Resiliência infantil

A resiliência infantil diz respeito à capacidade da criança para responder aos desafios que lhe são colocados.

A resiliência infantil diz respeito à capacidade da criança para responder aos desafios que lhe são colocados. Habitualmente o suporte parental e de pares são dois dos fatores que predominam no desenvolvimento desta competência.

“… resiliência é o termo usado para descrever a habilidade que cada pessoa tem de suportar o estresse e as adversidades ela impostas.”  (Rutter, 1987, 1993, cit in Conzatti, & Mosmann, 2015, p. 354).

Segundo os estudos de Conzatti e Mosmann (2015) alguns fatores influenciam a resiliência infantil, tis como a saúde, a família, a educação, o afeto, a nutrição, o apoio, etc.

Os autores identificam a supervisão parental no que diz respeito à orientação escolar, como um dos fatores predominantes no desenvolvimento desta competência (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Verifica-se ainda que as crianças resilientes desenvolvem boas características de personalidade como a autoestima e a flexibilidade, as quais são promovidas por ferramentas como a coesão familiar e o suporte social, como os pares e outros componentes da comunidade escolar (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Referindo também a importância da rede de suporte e da comunidade escolar Poletto, Wagner e Koller (2004) já tinham referido nos seus estudos que muitas crianças resilientes conseguem ultrapassar situações mais stressantes com uma boa capacidade de resiliência possível de desenvolver mediante um bom ambiente escolar, ou seja, com amigos, e tendo um bom relacionamento familiar.

De acordo com estas teorias, torna-se claro que a proteção, principalmente a proteção parental, permite que a criança ganhe competências que melhoram a forma como os indivíduos se defendem dos obstáculos da vida, ou seja, a capacidade de resiliência infantil previne muitas situações que poderiam potenciar o risco para a criança (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Podemos compreender então que para Conzatti e Mosmann (2015) os fatores de risco e de proteção andam de mãos dadas quando pretendemos compreender a capacidade de resiliência da criança. Este conceito é entendido desta forma porque a resiliência infantil não tem como finalidade evitar que a criança corra riscos mas sim aprender a lidar com estes (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Assim, as dificuldades vividas pela criança em contexto de resiliência levam à resposta positiva aos desafios que a vida coloca, reagindo de forma flexível mesmo que a circunstância não seja a mais fácil, adotando uma postura perserverante (Poletto, Wagner, & Koller, 2004).

Alguns dos fatores de risco aqui mencionados, são entendidos como excesso de punição por parte dos pais, em conjunto com falha de afetividade, bem como excesso conflito de ordem familiar (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Já em relação aos fatores de proteção que promovem a capacidade de resiliência, estão associados ao relacionamento saudável que se desenvolve e alimenta entre pais e filhos (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Isto significa que o desenvolvimento de resiliência infantil pode ser orientado para dois pólos, ou seja, a criança que desenvolve bem esta capacidade vai ter maior propensão para ser capaz de superar os desafios e adaptar-se ao contexto, e, pelo contrário, a criança a criança sem capacidade de resiliência tende a desenvolver problemas por dificuldade em superar os desafios (Poletto, Wagner, & Koller, 2004).

Não podemos deixar de mencionar aqui que existem outras situações que levam ao aumento de risco que compromete a resiliência no âmbito infantil, sendo eles a fraca rede social de apoio e pobreza, pelo que, em casos extremos, os pais chegam mesmo a perder a guarda dos seus filhos ou então a tomar a iniciativa de os entregar às instituições (Conzatti, & Mosmann, 2015).

Conclusão

A resiliência infantil torna-se, em muitos casos, uma questão de sobrevivência, uma vez que ela está ligada à capacidade de resposta da criança aos desafios que lhe são colocados. Frequentemente, crianças resilientes são aquelas provenientes de famílias mais desfavorecidas, em que nem sempre os pais e/ou a família reúnem condições para as poder criar e educar, respondendo a todas as necessidades. Assim, estas crianças poderão ter a capacidade de se adaptar às vicissitudes de forma flexível e superar as mesmas, ou, pelo contrário, quando a capacidade de resiliência não se desenvolve da melhor forma, desenvolver problemas em várias áreas da vida. Verifica-se a importância significativa principalmente do suporte parental e social, em crianças resilientes, pelo que a proteção parece ser uma ferramenta forte para o seu desenvolvimento.

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References:

  • Conzatti, R. & Mosmann, C. (2015). Resiliência em crianças acolhidas: suas percepções sobre as adversidades. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v.21, n. 2, p.352-378, ago, 2015. Recuperado em 27 de julho de 2018 de bvsalud.org/pdf/per/v21n2/v21n2a09.pdf;
  • Poletto, Michele, Wagner, Tânia Maria Ceri., & Koller, Sílvia Helena. (2004). Resiliência e Desenvolvimento Infantil de Crianças que Cuidam de Crianças: Uma visão em Perspectiva. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Set-Dez, 2004, Vol. 20 n.3, pp.241-250.
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