Comportamento desviante

A adolescência, como fase de desenvolvimento pautada por diversas mudanças e novas descobertas, parece estimular a vulnerabilidade do indivíduo.

A adolescência, como fase de desenvolvimento pautada por diversas mudanças e novas descobertas, parece estimular a vulnerabilidade do indivíduo. Assim, a literatura mostra-nos, segundo os estudos realizados em campo, quais são as características ambientais que mais parecem contribuir para o enveredar por comportamentos desviantes, por parte dos jovens em idade escolar.

Comportamento Desviante

A fase da adolescência é, segundo Formiga (2005), característica pela necessidade de os jovens de se tornarem autónomos em relação à família, muito embora os valores familiares tendam a acompanha-los ao longo do seu percurso, o que influencia os comportamentos que estes adoptam. As pesquisas que o comportamento será moldado e previsto com base nos princípios adquiridos no seio familiar (Formiga, 2005; Oliveira, Bittencourt, & Carmo, 2008).

É também devido às condições e à estrutura familiar, que o jovem poderá ou não enveredar por um comportamento desviante, como por exemplo, o uso de drogas ilícitas, que pode estar relacionado o vínculo afectivo, ou a falta dele, que os adolescentes têm com os pais e que vai afectar a auto-estima do jovem (Formiga, 2005; Oliveira, Bittencourt, & Carmo, 2008).

Estudos realizados em prisões com jovens detidos por comportamentos desviantes, mostraram relatos de histórias de vida com maus tratos, problemas de comunicação e de relação afectiva entre os jovens e as suas famílias (Formiga, 2005; Oliveira, Bittencourt, & Carmo, 2008).

Formiga (2005) frisa o facto de que, quando não há sentimento de pertença e motivação para se envolver no ambiente do qual faz parte, seja a escola ou a família, o jovem não cria padrões comportamentais e competências sociais, com maturidade que lhe permitam distinguir comportamentos adequados de inadequados.

Outro indicador do tipo de comportamento adequado ou inadequado que o adolescente vai adoptar, é o grupo de pertença a que ele, possivelmente irá querer adoptar (Formiga, 2005; Oliveira, Bittencourt, & Carmo, 2008).

 Sanches e Gouveira-Pereira (2010) associam ainda os comportamentos desviantes a famílias com enormes carências de vários pontos de vista como sócio-económico, emocional, pobreza consequente do nível sócio-económico (NSE), o que acaba por resultar em exclusão por parte da sociedade.

“Uma conduta antissocial se refere à não-conscientização das normas que devem ser respeitadas.”

(Formiga, & Gouveia, 2003, cit in formiga, 2005).

Uma outra forma de promover comportamentos adequados nos adolescentes, é o facto de a família, a escola e a comunidade se articularem entre si, no sentido de proteger os seus jovens (Formiga, 2005). Para tal é importante que a escola influencie os jovens através de hábitos, normas, regras e partilha de experiências positivas que promovam o sucesso escolar (Formiga; Fachini, 2003, cit in Formiga, 2005). Tanto a família como a escola devem compreender que os jovens estão numa fase de descoberta e de novidade em que tudo acontece desorganizadamente, uma vez que são os primeiros passos para o desenvolvimento da autonomia e realização pessoal futuras (Formiga, 2005).

Oliveira, Bittencourt e Carmo (2008) referem ainda a importância do diálogo entre pais e filhos, como forma de prevenção de comportamentos desviantes e que deve começar o mais cedo possível, assim que a criança começa a mostrar-se capaz de compreender o mundo que a rodeia e de distinguir o que faz bem do que faz mal à saúde.

Para Sanches e Gouveia-Pereira (2010) os comportamentos desviantes, muitas vezes são o resultado da dificuldade que os jovens sentem em ultrapassar os obstáculos inerentes a esta fase de desenvolvimento.

Emler e Reicher (1995) focam ainda, como influenciador de comportamentos desviantes, o facto de as autoridades, quando intervêm nos estabelecimentos de ensino, nunca protegerem ou defenderem os interesses dos alunos considerados desviados o que os leva a sentir-se alienados e excluídos, e propicia ainda mais a tendência para o desvio (Emler, & Reicher, 1995, cit in Sanches e Gouveia-Pereira, 2010). A ausência d apoio por parte das autoridades, impele os adolescentes a atitudes de vandalismo, roubo, conflitos com os professores, na tentativa de fazer justiça pelas próprias mãos (Emler, & Reicher, 1995, cit in Sanches e Gouveia-Pereira, 2010).

Estas atitudes associam-se tanto às experiências escolares como às autoridades institucionais (Sanches, & Gouveia-Pereira, 2010). Segundo a literatura, se por um lado, a experiência negativa se traduz em comportamento desviante, por outro, se esta experiência for positiva tanto com a escola como com os professores, a experiência prante as autoridades, será influenciada pela positiva, também (Sanches, & Gouveia-Pereira, 2010).

Conclusão

Parece notória a influência da família sobre a aquisição d comportamentos desviantes ou não. Indivíduos cujo vinculo familiar não seja o mais adequado, por diversos problemas tais como baixo NSE, maus tratos, ausência de comunicação, pobreza, entre outros, parecem estar mais vulneráveis a assumir comportamentos de risco associados ao consumo de substâncias ilícitas ou ao vandalismo. A par da instituição familiar, também nos parece clara a responsabilidade da escola e da comunidade, cuja necessidade de realização de programas de prevenção dos mais variados tipos de risco, é fundamental.

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References:

  • Oliveira, E. B., Bittencourt, L.P., & Carmo, A. C. (2008). A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: PAPEL MATERNO. SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental/Álcool e Drogas. Vol 4, 1806-6976. Acedido a 21 de Janeiro de 2016 em http://pepsic.bvsalud.org/pdf/smad/v4n2/v4n2a03.pdf
  • Formiga, N.S (2005). Comprovando a Hipótese do Compromisso Convencional: Influência dos Pares Scionormativos Sobre as Condutas Desviantes em Jovens. Providing the hypotesis of the convencional commitment: Influence of the social-normative peers on the desviant conduct among youngsters. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO [4], 601-618. Acedido a 20 de Janeiro de 2016 em http://www.scielo.br/ pdf/pcp/v25n4/v25n4a09.pdf;
  • Sanches, C., & Gouveia-Pereira, M. (2010). Julgamentos de justiça em contexto escolar e comportamentos desviantes na adolescência. Análise Psicológica. 1 (xxviii), 71-84. Acedido em 21 de Janeiro d 2016 em http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v28n1/v28n1a06.pdf
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