Maternidade

O conceito de maternidade diz respeito, essencialmente, à relação construída entre mãe e filho.

O conceito de maternidade diz respeito, essencialmente, à relação construída entre mãe e filho. Esta relação é, quase invariavelmente, influenciada por diferentes fatores como os sociais, culturais e históricos.

Os estudos sobre a maternidade vêm sendo discutidos ao longo d décadas tal como podemos observar, de acordo com os trabalhos de Correia (1998), nos quais, a autora já fazia referência ao facto de ser um assunto discutido, não só, há muito tempo, como em várias vertentes da ciência tais como a Antropologia, a Psicologia ou a Psicanálise.
Por ser um fenómeno demasiado complexo, é também impossível estudar a mesma em toda a sua plenitude, pelo que, quando falamos de maternidade não podemos deixar de ter em conta as influências da cultura e da civilização a que nos referimos (Correia, 1998).
A experiência da maternidade, pode ser, segundo a autora, vista de diferentes formas como algo interessante, satisfatório, importante, ou, pelo contrário, ser perigosa ou dolorosa (Correia, 1998).
Um outro facto igualmente importante é o de que a maternidade abarca, não só a vertente da mãe como também a experiência do filho, uma vez que ambas se interligam e influenciam mutuamente (Correia, 1998).

Resende (2017) entende assim que o tema do amor materno apesar de estar, habitualmente, ligado a concepções naturais ao ser humano, é na verdade, fruto de questões sociais, dependendo também da época e do momento histórico vivido pela mulher que o atravessa.
nesse contexto, no que concerne ao afeto, habitualmente associado de forma quase biológica à maternidade, alguns autores tais como E. Badinter (1980, cit in Correia, 1998) entendem que, ao contrário do que s acredita, o amor materno não acontece de forma natural, uma vez que, se observarmos diferentes contextos, concluímos que este sentimento pode ser manifestado ou não, de mãe para filho. O acontecimentos está associado à cultura em causa e aos valores dominantes a ela associados, não só no que diz respeito à mãe, como também ao pai e à criança (Correia, 1998). Demonstrações de carinho e ternura entre mãe e filho, eram, inclusive, avaliadas como sinais de pecado e de fracasso (Resende, 2017).

Ao observar a maternidade do ponto de vista histórico, vale referir a forma como a mesma era vivida na idade média em que, em muitos casos, no que concerne ao aleitamento, por exemplo, a criança era entregue a uma ama de leite (Resende, 2017). Contudo, a história relata também que, na maioria das vezes, a taxa de mortalidade infantil, era também duas vezes superior no caso de crianças amamentadas por uma ama de leite do que no caso de crianças amamentadas pela própria mãe (Resende, 2017).

Além de todas estas características, o amor de mãe diz respeito ainda à história pessoal que cada mulher traz consigo, à forma como aconteceu a gravidez, à relação com o pai da criança, a questões profissionais e ainda a questões culturais (Correia, 1998).

Questões associadas à gravidez

Quando se fala de maternidade, há que falar também de gravidez, sendo que maternidade diz respeito a um fenómeno e gravidez diz respeito a outro, já que a primeira está ligada, fundamentalmente, a experiências dinâmicas vividas pela mulher, seja no que concerne aos cuidados a ter com a criança, a existência ou não de afeto para com a criança, etc (Correia, 1998).
Já no caso da gravidez abarca todas as condições associadas ao corpo, como as modificações pelas quais o mesmo passa e as manifestações a elas associadas (Correia, 1998).

Conclusão

O tema da maternidade é, e sempre foi, demasiado complexo e inacabado devido a todas as variáveis envolvidas. Falamos da relação entre mãe e filho, a qual, deve ser observada tendo em conta questões como a cultura, o contexto, a história, os valores, entre outros, uma vez que o fenómeno não é vivido da mesma forma independentemente da época e contexto em que se vive. Observa-se ainda que, ao longo dos séculos, foi passando por diferentes fases e foi sendo visto de forma diferente com a evolução do ser humano e com os novos estudos elaborados para o efeito. No geral observa-se que se trata de uma relação entre mãe e filho que foi sendo aperfeiçoada com o passar do tempo.

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References:

  • CORREIA, M.J. (1998).  Sobre a maternidade. Análise Psicológica (1998), 3 (XVII): 365-371. Recuperado em 17 de fevereiro de 2018 de scielo.mec.pt/pdf/aps/v16n3/v16n3a02.pdf;
  • Resende, D.K. (2017). MATERNIDDE: UMA CONSTRUÇÃO HISTORICA E SOCIAL. Recuperado em 17 de fevereiro de 2017 de pucminas.br/index.php/pretextos/article/download/15251/11732
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