Associação simbiótica

Conceito de associação simbiótica, as principais características dos elementos que participam nestas associações, assim com alguns exemplos…

Conceito de associação simbiótica

Associação simbiótica é a designação dada à relação entre dois organismos, de espécies diferentes, da qual ambos tiram proveito, pode ser simplesmente designada por simbiose. Esta relação é obrigatória, sendo impossível para qualquer dos indivíduos, que a compões, viver de forma livre após a união.

Esta associação é extremamente íntima podendo mesmo existir a alteração do aspecto dos seres vivos que intervêm nela, isto é, os organismos que intervêm neste tipo de relação podem possuir um aspecto morfológico e características fisiológicas completamente diferente quando em simbiose e fora dessa união.

Apesar de existir algumas dúvidas quanto à definição deste tipo de relação, a definição mais aceite admite que os seres vivos que participam possuem espécies diferentes e são ambos beneficiados pela relação. As relações podem ser entre indivíduos de vária espécies sendo bastante comum que um dos envolvidos seja um fungo ou uma alga, existem também relações em que um dos componentes é uma bactéria.

Rizóbios:

Um exemplo de seres vivos com este tipo de comportamento são os rizóbios, bactérias simbióticas, particularmente o Rhizobium, que se associam com plantas leguminosas (como por exemplo as ervilheiras).

O rhizobium tem a capacidade de fixar o nitrogénio, o que favorece a obtenção deste por parte das plantas que estão associadas a esta bactéria. A associação simbiótica mencionada tem como objectivo o fornecimento, por parte da bactéria, do azoto (nitrogénio) às plantas leguminosas.

As bactérias, como o Rhizobium, conseguem fixar o azoto que se encontra disponível, no meio ambiente, de forma a poder ser usado pelas plantas que de outra forma não o conseguiriam utilizar, nem obter.

A bactéria ao encontrar uma planta, que seja adequada para a simbiose, inicia o processo de nodulação, isto é, a bactéria associa-se as raízes da planta formando pequenos nódulos que mais tarde fixaram o nitrogénio. Estes nódulos podem formar-se nas raízes ou nos caules das plantas leguminosas.

A bactéria instala-se inicialmente nos pêlos radiculares e posteriormente desloca-se para a raiz principal onde dará a ordem para o desenvolvimento de células bacteróides, este processo é contínuo formando os nódulos necessário para a obtenção do azoto.

Se os pares não forem adequados a relação não se estabelece, não havendo assim associação simbiótica, podendo mesmo ocorrer uma relação de parasitismo, em que um individuo tira todo o proveito e o outro não tirar qualquer proveito da relação.

Além da necessidade de se encontrar os pares ideais, algumas condições são necessárias para que se encontre a formação dos nódulos (associação simbiótica). A temperatura não deve ser muito baixa andando perto dos 39ºC, o ph dos solos também é importante, sendo que existem estirpes que preferem ambientes mais alcalinos enquanto outras preferem ambientes mais ácidos, esta variação também está dependente da espécie de leguminosa a que se encontrar associada a bactéria.

Micorrizas:

As micorrizas correspondem à associação simbiótica entre fungos e plantas, grande parte das plantas apresentam micorrizas, isto é, fungos associados às suas raízes. Nesta relação os fungos beneficiam com a produção de açúcares por parte da planta, enquanto a planta beneficia da proteção dos fungos.

As micorrizas podem ser de dois tipos:

Ectomicorrizas – micorrizas formadas por fungos do filo Basidiomycota ou Ascomycota. Nesta relação ocorre a formação de micélio que recobre as raízes das plantas. A cor que apresentam deve-se à conjugação do fungo e da planta. As hifas do fungo penetram na raiz da planta formando a rede de Hartig, estrutura labiríntica formada por hifas e raízes, que permite a troca de nutrientes e minerais.

Endomicorrizas – correspondem ao tipo mais comum e mais antigo de micorrizas. Esta relação envolve fungos do filo Zygomycota que se encontram completamente dependentes da planta com a qual estabelecem relação. Estes fungos não alteram visivelmente a estrutura da planta. A relação estabelecesse através da ligação às hifas dos fungos (apressório), que penetram nas raízes da planta formando estruturas semelhantes a pequenos arbustos (arbúsculos) onde se dá as trocas entre a planta e o fungo.

