Segregação versus inclusão

A segregação visa inserir indivíduos diferentes num espaço sem criar condições adaptadas. A inclusão adequa os espaços às limitações de cada um.

Segregação versus inclusão

A segregação visa inserir indivíduos diferentes num espaço sem criar condições adaptadas. A inclusão adequa os espaços às limitações de cada um.

Dorizat (2004) debruça-se sobre a questão da segregação versus inclusão do ponto de vista da inserção de alunos deficientes ou portadores de deficiência no ensino regular, uma vez que se verifica a aposta política na solidariedade e na extinção da exclusão, no entanto, sem ter em atenção as individualidades e especificidades características dos alunos diferentes.

Deste ponto de vista Batista e Araújo (2003) entendiam que a forma de inclusão que não acarreta a adaptação dos espaços aos indivíduos portadores de deficiência, já é, por si só, uma forma de segregação, ou seja, os indivíduos ficam, não na situação de incluídos mas na situação de tolerados.

Deste modo, em teoria, os alunos portadores de deficiência passam a estar inseridos no ensino regular, com as mesmas oportunidades educacionais dos alunos não portadores de deficiência, no entanto, na prática, a escola não está devidamente capacitada para acolher todos os tipos de alunos (Dorizat, 2004).

Com efeito, exemplos destas condições, são os alunos surdos que, muito embora possam frequentar uma escola teoricamente inclusiva, devido à sua forma de comunicação através de sinais, apenas conseguem fazer a mesma com o intérprete de língua gestual (Dorizat, 2004). Esta situação significa que a interação entre o professor e o aluno surdo, fica completamente de parte, ou seja, o acompanhamento regular deste aluno, está à margem dos outros alunos (Dorizat, 2004).

Perante este cenário, a segregação de alunos com deficiência parece evidente quando os mesmos, devido às suas limitações, ficam impedidos de interagir tanto com professores como com alunos, embora estejam presentes no mesmo espaço, contudo, sem qualquer possibilidade de interação e participação necessárias à sua aprendizagem (Dorizat, 2004).

A forma como se veda a verdadeira inclusão a estes alunos leva a que os mesmos saiam prejudicados ao nível do seu desenvolvimento, uma vez que não têm a possibilidade de participar das atividades como cidadãos (Dorizat, 2004). É notória, nesta situação, a tendência para olhar os indivíduos deficientes de forma “não acabada” devido à sua condição física e/ou mental, porque não acompanham o padrão normatizado da sociedade (Batista, & Araújo, 2003).

Esta teoria corrobora os estudos já feitos anteriormente por Batista e Araújo (2003) que entendiam a necessidade de criar espaços para os indivíduos deficientes, no mesmo espaço e ambiente que qualquer outro indivíduo sem deficiência possa ocupar, dando-lhe o seu direito legítimo de acesso à saúde mental, à socialização e a serem tratados como cidadãos, mesmo com a sua diferença.

“Tratar sobre inclusão significa levar em conta os diferentes modos de vida, que vão desde as condições materiais até às formas de organização presentes em cada grupo.”

(Dorizat, 2004).

Isto quer dizer que a verdadeira definição de inclusão pressupõe que a escola se adapte às individualidades, isto é, esteja devidamente adaptada para receber todos os tipos de alunos, tanto portadores de deficiência como não portadores, respeitando as limitações de todos (Dorizat, 2004).

Perante esta linha de ideias é do direito de todo e qualquer cidadão, portador ou não de deficiência, o acesso à inclusão social, promovido, necessariamente pela sensibilização social em relação à diferença (Batista, & Araújo, 2003).

Para tal, remodelar infraestruturas no espaço físico onde o indivíduo portador de deficiência está inserido, tais como a construção de rampas de acesso tanto na via pública, como na escola ou nos transportes públicos, além de um cão-guia, são algumas das estratégias básicas e necessárias para se dar início a um verdadeiro processo de inclusão (Batista, & Araújo, 2003).

Segundo Batista e Araújo (2003) o trabalho de inclusão não se deve restringir ao espaço escolar, já que também existem adultos com deficiência que já não se encontram em idade escolar mas que precisam de um trabalho, pelo que a criação de legislação que promova a inclusão dos mesmos no mercado de trabalho parece ser outra necessidade urgente e fundamental. Contudo, há que estar atento também a essa dimensão já que a situação de segregação no trabalho, mesmo aceitando o deficiente, parece ser uma constante, muito embora já haja avanços nesse sentido (Batista, & Araújo, 2003).

Conclusão

Verifica-se que a inclusão de indivíduos portadores de deficiência em todos os ambientes sociais, no sentido da igualdade de direitos para todos, em muitas situações cai por terra devido à inexistência de adequação dos espaços para as suas limitações. Nesse sentido é preciso compreender que, quer a adaptação de infraestruturas quer a formação adequada dos profissionais das várias áreas para atender às individualidades de cada um, são duas das alavancas fundamentais para que estes indivíduos não fiquem numa situação de segregação dentro do espaço, mas sim, numa verdadeira inclusão.

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References:

  • Batista, C.A.M., & Araújo, J.N.G. de. (2003). Segregação e inclusão das pessoas portadoras de deficiência. Pulsional > Revista de Psicanálise > Clínica Social > p.58-65, ano xvi, n.70, junho/2003;
  • Dorizat, A. (2004). Educação de surdos no ensino regular: inclusão ou segregação? Revista do Centro de Educação Especial, n.24, 2004. https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/4921/2955.
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