Dispareunia

A dispareunia advém de uma disfunção sexual que causa dor aquando do coito.

Dispareunia

A dispareunia advém de uma disfunção sexual que causa dor aquando do coito. Podendo ter diferentes origens, é importante compreender em que se baseia.

A dispareunia trata-se de uma dor que persiste, durante o ato sexual, tanto no caso do homem como no caso da mulher, de ordem disfuncional e que pode ser provocada pelo conflito psicossexual, na relação ou ainda por stresse pessoal (Serrano, s.d.).

Dispareunia na mulher

No caso da mulher, a resposta sexual pressupõe a vasodilatação clitoriana, vaginal e vulvar, a lubrificação vaginal, ou seja, alterações corporais que tornam a relação sexual prazerosa, além de que o útero sobe e leva à distenção vaginal (Serrano, s.d.).

Quando este conjunto de alterações físicas não acontece durante o ato, a mulher experimenta a sensação de dor, como resposta ao ato sexual, tal como queimadura, se a dispareunia for superficial ou pancada, se for profunda (Serrano, s.d.).

O distúrbio da dispareunia pode ainda ser provocado por comportamentos sexuais inadequados, tais como a penetração antes da lubrificação ou o uso de lubrificantes não próprios para o coito; por lavagens excessivas que provocam irritação vulvar; por auto medicação errada; devido à menopausa; intervenções cirúrgicas no prolapso da pélvis ou da incontinência urinária que provocam estreitamento do lùmen vaginal; alergia ao preservativo ou ao espermicida; alergia ao esperma (raramente) (Serrano, s.d.).

Ao nível vulvar também pode acontecer uma dispareunia se a mulher desenvolver uma vestibulite nessa zona com eritema e dor intensa aquando da palpação, devido a uma inflamação de ordem crónica que poderá levar a um traumatismo ou infeção, traduzidos em dispareunia intensa (Serrano, s.d.).

Também durante a gravidez o aumento da espessura das secreções vaginais pode provocar dispareunia o que diminui a resposta sexual por incapacidade de lubrificação e de vasocongestão (Serrano, s.d.).

A par destes fatores, muitas vezes, é o próprio estado psíquico da mulher que provoca a dispareunia, em situações nas quais ela não sente vontade de ter uma relação sexual, mas que o faz para agradar o companheiro, o que pode provocar alta secura vaginal (Serrano, s.d.).

Em alguns casos um hímen rígido ou a existência de quistos, podem também originar uma dispareunia superficial (Serrano, s.d.).

Podemos compreender então que uma inflamação nos tecidos genitais que dificulte a movimentação do útero, pode provocar dor na mulher, tais como a endometriose que provoca uma dispareunia mais acentuada antes e durante o período menstrual, de origem mais profunda (Serrano, s.d.).

Dispareunia no homem

No homem, a dispareunia pode ter origem no ato sexual ou em masturbações mais fervorosas que provocam fissuras no freio do prepúcio, bem como inflamações ou infeções que provocam dor aquando do coito (Serrano, s.d.).

Por vezes o homem tem uma deformação peniana que altera a condição do pénis durante a ereção devido a traumatismos provocando a hipersensibilidade da glande depois do orgasmo, o que muitas vezes leva o homem a ter medo de ejacular (Serrano, s.d.).

Para compreender a origem de uma dispareunia, tanto no homem como na mulher, é importante conhecer alguns fatores relacionados com a mesma tais como neurológicos, musculares, afetivos e interpessoais (Serrano, s.d.).

Verificar o grau e a localização da dor através do exame ginecológico mostra-se também imprescindível para fazer um diagnóstico apropriado e posterior terapia (Serrano, s.d.).

Uma das questões que Serrano (s.d.) verificou na sua revisão bibliográfica foi que, muitas vezes, as mulheres relatam que a dor que sentem durante o ato, não chega a ser tão forte como o prazer, o que faz com que uma coisa não interfira com a outra. Outra questão apontada pela autora é que quando a dispareunia é associada a fatores psicossociais, ela é vivida de forma mais intensa do que no caso de uma dispareunia física (Serrano, s.d.).

Tratamento

O tratamento da dispareunia deve ser realizado com uma equipa multidisciplinar que inclua médicos (ginecologistas e urologistas), terapeutas sexuais, fisioterapeutas (Serrano, s.d.).

Numa situação de alergia ao esperma, é sugerido à mulher que faça abstinência, que use preservativo, que fala tratamento farmacológico e imunoterapia, embora, por vezes, o tratamento provoque infertilidade (Serrano, s.d.).

Quando se trata de doenças crónicas, é preciso fazer aconselhamento acerca de certos tipos de medicação antibiótica e antifúngica bem como a alteração da posição durante o coito (Serrano, s.d.).

O acompanhamento psicológico é, na maioria das vezes, um dos processos terapêuticos indispensáveis (Serrano, s.d.).

Conclusão

O distúrbio da dispareunia, como disfunção sexual provocadora de dor intensa, pode ser causado por diferentes situações de ordem física, psíquica ou orgânica. Embora mais recorrente no caso das mulheres, também pode acontecer em homens, sendo que o tratamento para ambos os casos requer uma equipa multidisciplinar e um aconselhamento adequado. No entanto, há ainda necessidade de explorar um pouco melhor o tema, para melhoria do acesso à informação e respostas mais satisfatórias a indivíduos que padeçam da patologia.

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References:

  • Serrano, F. (s.d.). DISPAREUNIAS. ARQUIVOS DA MATERNIDADE DR. ALFREDO DA COSTA. Vol. XIV – Nº2, JULHO/SETEMBRO.
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