Discriminação na deficiência

Pessoas com deficiência física e intelectual muitas vezes são vítimas de preconceito e discriminação.

Discriminação na deficiência

 

Pessoas com deficiência física e intelectual muitas vezes são vítimas de preconceito e discriminação. Costumam não receber o mesmo tipo de tratamento no que concerne à democracia e saem prejudicadas pelas más condições nas vias de acesso público e privado.

A discriminação pode se manifestar, entre outras formas, com base nas diferenças entre os sexos, idade, cor, estado civil, deficiência, doença, orientação sexual ou ainda, por exemplo, pela exigência de certidões ou exames para determinadas pessoas como candidatos a emprego, matrícula ou outra atividade (Fávero, Ferreira, Ireland, & Barreiros, 2009). O ato discriminatório pode ser visível e provocar reprovação imediata por parte daqueles que o presenciam, ou pode ser invisível, velado, camuflado, sem produzir, aparentemente, consequências adversas imediatas para a pessoa discriminada (Fávero, Ferreira,Ireland, & Barreiros, 2009)

Deficiência

Perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica, temporária ou permanente (Amaralian, Pinto, Ghirardi, Lichting, Masini, & Pasqualin, 2000). Incluem-se nessas características, a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais (Amaralianet al, 2000).

Assim, a deficiência representa a exteriorização de um estado patológico, que reflete um distúrbio ou perturbação do foro orgânico (Amaralianet al 2000).

Incapacidade

Restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano (Amaralianetal, 2000). Surge como consequência direta ou como resposta do indivíduo a uma deficiência psicológica, física, sensorial ou outra na qual representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária (Amaralianetal, 2000).

Tendo em conta todos estes pressupostos, vários estudos demonstram que a pessoa com deficiência nem sempre foi valorizada e respeitada pelos seus diferentes, e, por muito tempo, representou um segmento totalmente ignorado, sendo, portanto, vítima de abandono, rejeição, maus tratos e até mutilações (Tessaro, 2007). Foi apenas a partir do século XX que começou a haver uma melhor aceitação do deficiente, momento em que se iniciou a sua desconstitucionalização e educação escolar (Tessaro, 2007). Até este período eram afastados e praticamente privados de convívio social (Tessaro, 2007). Entretanto, verifica-se que as conquistas ainda foram poucas, pois o preconceito e a ignorância e ainda mais a discriminação são muito fortes em relação ao deficiente e à deficiência (Tessaro, 2007).

Pode-se afirmar, que mesmo depois de muitas discussões em torno da inclusão social, o deficiente ainda sofre pelo estigma e pelo preconceito da sua diferença (Tessaro, 2007). Existe todo um discurso pró inclusão em vários segmentos da sociedade, entre os quais no ambiente escolar, que visa a inclusão nesse contexto no sentido de efetivar, mesmo, buscando superar toda uma história de isolamento, discriminação e preconceito (Tessaro, 2007).Esta questão tem sido colocada, frequentemente, em evidência, principalmente no meio académico (curso de Psicologia) tais como: O que é inclusão escolar? Por que incluir? Qual é a opinião dos alunos com deficiência e dos professores sobre inclusão? A escola possui infra-estrutura adequada para participar da inclusão escolar? Os alunos deficientes se sentem bem com a inclusão escolar? Os professores estão capacitados para educação inclusiva? Etc.(Tessaro, 2007).

Em busca de respostas para estes questionamentos, realizou-se uma pesquisa ao nível do doutoramento, cujo objetivo foi verificar as conceções de professores e alunos de educação regular e especial sobre o processo de inclusão escolar(Tessaro, 2007).

Acredita-se que incluir alunos diferentes, mais especificamente, deficientes, na classe comum durante o ensino regular, seja viável, desde que se tenha presente a complexidade de tal processo, o qual requer muito investimento e comprometimento, principalmente dos órgãos governamentais (recursos orçamentários) (Tessaro, 2007). Ainda há, porém, muito trabalho a fazer, no que diz respeito à evolução contra a descriminação destes indivíduos, como pesquisas para ampliar o conhecimento, além de desenvolver e testar formas que viabilizem a verdadeira inclusão escolar (Tessaro, 2007).

Conclusão

Podemos compreender que a deficiência propriamente dita se trata da incapacidade ou limitação de um indivíduo para realizar algum tipo de tarefa considerado banal, pelo que, devido a ideias erradas provenientes de preconceitos sociais, o portador de deficiência acaba sendo vítima de discriminação e exclusão em vários contextos. Pela revisão da literatura podemos perceber que o combate a este tipo de discriminação deve ser fundamentalmente iniciado no meio escolar para promover, desde cedo, o respeito pela diferença bem como estimular as capacidades de indivíduos diferentes.

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References:

  • Amiralian, Maria LT et al. Conceituando deficiência. Theconceptofdisability. Revista de Saúde Pública. Jornal ofPublicHealth[onine] 2000. Volume 34. Número 1 Fevereiro [cited 2016-07-07]: pp.97-103. Disponível em http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v34n1/1388
  • Fávero, O., Ferreira, W., Ireland, T., & Barreiros, D. (2009). Tornar a educação inclusiva. Acedido a 7 de julho de 2016 em http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001846/184683por.pdf
  • Tessaro, N.S. (2007). Inclusão Escolar: Concepções de Professores E Alunos da Educação Regular e Especial. ABRAPEE – Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. Acedido a 07 de julho de 2016 em http://www.abrapee.psc.br/artigo20.htm
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