Síndrome de Munchausen

A Síndrome de Munchausen quando não detectada a tempo, pode ter consequências devastadoras.

Síndrome de Munchausen

A Síndrome de Munchausen quando não detectada a tempo, pode ter consequências devastadoras. Uma vez que ainda existem poucos estudos acerca da mesma, é importante que a comunidade cientifica se debruce um pouco mais sobre o assunto no sentido da sua prevenção.

De acordo com Menezes, Holanda, Silveira, Oliveira e Oliveira (2002) a Síndrome de Munchausen foi descrita pela primeira vez por Richard Asher como uma perturbação factícia que leva o paciente a apresentar-se extremamente doente, ao ponto de precisar de internamentos prolongados constantes e em que lhe são administradas variadas drogas.

Meadow, encontrou, em 1977, a mesma síndrome, provocada por adultos a crianças (habitualmente a mãe) à qual chamou Síndrome de Munchausen por procuração, que segundo o DSM IV, trata-se de uma forma de abuso na infância e é definida pela medicina como uma desordem psiquiátrica (Pires, & Molle, 1999).

Habitualmente a síndrome em adultos, acontece quando o paciente pretende obter ganhos que podem ser financeiros, pessoais, judiciais, entre outros (Menezes, Holanda, Silveira, Oliveira, & Oliveira, 2002).

Quando se trata de crianças, habitualmente a doença é provocada pela mãe, normalmente uma jovem com menos de 20 anos de idade e transtorno de personalidade e/ou família disfuncional, podendo, em algumas situações, ter mais pessoas envolvidas nos sintomas (Menezes, Holanda, Silveira, Oliveira, & Oliveira, 2002).

Os sintomas provocados pela a mãe, no filho, levam às circunstâncias de internamento e tratamentos invasivos, no intuito de chamar a atenção para ela (Ferrão, & Neves, 2013; Pires, & Molle, 1999).

Quando falamos de sintomas referimo-nos a sangramentos, apneias, infecções, feres, erupção cutânea, hemorragia induzida, entre outros que a mãe provoca na criança (Silva, & Priszkulnik, 2013).

Esta mãe é habitualmente carinhosa e dedicada e tem por norma estar sempre presente aquando dos tratamentos da criança, embora, quando confrontada com a possibilidade de ser ela quem está a provocar a doença, ela negue (Ferrão, & Neves. 2013).

 

Perfil do perpetrador

  • Habitualmente é a mãe;
  • Afectuosa, cuidadosa e sempre presente nas hospitalizações;
  • Nega simular os sintomas nos filhos ainda que seja confrontada;
  • Fez psicoterapia recentemente;
  • Extremamente devota, ao ponto de ludibriar a equipa de saúde;
  • Estimula intervenções sofisticadas e perigosas;
  • Preocupação incongruente com o quadro clínico da criança;
  • Muitas hospitalizações;
  • Doença rara e difícil de diagnosticar na criança;
  • Muitas recaídas e pouca evolução do quadro;
  • Muitas hipóteses de diagnóstico que não batem certo;
  • Os exames não se articulam com o quadro da criança;
  • Quase metade dos sintomas são de sangramento e a outra parte de depressão do sistema nervoso central.

(Ferrão, & Neves. 2013, p.4-5).

Quando o quadro é diagnosticado em adultos o tratamento da síndrome baseia-se essencialmente em psicoterapia individual ou de grupo com estratégias de apoio físico, psicológico e social, procurando entender o porquê da perturbação e ajudar o paciente a compreender que a situação pode prejudica-lo e que existe cura (Menezes, Holanda, Silveira, Oliveira, & Oliveira, 2002). Poderá ser necessário recorrer a antidepressivos (Menezes, Holanda, Silveira, Oliveira, & Oliveira, 2002).

Um dos grandes obstáculos ao tratamento, de acordo com Ferrão e Neves (2013) é o facto de a doença não ser muito explorada, o que faz com que ainda haja muito pouco conhecimento por parte do assunto, mesmo na classe médica.

Algo muito importante a ter em conta é que não são todos os casos passíveis de confronto, uma vez que, por vezes, o mesmo pode levar ao afastamento do paciente, o que leva a que o tratamento não aconteça.

Por outro lado, se não for detectada a tempo, a Síndrome de Munchausen pode ter consequências drásticas como o descontrolo total da situação e resultar mesmo em morte (Ferrão, & Neves, 2013).

É preciso compreender no caso da Síndrome de Munchausen por procuração, que esta situação se trata de abuso infantil, e que além da taxa de morbilidade e mortalidade, provoca traumas psicológicos irremediáveis, cabendo à equipa médica, após detecção da síndrome, fazer imediatamente o diagnóstico e a comprovação da mesma (Ferrão, & Neves, 2013).

Conhecer o quaro clínico da mesma é uma das primeiras coisas a fazer já que se trata de uma forma de abuso infantil que só se consegue detectar para posterior prevenção, depois de acontecer (Silva, & Priszkulnik, 2013).

Conclusão

Verificamos que a Síndrome de Munchausen é uma perturbação do foro psicológico que visa que o doente obtenha algum tipo de ganho com ela. Quando se trata da Síndrome de Munchausen por procuração, o quadro é de abuso infantil, sendo a própria mãe, normalmente, quem provoca os mais variados tipos de sintomas na criança, com vista mesmo a que haja internamentos e tratamentos prolongados e invasivos, no sentido de conseguir atenção para si mesma. Este tipo de doença, uma vez que é pouco conhecido, merece uma maior atenção por parte da comunidade científica, para que as consequências devastadoras que podem surgir, que levam muitas vezes à morte, possam ser antecipadamente prevenidas.

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References:

  • Ferrão, A.C.F., & Neves, M.G.C. (2013). Síndrome de Munchausen por Procuração: quando a mãe adoece o filho. Munchausen Sydrome by Proxy: when the mother makes the child sick. Ciências. Saúde, 24(2): 179-186. Acedido a 11 de Fevereiro de 2016 em http://www.escs.edu.br/pesquisa/revista/2013Vol24_2_8_SindromeMunchausen.pdf
  • Menezes, A.P.T., Holanda, E., Silveira, V.A.L., Oliveira, K.C.S., & Oliveira, F.G.M. (2002). Síndrome de Munchausen: relato de caso e revisão da literatura. Rev Bras psicquiatr, 24(2); 83-5. Acedido a 11 de Fevereiro de 2016 em http://www.scielo.br/pdf/rbp/v24n2/a09v24n2.pdf
  • Pires, J.M.A., & Molle, L.D. (1999). Síndrome de Munchausen por procuração – relato de dois casos. Munchausen syndrome by proxy – two case reports. [em linha] Jornal de Pediatria – vol.75, nº4. Acedido a 11 de Fevereiro de 2016 em http://www.jped.com.br/conteudo/99-75-04-281/port.pdf
  • Silva, H.M., & Priskkulnik, L. (2013). Síndrome de Munchausen por procuração, a Psicologia e a Psicanálise: conhecer para suspeitar. Psicologia conhecimento y Sociedad 3(2), 155-170. Acedido a 11 de Fevereiro de 2016 em http://revista.psico.edu.uy/index.php/revpsicologia/article/view/172/157

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