Comportamento anti-social infantil

O comportamento anti-social infantil diz respeito à conduta inadequada por parte de uma criança, com ela mesma e com os outros.

Comportamento anti-social infantil

O comportamento anti-social infantil diz respeito à conduta inadequada por parte de uma criança, com ela mesma e com os outros. Isto relaciona-se com fatores internos e externos, tais como patologias e relações pessoais.

Quando nos referimos a comportamentos anti-sociais falamos de condutas incompetentes de interação que tornando a mesma algo inadequado desde desrespeito pelas normas vigentes, agressividade, infrações tais como furto e roubo, vandalismo, ausência escolar, fugas de casa, entre outros (Marinho, & Caballo, 2002).

Na infância, os comportamentos entre pares assumem uma relevância enorme do ponto de vista do desenvolvimento psicológico (Marinho, & Caballo, 2002).

Quando vemos problemas de comportamento nas crianças do foro anti-social, encontramos ainda outros problemas que provocam alterações aos comportamentos normativos característicos dessa faixa etária (Marinho, & Caballo, 2002).

“Crianças ou adolescentes que apresentam comportamento anti-social são percebidas como socialmente incompetentes, à medida que utilizam mecanismos de interação e de solução de problemas considerados socialmente inadequados” (Marinho, & Caballo, 2002, p. 2).

Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini e Hutz (2005) fazem referência aos diversos conceitos que definem os comportamentos anti-sociais na infância, nomeados como perturbações de conduta, hiperatividade, problemas de externalização, problemas de comportamento e, simplesmente, comportamento anti-social.

Associada a todos estes comportamentos, encontramos ainda a Perturbação de Hiperatividade com Déficit de Atenção (PHDA) (Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

De acordo com o DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994, cit in Marinho, & Caballo, 2002), o comportamento anti-social é considerado uma perturbação da conduta de forma repetitiva e caracterizada por violação de direitos básicos de outrem ou de normas vigentes que são adequadas à idade.

Outras nomenclaturas associadas também ao comportamento anti-social infantil, são a perturbação de oposição e a perturbação de personalidade anti-social (DSM-IV, American Psychiatric Association, 1994, cit in Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005; Patterson, Reid, & Dishion, 1992, cit in Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

De referir que se encontram algumas diferenças entre o comportamento anti-social e a perturbação de oposição (Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

Podem observar-se, no primeiro, atitudes de agressividade e vandalismo e o segundo estar mais relacionado com uma atitude negativa, desafiadora, vingativa, hostil, de teimosia extrema, de desobediência, incapacidade para assumir as próprias responsabilidades e prazer em incomodar as pessoas em volta (Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

 Alguns destes comportamentos anti-sociais manifestam-se como:

  • Agressividade
  • Ameaça a outrem, pessoa ou animal com repercussões na vida dessa mesma pessoa ou animal
  • Furto ou roubo
  • Violação das regras vigentes
  • Desobediência
  • Impulsividade patológica

Para ser considerada uma perturbação da conduta, temos de encontrar pelo menos 3 destas características na conduta da criança, ao longo dos últimos 12 meses, sendo que um dos mesmos deve ter acontecido nos últimos 6 meses (Marinho, & Caballo, 2002).

O facto de nos focarmos no comportamento anti-social na infância, deve-se à influência que este terá mais tarde, na vida adulta do indivíduo, uma vez que são as condutas que se aprendem ao longo dessa fase de desenvolvimento que vão delinear as atitudes tomadas mais tarde (Marinho, & Caballo, 2002).

Este tipo de comportamento desencadeia, com frequência, delinquência, agressividade e impulsividade patológicas, depressão, ansiedade, isolamento social, queixas somáticas, entre outros (Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

Verificam-se, assim, dois tipos de comportamento anti-social, sendo uns internos e outros externos, ou seja, os primeiros dizem respeito à somatização como a ansiedade e a depressão, o que significa que estão ligados ao self, os segundos dizem respeito à forma como as atitudes se manifestam, como conflitos ambientais (Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

É importante distinguirmos, claramente, o comportamento anti-social internalizado do comportamento anti-social externalizado porque, habitualmente, só o segundo é levado em conta de vido à evidência dos seus contornos (Pacheco, Alvarenga, Reppold, Piccinini, & Hutz, 2005).

Partindo desta informação, torna-se necessário eliminar o mais precocemente possível todo e qualquer indicador que, durante o período infantil, que manifeste problemas de comportamento do foro anti-social, pelo que a família assume um grau de importância fulcral para que o processo tenha sucesso (Marinho, & Caballo, 2002).

Conclusão

O comportamento anti-social na infância é pautado pelas repercussões que tem tanto ao nível interno como ao nível externo do indivíduo, a curto, médio e longo prazo. Isto acontece devido às patologias associadas ao mesmo, do ponto de vista interno e às dificuldades de interação social, do ponto de vista externo. No que concerne à temporalidade, podemos perceber que, para evitar danos de maior, é urgente intervir o mais precocemente possível com a criança.

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References:

  • Marinho, Maria Luiza e Caballo, Vicente E. Comportamento anti-social infantil e seu impacto para a competência social. , Saúde & Doenças [online]. 2002, vol.3, n.2 [citado 2016-08-15], pp.141-147. Disponível em http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862002000200003;
  • Pacheco, Janaína, Alvarenga, Patrícia, Reppold, Caroline, Piccinini, Cesar Augusto, & Hutz, Claudio Simon. Estabilidade do Comportamento Anti-social na Transição da Infância para a Adolescência: Uma Perspectiva Desenvolvimentalista. Psicologia Reflexão e Crítica, 2005, 18(1), pp-55-61.
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