Psicologia e Educação

Psicologia Educacional, a importância do Psicólogo Escolar

Pretendemos, com esta revisão da literatura, compreender a importância da Psicologia em contexto escolar, e em que medida ela influencia os alunos além dos portões da instituição de ensino. Queremos compreender qual é, afinal, o papel do psicólogo nas escolas, como pode integrar-se numa equipa multidisciplinar e a que níveis realiza a sua intervenção. Por fim, focamos a importância da psicologia ao nível do ensino superior, uma vez que nem sempre é bem compreendida no contexto académico.

Palavras-chave: psicologia; educação; família; escola

Segundo Cordeiro, Donaduzzi e Schlindewin (2008) e Almeida (2015) quando falamos de Educação no contexto escolar, referimo-nos, nomeadamente, à relação entre professores e alunos, que passa pela escolha dos temas a abordar em aula, o método de trabalho e o facto de que tanto o método como a aprendizagem dependem de vários factores sociais, históricos e culturais e familiares que não apenas o contexto de aula.

Como tal, Cunha (1998) considera importante a formação dos professores que constroem relações de ensino e aprendizagem com os seus alunos.

É por isso que cada realidade pedagógica deve ser exercida tendo em conta o seu próprio contexto sócio educacional, tanto dos professores como dos alunos (Cordeiro, Donaduzzi, & Schlindewin, 2008).

Habitualmente os alunos são caracterizados de acordo com a sua performance, sendo unânime a ideia de que o “bom aluno” é o inteligente, empenhado, rápido, com apoio por parte dos familiares, ao contrário do aluno com dificuldades que é visto como dependente, com dificuldades comunicacionais, motoras e que se isola (Cordeiro, Donaduzzi, & Schlindewin, 2008).

Uma das características mais marcantes nas diferenças entre os alunos, é, para Aragão (2015), a relação entre a escola e a família, e é aqui que entra o Psicólogo Educacional, como promotor da mesma, mostrando a importância desta parceria para a Educação dos filhos e educandos. Frequentemente verificamos a ausência desta relação, na medida em que a família delega o acto de Educar para a escola, que se manifesta em repercussões ao nível social, para o aluno (Aragão 2015).

Parece unânime que um dos maiores desafios da Psicologia Educacional é conseguir responder a todas as necessidades das crianças, incluindo as que são sinalizadas com Necessidades Educativas Especiais (NEE) no sentido de promover a Escola Inclusiva que trabalha para o sucesso dos seus alunos (Dazzani, 2010).

A intervenção do Psicólogo Escolar, inicialmente, focava-se nos problemas de aprendizagem dos alunos que se traduziam em insucesso escolar e, consequentemente, em comportamentos inadequados (Almeida, 2007). No entanto, Cunha (1998) fala-nos da Psicologia como auxiliadora na arte da Educação, procurando compreender os processos de aquisição do conhecimento.

Almeida (2007) considera que a Psicologia no ramo Educacional parece influenciar os processos de aprendizagem e ensino tendo em conta o processo de desenvolvimento inerente ao ser humano, que também contribui para o processo de aprendizagem.

Uma das necessidades do Psicólogo Escolar é familiarizar-se e actualizar-se quanto aos processos de avaliação e ter a capacidade de entender o processo de intervenção de acordo com a história escolar de cada aluno, envolvendo-se nas atividades pedagógicas, prevenindo assim riscos de fracasso e desenvolvendo as suas competências, junto de uma equipa multidisciplinar composta pela família, a escola e a comunidade (Dazzani, 2010).

A intervenção deve ser assertiva, com conhecimento de campo das necessidades existentes, no sentido de verificar que meios de intervenção tem à sua disposição para poder trabalhar e que tipo de dinâmicas precisa de exercer uma vez que cada escola tem realidades diferente (Aragão, 2015).

O trabalho do Psicólogo passa então por diferentes objetivos:

  • Entender o aluno como um indivíduo que se insere num contexto e articular essas duas vertentes para poder intervir;
  • Entender as dificuldades do aluno inserido no contexto escolar, familiar e social e não apenas de forma intrínseca;
  • Estas dificuldades escolares devem ser compreendidas de acordo com a forma como o estudante interage com elas e reage a cada situação;
  • É preciso que o psicólogo consiga ajudar o estudante a compreender e a lidar com as situações e as relações estabelecidas no contexto escolar.

(Dazzani, 2010).

