Crianças resilientes

Crianças resilientes têm a capacidade de superar obstáculos de forma saudável ao longo do seu desenvolvimento.

Crianças resilientes

Crianças resilientes têm a capacidade de superar obstáculos de forma saudável ao longo do seu desenvolvimento.

De acordo com Sapienza e Pedromônico (2005) a resiliência em crianças está diretamente ligada a fatores de risco de contrair determinada doença. No entanto afirma-se que a mesma se associa não só a crianças mas também a adolescentes e à população em geral, atravessando todo o ciclo vital (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

“A resiliência pode ser entendida como a capacidade dos indivíduos de superar os fatores de risco aos quais são expostos, desenvolvendo comportamentos adaptativos e adequados.”

(Garcia, & Maia, 2004).

As pesquisas de Sapienza e Pedromônico (2005) demonstram que, principalmente nos anos 80, a resiliência foi um assunto que passou a ser abordado do ponto de vista dos fatores de risco devido à implementação de programas de prevenção e intervenção.

Este tipo de programa visa proteger as crianças ao mesmo tempo que promove o seu desenvolvimento e previne problemas de comportamento (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Quando falamos de resiliência propriamente dita, temos como ponto chave a ideia de a pessoa não ser vítima de determinada circunstância geradora de stresse mas sim adquirir capacidades para ultrapassar o obstáculo (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Algumas teorias sugerem que a resiliência está ligada à capacidade de invulnerabilidade e à invencibilidade em algumas crianças, no entanto, outras afirmam que o termo diz respeito à capacidade que elas adquirem para ultrapassar obstáculos embora não seja sempre uma garantia (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

A resiliência é então vista como a capacidade de a criança encontrar recursos que lhe permitam proteger-se e defender-se dos fatores de risco que vão aparecendo no dia a dia (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

O cerne da resiliência nas crianças não está no evitar dos conflitos e de situações desagradáveis mas na capacidade de desenvolver competências para os ultrapassar em diferentes áreas como a social, académica e vocacional (Garcia, & Maia, 2004).

Desta forma, as teorias divergem já que uns autores defendem que quanto maiores os riscos que as crianças correm, menor é a sua capacidade de resiliência e outros autores defendem o desenvolvimento de competências nas crianças com base na capacidade de desenvolvimento da resiliência (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Para compreender o processo de resiliência, Sapienza e Pedromônico (2005) sugerem a análise do histórico familiar das crianças bem como das experiências que elas tiveram de forma individual, e procurar perceber de que forma é que essas histórias foram capazes de fortalecer essas crianças (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

No que diz respeito à experiência, Alberaz (2013) refere a resiliência em casos de crianças vítimas de abuso sexual, em cuja situação, o psicólogo é um elemento chave, tendo em conta toda a dinâmica familiar em que essas crianças se inserem. Nesse sentido, dois dos pontos mais importantes a avaliar são os fatores de risco que essas crianças correm versus o fator resiliência possível de obter (Albernaz, 2013).

Garcia e Maia (2004) leva em conta a teoria de Winnicott ao referir que as crianças resilientes têm um self bastante forte pelo que, ainda que algo possa não estar bem, existe sempre recursos que lhes permitam contornar a situação.

Assim, crianças resilientes conseguem mudar o ambiente para melhor e adapta-lo, em vez de desistirem, o que implica uma grande capacidade de enfrentar a dor, o sofrimento e de investir esforço (Garcia, & Maia, 2004).

Neste tipo de ambiente em que, muitas vezes, ocorrem episódios de violência o fator resiliência é importante porque permite que, com intervenção psicológica, essas crianças possam ultrapassar a dor que lhes foi causada e melhorar a sua qualidade de vida (Albernaz, 2013).

Salienta-se aqui que, para observar e avaliar a capacidade de resiliência de uma criança, o profissional de psicologia deve ser capa de a ver como um todo, ou seja, como um ser biopsicossocial, porque as relações humanas estabelecidas em qualquer fase de desenvolvimento são a fonte d informação necessária para compreender a interação sujeito-meio (Albernaz, 2013).

Conclusão

A resiliência nas crianças mostra-se como a capacidade que elas têm para superar desafios e obstáculos que vão surgindo ao longo do seu desenvolvimento. A esse respeito, é essencial perceber a dinâmica familiar e o contexto em que estão inseridas para que se entenda os recursos adquiridos pelas crianças no sentido de enfrentar os obstáculos. Alguns autores defendem que, quanto mais obstáculos as crianças encontram, maior a sua capacidade de resiliência, outros autores consideram que estes obstáculos dificultam a capacidade de desenvolvimento das mesmas.

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References:

  • Albernaz, T.S.M. (2013). A Resiliência em Crianças Vítimas de Abuso Sexual no Processo Intrafamiliar. [em linha] www.psicologado.com. Acedido a 19 de julho de 2016 em https://psicologado.com/atuacao/psicologia-social/a-resiliencia-em-criancas-vitimas-de-abuso-sexual-no-processo-intrafamiliar;
  • Garcia, I.S., & Maia, M.V.M. (2004). Resiliência e o pensamento Winnicottiano. [em linha] PT, O PORTAL DOS PSICÓLOGOS. www.psicologia.pt. Acedido a 19 de junho de 2016 em http://www.psicologia.pt/artigos/ver_artigo.php?codigo=A0190;
  • Sapienza, Graziela, & Peromônico, Márcia regina Marcondes. RISCO, PROTEÇÃO E RESILIÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Psicologia em Estudo [online] Maringá, v.10, n.2 [citado 2016-07-19] p. 209-216, mai/ago. disponível em scielo.br/pdf/pe/v10n2/v10n2a07.pdf.
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