Aprendizagem nos primeiros anos de vida

A aprendizagem nos primeiros anos de vida diz respeito ao processo de desenvolvimento de competências polivalentes adquirido pelo indivíduo.

Aprendizagem nos primeiros anos de vida

A aprendizagem nos primeiros anos de vida diz respeito ao processo de desenvolvimento de competências polivalentes adquirido pelo indivíduo.

Dias e Correia (2012) explicam que a aprendizagem nos primeiros anos de vida é pautada por características específicas inerentes a essa fase de desenvolvimento. Estas características, para Lazaretti (2009) podem ser diferentes dependendo, além do período de desenvolvimento, do contexto em que a criança vive, das suas condições de vida e do tipo de atividades em que participa.

Como tal, os profissionais que lidam com estas crianças, principalmente até aos três anos, encontram diferentes desafios provenientes da primeira infância (Dias, & Correia, 2012).

De acordo com a teoria Vigostkiana (1995, cit in Lazaretti, 2009) estas diferenças inerentes a qualquer indivíduo, levam à necessidade de adaptação ao mundo, nos primeiros anos de vida, pela busca da interação com a sociedade e a natureza, o que faz com que se inicie logo ali uma aprendizagem traduzida na conduta que o indivíduo adota.

No entanto, alguns estudos ressalvam que o período compreendido como fazendo parte dos primeiros anos de vida, não é estanque, o que significa que os métodos de aprendizagem também variam (Lazaretti, 2009). Isto significa que, quando se fala em primeiros anos de vida, pode ser referente à primeira infância, à infância ou à adolescência (Lazaretti, 2009).

“…aprendizagem e desenvolvimento são processos interdependentes que se pressupõem mutuamente.”

(Papalia, Olds, & Fedman, 2001, cit in Dias, & Correia, 2012, p.1).

Neste sentido, entendemos como aprendizagem, a capacidade que o ser humano tem para se adaptar ao meio ambiente, ao longo de todo o seu processo de desenvolvimento, isto é, trata-se de um processo vital, influenciado por motivações e atividades desempenhadas por ele (Dias, & Correia, 2012).

Naturalmente, o facto de aprender através de experiências diretas, permite que a criança se desenvolva pessoal, individual e coletivamente, já que uma parte da mesma decorre em interação social e a outra decorre de forma individual (Dias, & Correia, 2012).

O manuseio de tudo aquilo que se encontra no meio envolvente, juntamente com as pessoas que vão interagindo com a criança, são as duas formas que ela tem de aprender, comunicar, descobrir e ir compreendendo e adaptando-se ao mundo (Dias, & Correia, 2012).

Pressupõe-se aqui a utilização de capacidades associadas à coordenação, aos sentidos, às ações e aos sentimentos acerca do que se aprende, que a criança faz através da observação, do alcance, do agarrar, do colocar na boca, do cheirar, do mexer, do imitar, entre outras atividades (Dias, & Correia, 2012).

A comunicação, é, para Lazaretti (2009) um dos mais importantes métodos de aprendizagem nos primeiros anos de vida, pois é através da mesma que a criança brinca e manuseia os objetos por meio das suas ações, juntamente com os adultos inseridos no meio onde se encontra. Estamos aqui, portanto, no campo da aprendizagem através das relações interpessoais (Lazaretti, 2009).

Tendo em conta a utilização dos múltiplos sentidos, inerente à descoberta, desenvolvimento e aprendizagem, é natural que floresçam sentimentos associados a todos estes estímulos, sendo eles de ordem emocional, de confiança, de segurança, etc (Dias, & Correia, 2012).

Não nos podemos esquecer da importância significativa das relações estabelecidas entre as crianças, nos primeiros tempos, ainda bebés, com os adultos à sua volta, principalmente, com a mãe, uma vez que é, ou deverá ser, a primeira fonte de amor, carinho, atenção, afeto, disponibilidade e possibilidade de desenvolver confiança e segurança (Dias, & Correia, 2012).

É nos três primeiros anos de vida que a criança adquire uma boa parte destas respostas às suas necessidades, pelo que, de acordo com o que já foi mencionado anteriormente, a importância do papel da mãe começa logo durante o desenvolvimento intra-uterino (Lazaretti, 2009). A aprendizagem, inicia-se, de imediato com o surgimento de necessidades como alimentação, orientação e proteção (Lazaretti, 2009).

Uma vez bem assentes todas estas questões acerca da relação entre a mãe e o bebé, temos os primeiros passos para uma maior oportunidade de aprendizagem de sucesso (Dias, & Correia, 2012).

Para Vigotski a interação com o meio social envolvente, era uma das condições mais importantes para a construção dos processos de aprendizagem, já que aqui se engloba o início da construção de uma personalidade individual, que proporciona desenvolvimento (Lazaretti, 2009).

Conclusão

A aprendizagem nos primeiros anos de vida mostra-se como uma pedra basilar para todo o processo de desenvolvimento, pelo qual, o indivíduo vai passar, ao longo de todo o seu percurso vital. Trata-se de uma questão polivalente, uma vez que une diferentes tipos de variáveis tais como família, contexto e objetos inseridos no ambiente onde a criança se insere. Assim, os meios de aprendizagem, entre outras questões, irão promover os primeiros passos na construção de uma personalidade individual e coletiva.

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References:

  • Dias, I.S., & Correia, S. (2012). Processos de aprendizagem dos 0 aos 3 anos: contributos do sócio-construtivismo. Revista Iberoamericana de Educación / Revista Ibero-americana d Educação. Nº60/1 – 15/09/12. Acedido em 30 de outubro de 2016 em org/deloslectores/4418Dias.pdf;
  • Lazaretti, L.M. (2009). APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA PRIMEIRA INFÂNCIA: DESTAQUE PARA OS INSTRUMENTOS CULTURAIS. IX Congresso Nacional de Educação – EDUCERE III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia 26 a 29 de outubro de 2009 – PUCPR. www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/2755_1378.pdf.
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