Integração em psicologia

A integração em psicologia visa a igualdade de oportunidades para todos os indivíduos

Integração em psicologia

A integração em psicologia visa a igualdade de oportunidades para todos os indivíduos. Este processo vale, principalmente, no caso da educação especial e da comunidade em geral, quando se fala da integração de portadores de deficiência ou de minorias grupais.

De acordo com Omote (1995) a integração em psicologia, pode ser vista, no âmbito da deficiência, como forma de promover a participação dos indivíduos portadores da mesma, em atividades de cidadania, e forma a que os mesmos possam colaborar nas diferentes habilidades, dentro das limitações da sua condição.

Em contexto de educação especial, por exemplo, a integração vem sendo proposta com o intuito de extinguir a segregação dos alunos com necessidades educativas especiais (nee) (Omote, 1995).

A necessidade de trabalhar a integração do ângulo da psicologia, deve-se  à ideia de que todos gostamos de nos ver como seres completos, o que nos leva a uma dificuldade natural em lidar com o portador de deficiência que é observado como um sobrevivente de algo, devido à fragilidade que todos temos por natureza, face ao que é limitado e diferente (Glat, 1995).

Um dos exemplos mais recorrentes da integração, em psicologia, é a construção de turmas especiais para deficientes mentais, que permitem o acesso destes à escolarização, dentro de uma escola regular (Glat, 1995; Omote, 1995).

Segundo os estudos de Glat (1995) este tema é mesmo aquele que se debate mais na área da educação especial uma vez que há cada vez mais necessidade de preparar os profissionais de educação no sentido da integração de alunos com nee, especialmente os mencionados anteriormente.

Na ausência destas turmas, seria difícil encontrar uma forma de integrar estas crianças na escola regular, o que, por sua vez, dificultava o acesso de todos os indivíduos à escolaridade obrigatória (Omote, 1995).

“É, antes de mais nada, mais um recurso para que o maior número de crianças possa exercer o direito à educação.”

(Omote, 1995).

No entanto, frequentemente se assiste à segregação inicial destes alunos, colocando-os em turmas especiais, para depois integra-los nas turmas regulares, além de que esta operação processual é exercida com a atuação do professor de educação especial, de forma isolada com o aluno, sem qualquer complementaridade e articulação entre o trabalho deste e o dos professores do ensino regular (Omote, 1995). Deste ponto de vista, a tentativa de integração destes alunos, acaba por provocar o efeito contrário, ou seja, segregação (Omote, 1995).

A partir deste pressuposto Glat (1995) afirma que quando se coloca os indivíduos deficientes separados dos restantes, entra-se num processo de marginalização, ou seja, de total segregação, em vez da integração que seria desejável, pelo facto de os considerar excepcionais, isto é, diferentes.

Estes indivíduos, quando colocados aparte por serem diferentes, tornam-se alvo dos olhares curiosos alheios porque, por não se igualarem ao padrão de normalidade, “ameaçam” a normalidade social (Glat, 1995).

“…tentamos ter o máximo possível de previsão sobre o comportamento (ou aparência do outro) para que saibamos como agir em relação a ele.” (Glat, 1995).

Por isso, de acordo com os pressupostos assentes em psicologia, a integração de alunos portadores de deficiência deve ser meticulosamente analisada, uma vez que nem é positivo separar totalmente estes alunos dos restantes, nem tão pouco, inseri-los sem qualquer tipo de acompanhamento especializado (Omote, 1995).

Assim é preciso compreender em que medida é que o processo de integração cumpre o seu papel ou se, pelo contrário, está a estigmatizar e a segregar o deficiente (Omote, 1995).

Ao falar de integração em psicologia, não podemos, contudo, restringir à questão dos alunos portadores de deficiência nas escolas, uma vez que a necessidade de promover uma verdadeira integração comunitária, não passa apenas por estes indivíduos (Glat, 1995). Referimo-nos a grupos minoritários tais como portadores de síndrome da imunodeficiência adquirida (hiv), ex reclusos, homossexuais, minorias raciais e étnicas, etc (Glat, 1995).

Nestes casos a necessidade de promover a sua integração advém do facto de a sua diferença face aos restantes indivíduos da comunidade, provocar o afastamento dos mesmos tano física como moralmente, o que acaba por leva-los para a mesma situação dos indivíduos portadores de deficiência, ou seja, à dificuldade de aceder às mesmas oportunidades do resto da população (Glat, 1995).

Conclusão

Parece ser comum à maioria dos estudos que a integração em psicologia é uma questão a colocar em prática, principalmente no âmbito da deficiência e dos grupos minoritários, com o objetivo de permitir o acesso de todos às mesmas oportunidades, principalmente no que concerne à educação. Assim, por exemplo, a existência de turmas especiais implantadas em paralelo com as turmas regulares, é uma das muitas formas de promover a integração dos indivíduos para que não saiam prejudicados face aos alunos pertencentes ao ensino regular.

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References:

  • Glat, Rosana. (1995). Integração dos portadores de deficiência: uma questão psicossocial. Temas em Psicologia, 3(2), 89-94. Recuperado a 22 de setembro de 2016 de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1995000200010;
  • Omote, Sadao. (1995). A integração do deficiente. Um pseudo-problema científico. Temas em Psicologia, 3(2), 55-62. Recuperado a 22 de setembro d 2016, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413-389X1995000200007&script=sci_arttext&tlng=en.
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