar intoxicações alimentares. Se as algas pertencerem ao género Pirrofícea, a sua proliferação assume o nome de maré vermelha devido à cor dos seus elementos e das toxinas que produzem, estas toxinas matam todos os seres que se alimentarem do organismo.

O aumento do número de algas pode levar ao surgimento de outros problemas como a ocorrência de eutrofização. Os organismos que surgiram durante o bloom acabaram por morre, com a sua morte dá-se a decomposição da matéria orgânica o que provoca a diminuição de oxigénio presente na água destruindo o ecossistema.

Palavras-chave:

Cianobactérias

Bloom de algas

Planta avascular

Ficologia

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References:

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