Pedagogia heterossexista

A pedagogia heterossexista promove a educação sexual apenas do ponto de vista heterossexual gerando a informação acerca de apenas um padrão heteronormativo.

A pedagogia heterossexista promove a educação sexual apenas do ponto de vista heterossexual gerando a informação acerca de apenas um padrão heteronormativo. Devido a esta falha de informação por parte das instituições de ensino, nascem falhas em todo o sistema educativo que levam a comportamentos menos corretos contra indivíduos que não se encontram dentro destes padrões.

Segundo os estudos levados a cabo por Henrique e Caldeira (2014) a pedagogia heterossexista diz respeito ao facto de a educação sexual em âmbito escolar, em algumas instituições de ensino, estar ainda bastante focada apenas na questão heterossexual.

A preocupação dos autores em investigar este tema diz respeito à necessidade de a inclusão se fazer sentir nas escolas, onde é esperado que se formem cidadãos que promovam a integração e respeitem as diferenças existentes entre indivíduos (Henrique, & Caldeira, 2014).

Uma vez que, nos seus trabalhos, os autores não encontraram níveis satisfatórios de promoção da inclusão, verificaram a necessidade de observar de perto o fenómeno, devido aos preconceitos que desta falha nascem (Henrique, & Caldeira, 2014). Dos preconceitos assim desenvolvidos, desenvolve-se a formação dos alunos para a homofobia escolar (Junqueira, 2007b, p.09, cit in Peres, & Maio, s.d.).

Os trabalhos de Peres e Maio (s.d.) evidenciaram também esta característica comum a bastantes instituições de ensino onde predomina a heteronormatividade através de várias ações como discursos, valores, práticas, entre outros.

Esta lacuna na educação vem do facto de que, nas aulas de educação sexual, quando se fala sobre relação sexual, parece ser evidente que só a sexualidade do foro heterossexual é abordada como única forma correta de obter prazer (Henrique, & Caldeira, 2014; peres, & Maio, s.d.).

Deste modo, os autores apercebem-se da mensagem assada por parte das instituições de ensino que que as relações homossexuais são erradas e que aquilo que não vai ao encontro dos padrões heteronormativos, não deve ser do conhecimento dos alunos (Henrique, & Caldeira, 2014).

De acordo com Peres e Maio (s.d.) olhando para este cenário, podemos compreender, facilmente, como nasce a hostilidade contra indivíduos Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trangénero/transexuais (LGBT).

Peres e Maio (s.d.) mencionam ainda que a pedagogia heterossexista acaba por levar os alunos à impressão, não só de que não é necessário existir informação acerca de orientações sexuais não padronizadas como ao facto de que as mesmas não são vistas como legítimas.

Para Henrique e Caldeira (2014) o facto de os programas curriculares falarem da educação sexual como se não existisse a homossexualidade, leva a que indivíduos cuja orientação sexual não vá ao encontro do padrão heteronormativo, se torne estigmatizado. Assim, os autores encontram a necessidade de ampliar a formação em educação sexual dos indivíduos, não só abordando a temática da diversidade sexual mas também das relações étnico-raciais, ou seja, incluir aqui questões de género, raça, etnia e sexualidade (Henrique, & Caldeira, 2014).

Conclusão

A pedagogia heterossexista padroniza a orientação heterossexual levando os indivíduos, de uma forma pedagógica, tomar conhecimento acerca da sexualidade de uma forma que compreende a existência apenas de um tipo de orientação e deixando de lado todas as outras orientações existentes. Desta lacuna na informação passada aos alunos de diferentes instituições, nasce o preconceito, a exclusão e a não aceitação de todos os indivíduos que não correspondem aos padrões heteronormativos.

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References:

  • Henrique, A.R.P., & Caldeira, B.M.M.F. (2014). SEXUALIDADE E DIVERSIDADE NA ESCOLA: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADS POR HOMOSSEXUAIS NO ENSINO MÉDIO FRENTE À PEDAGOGIA HETEROSSEXISTA. Revista Científica Indexada Linkania Júnior. Volume 4 – Nº1 – Janeiro/Março, 2014. Recuperado em 17 de setembro de 2018 de http://linkania.org/junior/article/view/301/157;
  • Peres, J.A., & Maio, E.R. (s.d.). HETERONORMATIVIDADE E HETEROSSEXISMO: ESPECIFICIDADES IDENTITÁRIAS DAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS. Recuperado em 17 de setembro de 2018 de bruc.com.br/arquivo/pdf2015/16018_8725.pdf.

 

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