Doenças terminais

Falar de intervenção psicológica em doenças terminais, é uma questão delicada, que pressupõe a intervenção paciente-família-equipa médica.

Doenças terminais

Falar de intervenção psicológica em doenças terminais, é uma questão delicada, que pressupõe a intervenção paciente-família-equipa médica. Por esse motivo, é importante que o psicólogo tenha uma sensibilidade aprimorada, já que a situação acarreta medos e angústias que provocam diferentes tipos de reacção entre as pessoas envolvidas.

A importância do psicólogo em articulação com os outros serviços

Nas doenças terminais, o psicólogo intervém através do acompanhamento de todos os elementos (doentes, famílias, médicos) proporcionando a melhor qualidade de vida possível, amenizando a ansiedade e a depressão (Castro, 2001).

O psicólogo apoia o paciente terminal, numa altura em que ele precisa que alguém compreenda as suas dificuldades e o ajude encarar fantasias, medos e frustrações, inerentes à doença (Melo, Valero, & Menezes, 2013).

É preciso conhecer a história daquele indivíduo, para o compreender e adaptar o método interventivo de acordo com a situação, lidar com o diagnóstico da doença terminal, da melhor forma, pois vem associada à ideia de morte, sofrimento e solidão (Castro, 2001).

Segundo Silva (2003) este trabalho é complicado, devido à incerteza do tempo de vida do paciente, setting terapêutico desadequado, multidisciplinar que fragmenta a recolha de informação devido ao ritmo acelerado típico de um hospital e à ansiedade, tensão e angústia presentes.

A relação psicólogo/equipa médica, pressupõe abertura para este explicar as reacções de cada doente terminal, no tratamento físico e na forma de o encarar, de acordo com as suas características emocionais, bem como ajudar a equipa a lidar com as suas próprias emoções decorrentes de cada caso (Castro, 2001; Melo, Valero, & Menezes, 2013).

Por vezes equipa médica, embora conheça a doença, tem dificuldade em lidar com os familiares do doente, sem saber como explicar o quadro clínico, o que leva à ausência de comunicação médico/família-paciente e aumenta a angústia (Silva, 2003).

Aqui, o psicólogo estimula os familiares e o paciente a procurar informação acerca do estado deste, para que seja acompanhado, do início ao fim do tratamento, de forma activa (Melo, Valero, & Menezes, 2013; Silva, 2003).

A doença terminal é sempre dolorosa e sofredora para qualquer família, contudo, quando o acompanhamento é realizado de forma adequada, a união entre os seus membros ganha mais força, o que é crucial para o tratamento (Castro, 2001).

Melo, Valero e Menezes (2013) mencionam a avaliação psicológica como parte do tratamento, tanto do paciente como dos familiares, a troca de informação com a equipa médica para estabelecer o plano interventivo, orientar o enfrentar das capacidades para o tratamento, trabalhar a pesquisa de informação sobre o estado clínico do paciente e promover a proximidade entre os familiares.

Castro (2001) menciona ainda que o paciente deve saber exactamente qual é o seu estado clínico, para que seja mais eficaz planear o seu tratamento de acordo com decisões tomadas por ele que passam pela capacidade do técnico de saúde para ouvi-lo, dando-lhe autonomia sobre a sua própria condição, pois, tudo isto influencia o tratamento (Castro, 2001).

Silva (2003) corrobora esta ideia, uma vez que, sempre que os factos da doença são assumidos com verdade, é mais eficaz proceder ao acompanhamento do doente, da família, da equipa médica, bem como o vínculo entre o psicólogo e todos os envolvidos, ser de maior proximidade devido à confiança depositada.

Por ser uma situação delicada, a doença terminal torna as pessoas mais frágeis e vulneráveis, o que obriga à necessidade de garantir um tratamento não doloroso, permitindo que o indivíduo seja tratado com os mesmos cuidados que os outros pacientes, com o objectivo de lhe prolongar a vida (Castro, 2001).

Conclusão

A intervenção do psicólogo em pacientes terminais pressupõe o conhecimento aprofundado da história clínica do paciente e a capacidade para estimular na equipa médica a importância de colocar o paciente e os familiares a par da doença, exactamente no grau em que ela se encontra. É esta franqueza por parte de todos que permitirá que compreendam que não estão sozinhos e que a sua missão é criar laços vinculativos que permitam que o psicólogo possa ser visto como alguém confiável, e com quem eles podem desabafar as suas angústias, ajudando-os a enfrentar as dificuldades que a doença acarreta. Para além disso, o psicólogo deve ainda estimular a troca de informação entre todos os elementos (médicos, paciente, família).

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References:

  • Castro, D.A. (2001). Psicologia e ética em cuidados paliativos. Psicologia: Ciencia e Profissão. Vol. 21, nº4, 1414-9893. Acedido a 1 de Fevereiro de 2016 em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-98932001000400006&script=sci_arttext&tlng=es ;
  • Melo, A.C., Valero, F.F., & Menezes, M. (2013). A INTRVENÇÃO PSICOLÓGICA EM CUIDADOS PALIATIVOS. THE PSYCHOLOGICAL INTERVENTION IN PALLIATIVE CARE. PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS. 14(3), 452-469. Acedido a 1 de Fevereiro de 2016 em http://www.scielo.mec.pt/pdf/psd/v14n3/v14n3a07.pdf
  • Silva, A.L.P. (2003). O acompanhamento psicológico a familiares de pacientes oncológicos terminais no cotidiano hospitalar. Interação em Psicologia 7(1), p.27-35. Acedido a 1 de Fevereiro de 2016 em http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/psicologia/article/view/3204/2566

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