Criminalidade juvenil

A criminalidade juvenil está grandemente associada à dificuldade em gerir o stress provocado pelas transformações da adolescência.

A criminalidade juvenil está grandemente associada à dificuldade em gerir o stress provocado pelas transformações da adolescência. A falta de uma relação familiar saudável leva também ao aumento exponencial do flagelo.

Os estudos indicam-nos que a criminalidade juvenil tem aumentado significativamente desde o fim do século XX, especialmente a partir da transição dos anos 80 para os anos 90 e principalmente em grandes cidades (Moreira, Rosário, & Costa, 2008).

Adorno, Bordini e Lima (1999) dizem que, inclusive, a taxa de criminalidade juvenil aumentou em todas as classes sociais, culturas, contextos e zonas, afetando toda a qualidade de vida das populações, mesmo onde o desenvolvimento humano tem maiores resultados.

Os crimes assumem contornos cada vez mais graves, de violência contra a integridade física da vítima, pela qual o criminoso não demonstra qualquer tipo de sensibilidade (Moreira, Rosário, & Costa, 2008).

Para além dos crimes contra a integridade física, também se verifica nestas faixas etárias, o aumento da prática de roubos, e alterações no comportamento que, inclusive têm feito com que a legislação acerca da criminalidade juvenil seja alvo de revisão no sentido de procurar minimizar a pratica dos crimes, principalmente de violência, contudo, ainda com bastantes arestas a limar (Moreira, Rosário, & Costa, 2008).

Muitos são os estudos que indicam que a adolescência influencia bastante ao enveredar pela criminalidade devido à dificuldade em lidar com o fatores geradores de stress característicos desta fase de desenvolvimento (Bordini, & Lima, 1999).

O sucesso deficitário no combate à criminalidade juvenil tem sofrido as consequências das mudanças familiares, da religiosidade e da conformação dos órgãos superiores (Moreira, Rosário, & Costa, 2008).

No que diz respeito às mudanças familiares, prende-se com a relação entre pais e filhos, associada às alterações nas instituições escolares, que a partir do século XIX, promoveu o individualismo humano filosófico, político e religioso, que se traduziu no isolamento da própria família (Bordini, & Lima, 1999).

Conclusão

A criminalidade juvenil, existente em qualquer cultura, contexto, classe social, é marcada por vários fatores, começando por estar muito associada às influencias das mudanças que a adolescência acarreta com as quais os jovens nem sempre conseguem lidar de forma saudável. A relação existente com os pais e com a escola, nesta faixa etária de constantes mudanças, pode trazer também influencias nesse sentido, uma vez que, cada vez mais, os jovens se tornam isolados das suas famílias, com o aumento da tendência para o individualismo, adotando comportamentos inadequados, o que, no caso da criminalidade, ganha contornos de violência física contra a integridade do outro e até mesmo de roubos e furtos.

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References:

  • Adorno, Sérgio, Bordini, Eliana B. T., & Lima, Renato Sérgio de. (1999). O adolescente e as mudanças na criminalidade urbana. São Paulo em Perspectiva, 13(4), 62-74. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-88391999000400007;
  • Moreira, J.O, Rosário, A.B, & Costa, D.B. (2008). Criminalidade juvenil no Brasil pós-moderno: algumas reflexões psicossociiológicas sobre o fenômeno da violência. Revista Mal-Estar e Subjetividade – Fortaleza, Vol. VIII – Nº4 – p. 1021-1046 dez/2008. Disponível em https://periodicos.unifor.br/rmes/article/view/4896/3906.
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