Aragão (2015) propõe ainda algumas estratégias interventivas para responder às necessidades de toda a comunidade escolar:

  • Promover um espaço aberto ao diálogo, especialmente para o aluno, uma vez que a intervenção deve ser exercida de forma multidisciplinar, muitas vezes em formato de reunião, contudo, nem sempre é possível que os alunos participem destas actividades;
  • Promover e consciencializar para a necessidade de vínculo entre os pais e a escola, no sentido de compreender e satisfazer melhor as necessidades dos alunos;
  • Cultivar a cidadania e o espírito de democracia, para além do factor ensino/aprendizagem;
  • Exercer as suas funções o ponto de vista preventivo, no que diz respeito aos problemas e dificuldades que poderão vir a surgir, através do olhar atento e observação constante;
  • No caso da necessidade de realizar psicoterapia e psicodiagnósticos, encaminhar para os profissionais competentes e manter-se informado sobre a evolução do aluno, tendo o cuidado de trocar informação através de relatórios, no sentido de intervir de forma mais eficaz.

Isto significa que o grande foco de intervenção do psicólogo é, comunitário, articulando as questões individuais com o regulamento escolar e as relações construídas dentro da instituição de ensino (Dazzani, 2010).

Algumas das formas de incluir a família no processo escolar do educando, é procurar que esteja presente em reuniões, debates, entrega de notas avaliativas, colocar questões, dar a sua opinião, etc., de forma a conhecer melhor a realidade de cada aluno e responder às suas necessidades de forma mais eficaz (Aragão, 2015).

Para além da Psicologia Escolar, Santana, Pereira, e Rodrigues (2014) vão mais longe, levando a intervenção psicológica ao nível do ensino superior na medida em que a mesma possibilita melhores resultados académicos e profissionais aos alunos. Um dos campos em que esta pode ser uma mais valia é ao nível da remodelação da Educação, de acordo com as necessidades de cada instituição, quer pelos professores quer pelos alunos (Santana, Pereira, & Rodrigues, 2014). Por exemplo, a promoção de debates entre docentes e discentes, mediada pelo psicólogo, ou mesmo a formação continua aos professores (Santana, Pereira, & Rodrigues, 2014).

Conclusão

Mediante as linhas acima descritas, podemos concluir como o psicólogo em contexto educacional é imprescindível. Verificamos que, mais do que diagnosticar problemas de aprendizagem e intervir ao nível do fracasso escolar, ele deve compreender a instituição de ensino, conhecer a sua cultura, o seu ambiente e a sua história e compreender as relações existentes dentro da mesma (processo ensino/aprendizagem entre professores e alunos). A par disto, ele é a ponte de contacto entre a família e a escola, no sentido de conhecer e compreender melhor as necessidades de cada aluno para intervir ao nível da promoção do seu sucesso escolar. A abertura ao diálogo com toda a comunidade escolar, especialmente com os alunos, é imprescindível no sentido de que estes falem sobre as suas dificuldades e necessidades, e agir em função da resposta mais eficaz às mesmas. Ao nível do ensino superior, parece evidente a necessidade de promover debates entre professores e alunos, remodelando o sistema educativo e tornando este mais eficaz.

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References:

  • Almeida, M. S. R. (2007). Educação: um grande desafio para o psicólogo e a Psicologia. [em linha]. PSICOLOGIA.PT, O PORTAL DOS PSICÓLOGOS. Disponível em http://www.psicologia.pt/ artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0131
  • Aragão, S. R. (2015). A intervenção do psicólogo escolar na parceria família-escola. [em linha]. PSICOLOGIA.PT, O PORTAL DOS PSICÓLOGOS. Disponível em http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0378
  • Cordeiro, M.H., Donaduzzi, A., & Schlindwein, S.M. (2008). Psicologia e educação: Representação social do bom aluno: implicações éticas na educação. Acedido em Novembro 29, 2015, em http://books.scielo.org/i d/qfx4x/pdf/ploner-9788599662854-13.pdf
  • Cunha, M.V. (1998). A psicologia na educação: dos paradigmas científicos às finalidades educacionais. Revista da Faculdade de Educação, nº2 (24).
  • Dazzani, M.V.M. (2010). A Psicologia Escolar e a Educação Inclusiva: Uma Leitura Crítica. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, nº 80, 302-375. Acedido em 26 de Novembro de 2015 em http://www.scielo.br/ pdf/pcp/v30n2/v30n2a11.pdf
  • Santana, A.C., Pereira, A.B.M., & Rodrigues, L.G. (2014). Psicologia Escolar e educação superior: possibilidades de atuação profissional. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. Nº2, 229-237. Acedido em 26 de Novembro de 2015 em http://www.scielo.br/pdf/pee/v18n2/1413-8557-pee-18-02-0229.pdf
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