Nanismo

O nanismo é uma consequência da acondroplasia, que atrofia o esqueleto, traduzindo-se em estatura excessivamente baixa.

Nanismo

O nanismo é uma consequência da acondroplasia, que atrofia o esqueleto, traduzindo-se em estatura excessivamente baixa. Esta condição física traz consequências psicológicas que podem provocar danos bastante graves para a qualidade de vida do portador da doença.

Tosta (2005) refere que os portadores de nanismo, ou anões, sofrem desta condição devido a uma mal formação na cartilagem, à nascença, chamada acondroplasia. A condição física em questão é antiga, proveniente do império egípcio, posteriormente, foi encontrado um esqueleto portador de nanismo na Inglaterra, na época neolítica (Tosta, 2005). No entanto, a doença ficou realmente conhecida na época medieval devido às consequências sociais e psicológicas que os portadores de nanismo sofriam, pois eram ridicularizados e colocados em espetáculos de divertimento como teatros, no lugar do bobo da corte (Tosta, 2005).

A acondroplasia, doença causadora do nanismo humano, possui uma carga hereditária, uma vez que 10% dos casos provém da condição dos progenitores, principalmente quando o pai já tem uma idade avançada (Pint, & Lopez, s.d.; Tosta, 2005).

Contudo, na maioria dos casos, 80% a 90%, o indivíduo é portador de nanismo também devido à acondroplasia resultante de uma mutação genética nova, provocando excessivamente baixa e desproporcional estatura no esqueleto (Pinto, & Lopez, s.d.). O que acontece é um distúrbio autossómico que atrofia o crescimento dos ossos dos braços e das pernas do portador de nanismo (Pinto, & Lopez, s.d.).

A intervenção psicológica é imprescindível, a começar por encontros de indivíduos portadores de nanismo e suas famílias, para conhecer mais sobre a doença, aceitar o seu próprio corpo e trabalhar a questão emocional dos doentes e das suas famílias (Tosta, 2005).

Na cidade de Vigo, em Espanha, existe já um fundo económico para apoiar os portadores de nanismo, que promove a partilha de informação acerca da acondroplasia e para que indivíduos e familiares possam ter apoio e acompanhamento social (Tosta, 2005).

Consequências psicológicas

De acordo com Tosta (2005) os indivíduos com o déficit físico causado pelo nanismo, sofrem perturbações psicológicas devido ao fato de não estarem adaptados à normalidade, no que concerne à altura. A sua condição física provoca exclusões sociais, dificuldade para arranjar trabalho e para se locomoverem, além da estranheza social, relacionada com o seu aspecto (Pinto, & Lopez, s.d.; Tosta, 2005). São frequentemente alvos de piada e de inferiorização em relação aos outros porque são vistos como incapazes, contudo, Pinto e Lopez (s.d.) e Tosta (2005) verificaram, na sua revisão da literatura, que não existem relatos de qualquer deficiência mental ou atraso grave, na maioria dos casos.

Este tipo de dificuldades de integração por parte dos portadores de nanismo acontece em contextos de relacionamento tanto com crianças como com adultos e podem levar mesmo a perturbações psicológicas graves, que tornam o indivíduo antissocial, instável e com baixa autoestima (Pinto, & Lopez. S.d.).

Problemas como depressão, isolamento, dependência familiar extrema, dificuldades em aceitar o próprio corpo, dificuldades escolares e até mesmo dificuldades por parte da família, em aceitar que os filhos são portadores de uma doença que causa nanismo, são muitos dos obstáculos que o indivíduo se vê obrigado a enfrentar (Pinto, & Lopez, s.d.; Tosta, 2005).

“…tem que ser muito guerreiro para passar pelo preconceito sem danos.” (Revista Sentidos. Nº57. Editora Escala. P.30, cit in Pinto, & Lopez, s.d., p.3).

Um dos problemas sociais que os portadores de nanismo enfrentam, é que a acondroplasia não é devidamente reconhecida por parte das autoridades responsáveis pelas questões sociais, porque há pouco conhecimento acerca da doença (Tosta, 2005).

Isto significa que o principal problema dos indivíduos não tem a ver com complicações ao nível da saúde ou à altura, mas sim ao preconceito de que são alvo porque a sociedade não os aceita, pois não está preparada para lidar com a diferença, adotando comportamentos que fragilizam a dignidade dos portadores de nanismo (Pinto, & Lopez, s.d.). Como exemplo do preconceito, deparamo-nos com falta de oportunidades experimentadas pelos portadores de nanismo, no que diz respeito a profissões consideradas de prestígio como a advocacia ou a medicina (Pinto, & Lopez, s.d.).

A par da dificuldade em enveredar pelo mercado de trabalho nestas profissões, a confecção de roupas adaptadas à estrutura física de um portador de nanismo, é também escassa já que o mercado abrange, maioritariamente, indivíduos com estaturas normatizadas, o que os obriga a utilizar roupas confeccionadas para idades inferiores (Pinto, & Lopez, s.d.).

Conclusão

Os indivíduos portadores de nanismo, ou anões, padecem desta condição devido à acondroplasia que pode ter origem hereditária ou genética. Ao contrario daquilo que geralmente é assumido, as consequências negativas da doença estão ligadas a fatores psicossociais, e não a fatores do foro médico, uma vez que, na maioria dos casos, os indivíduos não sofrem qualquer tipo de limitação mental, embora sejam habitualmente tratados com inferioridade por parte de outros indivíduos. Todos estes aspetos fazem com que o acompanhamento psicossocial aos portadores de nanismo e às suas famílias, seja fundamental para a troca de experiências e aprofundamento do conhecimento sobre a doença.

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