Personalização da aprendizagem

A personalização da aprendizagem diz respeito às características processuais inerentes a cada um, no processo de aprender.

Personalização da aprendizagem

A personalização da aprendizagem diz respeito às características processuais inerentes a cada um, no processo de aprender. Estas relacionam-se com os fatores emocionais e afetivo-cognitivos.

Segundo Amaral e Martínez (2006) a personalização da aprendizagem diz respeito à criatividade com que o indivíduo aprende, tendo em conta a quantidade de informação com que é bombardeado, sistematicamente, todos os dias. Na atualidade, e na maioria das realidades, o que se verifica é que, devido à tendência para que o processo de aprendizagem se mantenha de forma passiva, isto é, sem que o aluno faça muito mais do que ouvir o professor e realizar as tarefas escolares, ele acaba por se manter no contexto daquilo que já lhe é familiar (Amaral, & Martínez, 2006).

Nesse sentido, torna-se numa tarefa bastante complicada, conseguir estimular o aluno em relação à sua criatividade, tendo em conta que o processo de ensino e aprendizagem, se mantem no formato professor ativo e aluno passivo (Amaral, & Martínez, 2006).

“Aprendizagem passiva significa que o aluno não interage com os problemas e conteúdos e, assim, não recebe o feedback da experiência para a aprendizagem. Os alunos precisam ter a chance de escolher, julgar, controlar processos e formular problemas; eles precisam ter a chance para cometerem erros” (Berryman, 1993, p.375, cit in Martinez, s.d.).

Martinez (s.d.), refere, no entanto, que não podemos deixar de falar na importância das novas tecnologias e de como as mesmas vieram modificar e personalizar as características de todo o processo de aprendizagem, adaptadas e adaptáveis. Contudo, esta nova forma de aprender, não pode deixar de se preocupar com a forma como cada um aprende, individualmente (Martinez, s.d.).

Ao falar de novas tecnologias, Martinez (s.d.) refere-se à aprendizagem online, em que a maioria das tarefas é administrada pelo professor através do fornecimento de ferramentas, no entanto, quando terminada a formação, muitas vezes, os alunos não adquiriram ainda os conhecimentos e as competências necessárias para poderem utilizar a informação de forma independente.

Outro tipo de obstáculo à possibilidade de personalizar a aprendizagem, é a informação disponível acerca deste tema, já que a maioria dos estudos foca a aprendizagem no ensino básico, o que faz com que o ensino superior fique de fora da maioria das pesquisas, ou seja, os alunos do ensino superior, estão limitados em termos da promoção da sua criatividade, acabando por cair por terra, o desenvolvimento da mesma nessa faixa etária (Amaral, & Martínez, 2006).

“… a aprendizagem não é um ato instrumental, mas um processo subjetivo essencialmente interativo” (González Rey, 2001, 2003b, 2003c, 2004, cit in Amaral, & Martínez, 2006).

É importante compreender que as capacidades individuais ficam comprometidas com as diferentes formas de interação estabelecidas no meio educativo (Amaral, & Martínez, 2006).

De acordo com Amaral e Martínez (2006) o verdadeiro sentido de aprendizagem só se realiza quando existe uma relação emocional do aluno com a mesma, isto é, quando o aluno se identifica com aquilo que é lecionado, caso contrário, não passa de um processo meramente formalizado em que não há qualquer relação do aluno para com aquilo que aprendeu.

Na mesma linha teórica, Martinez (s.d.) refere-se à aprendizagem emocional cujo processo de personalização acontece de forma intencional.

Assim, vários estudos concluíram que existe um conjunto de variáveis afetivo-cognitivas que permitem a produção de uma aprendizagem criativa e personalizada (Amaral, & Martínez, 2006).

Isto significa que a aprendizagem só pode ser produzida de forma criativa se for personalizada pelo próprio indivíduo de modo a que o mesmo seja movido pela sua motivação em manter a relação de afeto-cognição com o desempenho das atividades (Amaral, & Martínez, 2006). Tendo em conta este paradigma, podemos dizer que a aprendizagem afetivo-cognitiva, diz respeito ao envolvimento do sujeito com aquilo que cria e que personaliza (Amaral, & Martínez, 2006).

De acordo com os estudos de Martinez (s.d.), no entanto, quando se procura personalizar a aprendizagem, existem sempre estas lacunas que relacionam o processo em si, com o facto de ela se associar às emoções, ou seja, à própria vontade de aprender de cada um.

Conclusão

A personalização da aprendizagem supõe que o processo tenha em conta as características individuais de cada um, uma vez que não aprendemos todos da mesma forma. A chegada das novas tecnologias ao processo de ensino, veio no sentido de colmatar a falha associada à passividade do aluno, uma vez que, maioritariamente, ele se limita a receber a informação que o professor dá. No entanto, mesmo sendo ele a trabalhar no seu processo de aprendizagem, recebe as ferramentas do professor e com a sua orientação, acabando por não ter independência na escolha dos materiais. A maioria dos estudos indica que, para personalizar a aprendizagem de forma eficaz, é importante ter em conta o fator emocional e a forma como o aluno se envolve afetiva e cognitivamente com os conteúdos.

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