Terapias dinâmicas breves

As terapias dinâmicas breves têm como base a psicanálise, no entanto, pretendem englobar várias correntes.

Terapias dinâmicas breves

As terapias dinâmicas breves têm como base a psicanálise, no entanto, pretendem englobar várias correntes.

As terapias dinâmicas breves caracterizam-se pela sua semelhança com a psicanálise, na qual se basearam, com contornos mais suaves (Arrillaga, 2016).

É comum que a terapia dinâmica breve tenha o número de sessões definido de antemão, habitualmente, alguns meses, o que cria de imediato os contornos que dizem respeito à relação terapêutica ou vínculo terapêutico (Almeida, 2010).

Algumas considerações acerca das terapias dinâmicas breves

  • Inteligência acima da média
  • Histórico de, pelo menos, uma relação significativa com outrem
  • Crise emocional atual
  • Capacidade de empatia do próprio individuo com o terapeuta
  • Motivação para o tratamento
  • Queixa especifica
  • Reconhecimento que tem um problema
  • Entre outros

(Almeida, 2010).

Estas terapias pretendem estabelecer uma ligação com os outros tipos de psicoterapia, principalmente com a cognitivo-comportamental, mas também com a psicologia positiva, ciências cognitivas, tais como a neurociência, bem como a antropologia cognitiva, cibernética e linguística (Arrillaga, 2016). É comum que a pessoa procure a corrente das terapias dinâmicas breves com múltiplos conflitos, já que dificilmente é apresentado apenas um, e, devido a esse contorno multifocal, faz-se necessário procurar qual ou quais são as situações mais geradoras de disfunção ao nível das competências, uma vez que será nessas que o foco de intervenção se irá centrar mais (Almeida, 2010).

De acordo com os estudos de Almeida (2010) verifica-se que, um dos contextos onde as terapias dinâmicas breves podem ser utilizadas com maior taxa de sucesso, é o contexto hospitalar, porque, tratando-se da possibilidade de fazer uma intervenção de curta duração, permite aliviar o sofrimento psíquico dos utentes, tanto na enfermaria cirúrgica, como no centro de terapia intensiva, em ambulatório, e em outros.

Uma das características das terapias dinâmicas breves que mais as distingue dos outros modelos, diz respeito ao fato de a sessão ser gravada por breves períodos o que permite que o terapeuta tenha um arquivo de documentos gravados onde se encontram tratamentos psicoterapêuticos intensivos completos (Arrillaga, 2016).

Estes breves períodos de tempo característicos das terapias dinâmicas breves devem-se ao fato de as mesmas terem a finalidade de fazer uma intervenção cujo objetivo seja atingido num espaço de tempo mais curto do que nas terapias tradicionais, mediante a necessidade apresentada pelo utente (Almeida, 2010). Deste modo, podemos dizer que o tipo de situação para o qual podemos utilizar as terapias dinâmicas breves, será algo atual e que o indivíduo precisa de resolver “aqui e agora” (Almeida, 2010).

Assim, Arrillaga (2016) defende que as terapias dinâmicas breves e a psicoterapia dinâmica contemporânea de maior durabilidade acabam por se tornar mais realistas do que a psicanálise, o que permite que as mesmas possam ser tão eficazes como o modelo cognitivo-comportamental. Isto deve-se ao fato de ser uma corrente psicoterápica maleável uma vez que se adapta a qualquer tipo de patologia (Arrillaga, 2016).

A par de serem maleáveis, e por serem breves, tal como o próprio nome indica, são terapias focadas, pelo que, muitas vezes, são denominadas mesmo como psicoterapias focadas (Almeida, 2010). Nesse sentido, a autora procurou distinguir terapias breves de terapias focadas, explicando que as primeiras procuram intervir ao nível dos vários problemas predominantes que atormentam o indivíduo e que geram a psicopatologia, à luz da psicodinâmica, e as segundas procuram intervir junto do indivíduo em função da problemática que se apresenta como mais urgente (Almeida, 2010).

Uma vez que a conjuntura não permite que uma grande parte da população possa ter acesso a tratamentos adequados do foro psíquico para qualquer tipo de perturbação, vários autores consideram que as terapias dinâmicas breves, por serem de rápida intervenção, podem ser a resposta mais eficaz para os indivíduos que se submetem a elas (Almeida, 2010).

Em função do tipo de caso a intervenção deve ser realizada com o intuito de fortalecer o ego do indivíduo sendo que a própria psicoterapia depende deste e do próprio psicoterapeuta para alcançar os objetivos pretendidos (Almeida, 2010). É por esse motivo que se deve fazer uma avaliação previa acerca do quadro neurótico (Almeida, 2010).

Conclusão

As terapias dinâmicas breves são o tipo de intervenção ideal quando pretendemos resolver problemas atuais, de forma rápida, principalmente junto de indivíduos provenientes de classes menos favorecidas. No entanto, para que o modelo seja eficaz, é importante ter em conta tanto a capacidade do indivíduo como do psicoterapeuta, pelo que o número de sessões fica estabelecido desde o início e a avaliação de cada caso, por ser breve, faz-se logo no início do plano interventivo.

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References:

  • Ameida, Raquel Ayres de. Possibilidades de utilização da psicoterapia breve em hospital geral. Rev SBPH [online]. 2010, vol.13, n.1 [cited 2016-07-11], pp.94-106. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582010000100008;
  • Arrilaga, Rodrigo González-Pinto. El Rol de Psicoterapias breves y retos de las psicoterapias dinâmicas (*). Brief and dynamic psychotherapies challenges. (“psychotherapies challenges”). Norte de salud mental [online], 2016, vol.XIV, nº54 [cited 2016-07-11]: pp.88-94. Disponível em es/index.php/revista/article/viewFile/862/855.
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