As orquídeas são organismos que devido ao local que habitam (muitas são epífitas, o que implica não se encontrarem no solo) necessitam de determinados sais minerais, por esse motivo ligam-se a fungos (decompositores) que iram formar um conjunto de hifas (micélio) responsável pela formação das micorrizas. Enquanto os fungos fornecem os sais minerais ao seu hospedeiro, as plantas fornecem ao fungo a matéria orgânica que este necessita. Trata-se de um tipo de endomicorrizas.

Líquen:

Estes seres possuem uma longa longevidade, apesar de serem afectados pelos poluentes que são libertados no ar pelas fábricas e pelos carros, sendo muitas vezes usados para monitorização ambiental devido a essa sensibilidade à presença de poluentes. A alga (ou cianobactérias) é denominada de fotobionte, pois realiza a fotossíntese, enquanto o fungo denomina-se micobionte.

O exemplo mais usado para exemplificar uma associação simbiótica é o líquen. Estrutura criada pela interacção entre um fungo e uma alga, permite a sobrevivência da alga, fora de água, ao mesmo tempo em que a alga fornece alimento ao fungo. A base desta estrutura (talo) é o fungo, que se encontra dividido em camadas que envolvem a alga.

Nesta relação assume-se que a alga produz o alimento para o fungo, através da realização da fotossíntese, enquanto o fungo permite à alga viver num ambiente sem água, pois ao envolver a alga nas suas hifas cria um micro-ambiente húmido que permite a sobrevivência da alga à dissecação.

Apesar de se tratar do exemplo mais usado no que se refere a relações simbióticas, ainda existem  duvidas de que se trate realmente de uma associação simbiótica, pensa-se que na verdade se trata de uma relação de parasitismo, em que o fungo tira proveito explorando a alga pelos nutrientes que esta produz.

Alga e esponjas:

A relação simbiótica entre algas simbiontes e esponjas é outro exemplo de uma associação simbiótica. Neste contexto, de forma semelhante à relação com os fungos, a alga verde comporta-se como simbionte enquanto a esponja (ser invertebrado) comporta-se como hospedeiro.

Alguns Cnidários, moluscos e protozoários também possuem relações de simbiose com as algas. Estas relações baseiam-se na necessidade destes organismos de obter alimento que é produzido pelas algas (produtores primários) durante o processo de fotossíntese.

Esta associação traz bastantes benefícios para os seres vivos que nela participam, por exemplo, a alga é das principais responsáveis pelo crescimento do organismo ao qual se encontra associada, pode também criar um ambiente menos tóxico para o seu hospedeiro, uma vez que absorvem o dióxido de carbono e libertam o oxigénio.

Mitocôndrias/plastos:

As mitocôndrias são estruturas que se encontram dentro da célula e lhe fornecem energia. Os plastos correspondem aos organismos, como os cloroplastos, que possuem ADN próprio, mas que funcionam em conjunto com as células hospedeiras, neste caso fornecendo cor às células.

Ambas as estruturas são completamente independente da célula a que se encontram associada, pois possuem ADN completamente diferente do ADN presente na célula hospedeira. No entanto, estas duas estruturas não sobrevivem de forma independente, precisando de se manter em relação com a célula hospedeira.

Segundo a teoria da endossimbiose, acredita-se que as células eucarióticas surgiram devido à assimilação de bactérias  que apresentavam vida livre e passaram a viver dentro de outra estrutura celular criando as estruturas mencionadas (mitocôndrias, cloroplastos).

As células anteriormente independentes passaram a estar completamente dependentes da célula hospedeira, que lhe fornece o alimento e a protecção de um ambiente estável, enquanto a célula que se associou fornece energia necessária à realização dos processos essenciais à sobrevivência das células hospedeiras, assim como cumprem outras funções essenciais às células que habitam.

As diferentes associações formadas trazem benefícios aos seus intervenientes assim como ao ambiente que os rodeia. Por exemplo, a presença de líquenes permite determinar o grau de poluição do meio, a presença de micorrizas ou de rizóbios permite uma melhor obtenção de nutrientes por parte das plantas, assim como uma assimilação e fixação de nutrientes como o azoto.

 

Palavras-chave:

Líquen

Micorrizas

Algas

Fungos

Bactérias

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