Psicologia na oncologia infantil

A psicologia na oncologia infantil pretende ajudar a criança a criar estratégias de coping para lidar com a doença.

Psicologia na oncologia infantil

A psicologia na oncologia infantil pretende ajudar a criança a criar estratégias de coping para lidar com a doença. Isto acontece devido à ideia da sentença de morte que vem associada ao diagnóstico de câncro, que desencadeia uma série de reacções complexas e delicadas no paciente e em todas as pessoas próximas.

O psicólogo oncológico tem como objectivos:

  • Manutenção do bem-estar psicológico do paciente, para o qual, deve reconhecer e entender os factores emocionais que interferem na sua saúde;
  • Prevenção e redução dos sintomas de cariz emocional e de ordem física provocados pelo cancro e pelos seus tratamentos, assim como, levar o paciente a compreender o significado da experiência do adoecer (Venâncio, 2004).

O trabalho do psicólogo pretende ser um apoio ao paciente para o confronto com o diagnóstico e com os obstáculos dos tratamentos recorrentes, auxiliando-o a desenvolver estratégias adaptativas para encarar as situações mais angustiantes (Venâncio, 2004).

Os seus propósitos serão atingidos na medida em que vai compreendendo, ao longo de todo o processo, procurando ter sempre uma visão vasta do que está a acontecer naquele momento (Venâncio, 2004).

É importante o psicólogo falar de forma simplificada e verificar se as informações e orientações fornecidas pela equipa foram compreendidas (Venâncio, 2004).

A actuação do psicólogo inclui a família no atendimento, uma vez que constituem figuras essenciais para o auxílio dos pacientes, no que diz respeito ao encarar da doença (Venâncio, 2004).

Ao trabalhar com a família, devem procurar reforçar-se os vínculos afectivos entre a família e a criança, incentivando-os a compartilhar experiências e emoções (Venâncio, 2004).

Outra tarefa do psicólogo é observar focos de conflito dentro da equipa de saúde, impedindo ruídos que possam aparecer nessa comunicação, uma vez que é a partir da relação destes profissionais que todas as restantes relações se podem viabilizar ou comprometer (Venâncio, 2004).

Para que o desempenho do psicólogo com a equipa e o paciente decorra de forma satisfatória é preciso que esse profissional possua conhecimentos básicos sobre a doença, além dos tratamentos e sintomas que derivam dos mesmos.

 Estratégias de coping

Segundo Barbosa, Fernandes e Serafim, (1991), quando se trata de crianças, é necessário não só tentar prolongar a vida delas, como cuidar das dificuldades emocionais e sociais. (Barbosa, Fernandes & Serafim, 1991, citado por Motta & Enumo, 2002).

Mendéz, Ortigosa e Pedroche, (1996), referem que a hospitalização requer um ambiente físico incomum, rotina hospitalar, ruptura das actividades quotidianas, ausência dos familiares, parentes e amigos, entre outros.

Estas consequências podem gerar um problema para a criança, que reage muitas vezes de forma negativa, tendo crises de choro, irritabilidade, apatia, entre outras reacções. (Lipp, 1991, citado por Motta & Enuno, 2002).

Brincar, é uma estratégia de coping utilizada pelas crianças e pelos médicos para enfrentar as situações agonizantes da hospitalização e tratamentos médicos inerentes a ela, pelo que criar espaços para a brincadeira com actividades estimulantes e divertidas, pode ser bastante terapêutico, pois transmite calma e segurança.

Os brinquedos são cedidos pelo hospital, para que a criança seja capaz de expressar medos e angústias frente aos instrumentos usados com ela, ou ainda pedir-lhe que imagine enfrentar a sua situação com segurança. (Mendéz, Ortigosa & Pedroche, 1996, citado por Motta & Enuno, 2002).

O internamento da criança com cancro pode interferir com o seu desenvolvimento normal, uma vez que fica privada da sua rotina habitual e é obrigada a adaptar-se à nova situação (exames, procedimentos dolorosos, horários, visitas, entre outros), que pode ter repercussões a nível do seu desenvolvimento físico, emocional, intelectual e mental. (Pedrosa, Monteiro, Lins, Pedrosa, & Melo, C. 2007).

A criança vive situações complicadas como a separação da família com a qual tem um vínculo afectivo, mudança de ambiente, tratamentos dolorosos que proporcionam medo e emoções negativas fortes. (Pedrosa, Monteiro, Lins, Pedrosa, & Melo, 2007).

Os autores dizem que é importante inserir projectos adequados à criança com actividades lúdicas, na tentativa de minimizar os efeitos da hospitalização e prevenir transtornos psicológicos. (Pedrosa, Monteiro, Lins, Pedrosa & Melo, 2007).

A leitura é também eficaz, como forma de aprender, criar e exercitar as capacidades da criança, estimulando a criatividade, iniciativa e segurança, com o apoio da equipa da Unidade de Oncologia Pediátrica. (Pedrosa, Monteiro, Lins, Pedrosa & Melo, 2007).

Os autores defendem que o lúdico é um processo terapêutico, fornecendo instrumentos de brincadeira à criança internada na enfermaria oncológica, possibilitando que continue a ter actividades lúdicas e a continuar o seu desenvolvimento físico, afectivo, cognitivo, pessoal e social, o que acarreta aspectos muito positivos no que diz respeito à qualidade de vida da criança e facilita a prática da equipa multidisciplinar. (Pedrosa, Monteiro, Lins, Pedrosa & Melo, 2007).

Conclusão

O psicólogo oncológico infantil tem um variado conjunto de tarefas que o levam à necessidade de adquirir uma postura multifacetada. Isto acontece porque a intervenção principal é o paciente oncológico, mas também se estende para a família, no sentido de prestar apoio, facilitar a comunicação entre todos e com a equipa médica, e ainda compreender as interacções existentes entre essa equipa, já que é importante que a comunicação aconteça da forma mais aberta possível, para que se possa prestar todos os cuidados e responder todas as necessidades do doente. Na criação de estratégias de coping com crianças, é importante que o psicólogo tenha a capacidade de criar um espaço lúdico e adequado à faixa etária, uma vez que as brincadeiras e actividades lúdicas se revelam muito terapêuticas para o tratamento.

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References:

  • Mota, A.B. & Enumo, S.R.F. (2002). Brincar no hospital: cancro infantil e avaliação do enfrentamento da hospitalização. Espírito Santo: 23-41. [em linha]. Consultado em 9 de Maio de 2009. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/pe/v9n1/v9n1a04.pdf;
  • Pedrosa, A.M., Monteiro, H., Lins, K., Pedrosa, F. & Melo, C. (2007). Diversão em movimento: um projecto lúdico para crianças hospitalizadas no Serviço de Oncologia Pediátrica do Instituto Materno Intantil Prof. Fernando Figueira, IMIP. Recife: 1519-3829. [em linha]. Consultado em 19 de Maio. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1519- 38292007000100012&script=sci_arttext
  • Venâncio, J. (2004). Importância da Atuação do Psicólogo no Tratamento de Mulheres com Câncer de Mama. Rio de Janeiro; 50 (1): 55-63.
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