Estereótipo

O estereótipo diz respeito à imagem prévia que o indivíduo ou grupo faz de outro indivíduo ou grupo, antes de adquirir informação.

Estereótipo

O estereótipo diz respeito à imagem prévia que o indivíduo ou grupo faz de outro indivíduo ou grupo, antes de adquirir informação. A partir daqui, cria-se um processo de organização mental do qual resulta a identidade de pertença.

 

Lippmann (1992, cit in Cabecinhas, 2002, p.2) define “…estereótipos como imagens mentais sobre a realidade que se interpõem, sob a forma de enviesamento, entre o indivíduo e a realidade (…) os estereótipos formavam-se a partir do sistema de valores do indivíduo e tinham como função a organização e estruturação da realidade, de outra forma demasiado complexa para ser assimilada.”

De acordo com a investigação de Guerra (2002) o ser humano tende a valorizar-se individualmente a si e ao seu grupo, em proporção inversa à desvalorização do outro, contudo, não existe uma explicação específica que ajude a compreender como se dá esse processo natural.

Apesar disso, esta conduta adotada acerca de estereótipos que são naturais ao indivíduo também o ajuda a orientar-se em determinadas circunstâncias e a proteger os seus valores, bem como a justificar as atitudes tomadas em relação a outro grupo (Cabecinhas, 2002). Este processo permite que o indivíduo consiga distinguir o grupo de pertença do grupo externo, o que melhora a identidade social e a autoestima (Cabecinhas, 2002).

Cabecinhas (2002) considera que os estereótipos acabam por ser algo inevitável devido aos limites do próprio ser humano em organizar a informação sobre o que se passa à sua volta, uma vez que falamos de processos irracionais provenientes de construções sociais.

Podemos observar comportamentos estereotipados quando analisamos um grupo cujas representações sociais não se revelam claramente, principalmente se fogem às regras sociais, como é o caso dos estereótipos associados aos preconceitos (Menin, 2006).

Neste aspecto, Menin (2006) coloca a questão acerca dos questionários de investigação no que concerne às representações sociais, tais como escalas de avaliação, porque fica a dúvida em relação à honestidade das respostas, tanto quando as respostas são dadas com base no que o indivíduo diz em relação a si quanto no que diz em relação aos outros.

Este processo deve-se ao fato de ser natural à condição humana imaginar primeiro e observar depois o mundo ao seu redor, orientando-se pela cultura na qual se insere, o que acarreta, naturalmente, a tendência para ter uma opinião formada mesmo antes de conhecer determinado assunto (Guerra, 2002).

Todas estas questões acerca da construção de estereótipos, estão ligadas aos códigos culturais vigentes que atravessam várias gerações e têm extremo poder social (Guerra, 2002).

Do ponto de vista da psicologia social, a investigação demonstra a evidência dos estereótipos quando se refere a grupos étnicos devido à proliferação do poder dos media que colocam os mesmos em destaque, com bastante frequência (Cabecinhas, 2002).

Este assunto merece especial atenção devido aos contornos sobre os quais é abordado, de forma simplista e estereotipada, ou seja, de forma generalizada, abusiva, irracional e até perigosa (Cabecinhas, 2002).

Facilmente se identificam estereótipos entre diferentes grupos sociais, quando focamos a atenção na forma como um grupo se refere a outro, no que diz respeito ao que esse grupo representa, quando, por exemplo, um grupo de estudantes fala da “opinião pública”, uma vez que não se refere às suas representações mas à ideia que faz das representações de outro grupo com o qual existe interação (Menin, 2006).

Em outros contextos, como no caso das minorias etnia, a tendência para criar estereótipos negativos, leva a comportamentos de exclusão social em relação a estas, o que evidencia o statu quo (Cabecinhas, 2002).

No entanto, a revisão bibliográfica levada a cabo por Cabecinhas (2002) explica que os estereótipos podem ser importantes, do ponto de vista da Teoria da Identidade Social, no campo das funções cognitivas e sociais, uma vez que permitem que o indivíduo processe, ao nível cognitivo, a informação social.

Assim, o estereótipo é um instrumento com prós e contras na medida em que, por um lado, ajuda o indivíduo a organizar-se no que concerne à sua identidade social, isto é, a compreender a que grupo pertence, por outro, no campo intergrupal, devido aos contornos irracionais que este instrumento acarreta, pode ter consequências bastante negativas (Cabecinhas, 2002).

Conclusão

O estereótipo é um processo construído essencialmente a partir de grupos sociais e de dentro para fora, já que se trata de um processo de organização mental que se traduz no comportamento que determinado indivíduo ou grupo tem em relação a outro individuo ou grupo, mesmo antes de ter conhecimento de causa. Se por um lado pode ter consequências muito negativas devido a questões relacionadas com discriminação e exclusão social, por outro pode ter consequências positivas no que concerne à promoção da identidade social do sujeito, dentro de um grupo específico.

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References:

  • Cabecinhas, R. (2002) Media, etnocentrismo e estereótipos sociais. In As Ciências da Comunicação na Viragem do Século. Actas do I Congresso de Ciências da Comunicação: Lisboa: Veja (pp.407-418);
  • Guerra, Paula Bierrenach de Castro. Psicologia social dos estereótipos. Psico-USF [online]. 2002, vol.7, n.2 [cited 2016-07-13, pp.239-240. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-82712002000200013&script=sci_arttext&tlng=pt;
  • Menin, Maria Suzana de Stefano. Representação social e estereótipo: A zona muda das representações sociais. Psicologia: Teoria e Pesquisa. [online] abril 2006, Vol.22 n.1 [cited 2016-07-13], pp: 043-052. Disponível em http://repositorio.unesp.br/handle/11449/28848.
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