Heterossexismo

O heterossexismo, ainda hoje presente, diz respeito à desigualdade de atitudes no que concerne à diversidade de género.

Heterossexismo

O heterossexismo, ainda hoje presente, diz respeito à desigualdade de atitudes no que concerne à diversidade de género. Atitudes de exclusão e discriminação, ou de diferenças salariais entre homens e mulheres, são algumas das características do mesmo. Por esse motivo, torna-se necessário compreender os seus contornos no sentido de lutar pelos direitos humanos de todos.

De acordo com os estudos de Garcia (2009) o heterossexismo é caracterizado pela pressão da sociedade no que diz respeito à normatização da orientação sexual, que começa ainda na escola e que leva à dificuldade em aceitar a diversidade sexual.

Segundo Murta, Prette e Prette (2010) o heterossexismo afeta a saúde do indivíduo, o que se torna preocupante, e impele ao combate contra o mesmo, principalmente na fase adolescente, uma vez que atitudes agressivas contra indivíduos que não se identificam com a orientação sexual normativa, provocam danos na sua saúde, por toda a sua vida.

Atitudes heterossexistas na escola acontecem, predominantemente, devido ao fato de a diversidade sexual, como ser gay ou lésbica, ser ainda alvo de marginalidade, o que leva a escola a ser um local perigoso para jovens cuja orientação sexual foge aos parâmetros normativos (Garcia, 2009).

Mesmo quando se fala no âmbito da educação sexual em contexto escolar, Garcia (2009) menciona o fato de a mesma se focar preferencialmente na vertente heterossexual, observando como natural, apenas a sexualidade entre pessoas de sexos diferentes.

Na mesma linha teórica outros estudos fazem referência aos padrões comportamentais que funcionam quase como uma regra que dita o que é aceitável e o que não é, no que concerne à orientação sexual (Murta, Prette, & Prette, 2010). Focam-se, restritamente, em masculino e feminino e colocam os indivíduos que não estão dentro do padrão estabelecido, à margem de tudo aquilo que é normatizado e sujeitam-nos, diariamente, à violência com base no género (Murta, Prette, & Prette, 2010).

Garcia (2009) chama ainda a atenção para o fato de as aulas serem maioritariamente lecionadas por mulheres, o que também enfatiza a tendência relacionada com a desigualdade de género, no que diz respeito aos postos de trabalho.

Murta, Prette e Prette (2010) observam o heterossexismo no trabalho, quando se verificam salários superiores para os homens e inferiores para as mulheres, o que provoca menos oportunidades no que concerne ao progresso na carreira das mulheres, do que no caso dos homens.

Em muitos contextos, a prevalência da atitude heterossexista, faz com que a homossexualidade seja ainda mais alvo de preconceito, discriminação e exclusão do que o racismo, através de atitudes como violência ou vigia constante sobre os seus comportamentos (Garcia, 2009).

Atitudes que evidenciam diferenças no que diz respeito aos direitos humanos, são, para Murta, Prette e Prette (2010) expressadas através de níveis de hierarquia, intolerância, opressão e até abuso, provocando a prevalência do heterossexismo normativo.

Devido a todos estes obstáculos aos direitos humanos, relacionados com a diversidade sexual, realizam-se ações de sensibilidade em Educação pelo Programa, que levam os estabelecimentos de ensino a promover atividades que visem o respeito e a não-discriminação pelo cidadão, com base na orientação sexual (Garcia, 2009).

Estudos levados a cabo por Hinson (1996, cit in Garcia, 2009) referem que um dos fenómenos muito comuns a respeito do heterossexismo predominante, é a adoção de comportamentos provocadores de conflito junto de crianças que, embora heterossexuais, não o demonstram da forma tradicional, mesmo que as mesmas não se identifiquem como Lésbicas Gays Bissexuais e Trangénero/transsexuais (LGBT).

Também é importante lembrar, para Garcia (2009) que o combate ao heterossexismo, deve ser promovido para além dos muros da escola, uma vez que o mesmo tem sido focado apenas em contexto educacional.

Na maioria dos casos, mesmo em contexto escolar, os professores, além da dificuldade existente em falar sobre o assunto que já causa desconforto só por si, também referem a falta de recursos didáticos para abordar o tema da forma mais adequada, já que se trata de fazer referência a orientações sexuais que fogem à norma (Garcia, 2009). Vários relatos provenientes diretamente de professores, demonstram mesmo que, quando os mesmos se interessam e demonstram o seu interesse sobre o tema, são alvo de desconfianças por parte dos outros, como se o simples fato de abordar o tema significa-se comportamentos sexuais considerados menos aceitáveis (Garcia, 2009).

Estes fenómenos fazem com que o heterossexismo prevaleça, mantendo o poder do homem em relação à subordinação da mulher, o que, inevitavelmente, prejudica o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, que levam, frequentemente, a que os indivíduos não identificados dentro do padrão heteronormativo, sejam colocados de parte, desenvolvendo depressões e chegando mesmo a suicidar-se devido à opressão (Murta, Prette, & Prette, 2010).

Conclusão

Dado o elevado número de consequências negativas, muitas vezes graves e que podem inclusive levar ao suicídio de indivíduos que não se identificam com a norma, é cada vez mais necessário que se promova o combate ao heterossexismo. Tendo em conta os contornos relacionados com discriminação, exclusão, violência etc, de que estes indivíduos são alvo, o heterossexismo pode provocar danos graves na saúde, que serão carregados por toda a vida, pelo que urge lutar pelos direitos humanos destes indivíduos, na busca pela sua integridade e dignidade.

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References:

  • Garcia, M.R.V. (2009). HOMOFOBIA E HETEROSSEXISMO NAS ESCOLAS: DISCUSSÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL E NO MUNDO. IX CONGRESSO NACIONAL DE PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL ABRAPEE. 6 a 8 de julho de 2009. Universidade Presbiteriana Mackenzie – São Paulo – SP;
  • Murta, S.G., Prette, A.D., & Prette, Z.A.P. (2010). PREVENÇÃO AO SEXISMO E AO HETEROSSEXISMO ENTRE ADOLESCENTES: CONTRIBUIÇÕES DO TREINAMENTO EM HABILIDADES DE VIDA E HABILIDADES SOCIAIS. Revista de Psicologia da criança e do adolescente. Jornal of child and adolescente Psychology. Lisboa, nº2 (2010).
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