Sobredotação e relacionamentos interpessoais

A relação entre sobredotação e relacionamentos interpessoais deve-se ao possível desajuste entre a idade do sobredotado e a sua maturidade precoce.

Sobredotação e relacionamentos interpessoais

A relação entre sobredotação e relacionamentos interpessoais deve-se ao possível desajuste entre a idade cronológica do sobredotado e a sua maturidade precoce.

Alguns estudos sugerem que os alunos sobredotados têm, habitualmente, bastantes dificuldades sociais e emocionais, o que lhes dificulta a capacidade para construir relacionamentos interpessoais devido ao desajustamento consequente da sobredotação (Alencar, 2007).

No entanto, existem outros estudos que contrariam esta teoria na medida em que defendem o facto de a sobredotação ser uma mais valia que estes alunos têm no que concerne às relações interpessoais na medida em que lhes permite ajustar-se, com mais facilidade, a qualquer tipo de contexto (Alencar, 2007). O segundo ponto de vista deve-se, essencialmente, ao grau de maturidade acima da média e aos sentimentos e pensamentos mais positivos a respeito de si mesmos que estes alunos têm (Alencar, 2007).

No entanto, nem todos os estudos indicam esta facilidade de adaptação, já que alguns dados da literatura demonstram que a maturidade acima da média leva ao perfeccionismo, pelo que, muitas vezes, o sobredotado corre o risco de desenvolver sintomas de depressão, ansiedade, baixa autoestima e baixo autoconceito, que, por sua vez, se refletem no baixo rendimento escolar que não seria esperado nestes casos (Ourofino, & Fleith, 2011).

A partir daqui surgem problemas de aprendizagem, desorganização, impulsividade, desconcentração, rebeldia, comportamento desajustado e objetivos completamente fora da realidade devido ao baixo rendimento escolar (Ourofino, & Fleith, 2011).

Para Alencar (2007) o que realmente pode definir as competências interpessoais destes indivíduos são características como o grau de inteligência, a classe social, o sexo, as oportunidades de interação com os colegas cujo grau de inteligência é similar ao seu e a possibilidade de ter um atendimento que abranja as necessidades educativas especiais (NEE).

Segundo os estudos levados a cabo por Terman (1965, cit in Alencar, 2007) quanto mais elevado é o quociente de inteligência (QI) de uma criança, maior desajuste interpessoal ela sente, tanto em relação aos professores como em relação aos pares, o que a torna mais solitária. Por outro lado, no caso de um grau de QI sobredotado um pouco menor também se verifica, de acordo com estes estudos, um menor desajuste interpessoal (Terman, 1965, cit in Alencar, 2007).

As razões para que estes alunos sofram um desajuste em relação aos outros e se sintam mais isolados tanto junto dos professores dizem respeito ao facto de que os mesmos não encontram qualquer ponto de interesse na escola que se ajuste às suas capacidades, uma vez que as mesmas estão acima do que lhes é exigido (Alencar, 2007).

Na mesma linha teórica, Ourofino e Fletith (2011) indicam também que a dificuldade de adaptação ao ensino regular é notória nestes alunos porque não se adequam ao que lhes é pedido nos vários contextos que formam o ambiente escolar, desde as relações de pares, às relações com os professores, passando pela questão familiar.

No que concerne a esta última, o aluno sobredotado é tendencialmente conflituoso devido às exigências rigorosas que lhe são, constantemente exigidas, (Ourofino, & Fleith, 2011).

Em relação às dificuldades em construir relacionamentos interpessoais com os outros alunos deve-se à questão de que os interesses entre ambas as partes não se assemelham, o que os leva, facilmente, ao isolamento (Alencar, 2007).

Uma das questões também focadas por Ourofino e Fleith (2011) diz respeito ao facto de os estímulos extra escolares serem fortes concorrentes em relação aos que dizem respeito à escola, pelo que provocam maior interesse e consequente desinteresse das tarefas académicas.

Juntando a estes dois obstáculos, verifica-se que estes alunos são também mais vulneráveis emocionalmente, uma vez que a sua capacidade para compreender factos éticos e filosóficos está acima da sua maturidade emocional para compreender estas questões, ou seja, há um desajuste entre as duas capacidades (Alencar, 2007).

Pelos estudos de Ourofino e Fleith (2011) podemos ver claramente estes problemas e dificuldades nas relações interpessoais dos alunos sobredotados, na medida em que a sua tendência para a vulnerabilidade afetiva e emocional, coloca obstáculos à sua capacidade de construir relacionamentos.

Conclusão

Podemos verificar que existem opiniões diversas no que concerne às relações interpessoais dos alunos sobredotados e que a característica em questão pode trazer tanto consequências positivas como negativas, dependendo do grau de sobredotação e da forma como a criança e o ambiente em volta lidam com a situação.

Se em determinados casos a sobredotação pode trazer consequências drásticas ao nível das relações interpessoais devido ao desajuste entre a maturidade precoce do sobredotado e a sua idade cronológica, outros casos há em que essa capacidade se torna numa mais valia porque facilita a adaptação do indivíduo a diferentes situações.

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References:

  • Alencar, E M L S. (2007). CARACTERÍSTICAS SÓIO-EMOCIONAIS DO SUPERDOTADO: QUESTÕES ATUAIS. Psicologia em Estudo, Maringá, v.12, n.2, p.371-378, maio/ago. 2007;
  • Ourofino, Vanessa Terezinha Alves Tentes, & Fleith, Denise, Spuza. (2011). A condição underachievement em superdotação: definição e características. Psicologia: teoria e prática, 13(3), 206-222. Recuperado a 1 dehttp://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-36872011000300016 outubro de 2016 de.
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