Barítono

O termo barítono designa a voz intermédia entre os registos masculinos baixo e tenor. Características do registo, origem, tipos de barítonos e respectivos exemplos.

Conceito

O barítono corresponde à voz intermediária entre os registos masculinos grave (baixo) e agudo (tenor), de acordo com a classificação geral das vozes. O âmbito vocal deste registo estende-se, normalmente, do lá# a fá♭3, podendo ascender a lá♭3 em no caso das óperas italiana e francesa. É uma voz madura, mais grave e aveludada que a dos tenores, mas sem a mesma agilidade, que compensa, no entanto, com o volume e a capacidade de produzir notas graves.

Do mesmo modo, designa, também, qualquer instrumento musical com um registo semelhante, obedecendo à classificação das vozes de cada família, por exemplo, saxofone barítono.

O termo foi utilizado pela primeira vez no final do século XV, na corte francesa, com a exploração das sonoridades polifónicas mas não singrou. A seguir, as composições corais estabeleceram as quatro vozes comuns (soprano, contralto, tenor e baixo), não deixando espaço para o barítono. Depois, o registo começou a ser utilizado por compositores alemães, mas só assumiu um lugar de importância com as personagens das óperas de Mozart. Ressurgiu, novamente com vigor, nas obras de Verdi, Bizet, Wagner e outros.

Tipos de barítonos

Dentro da classificação de barítono, é possível encontrar tipos distintos. Os mais comuns são os seguintes:

  • Barítono dramático: o timbre mais comum na família de barítonos; sem o alcance de um tenor ou de um barítono lírico, compensa pela potência, resistência e capacidade de se sustentação, gerindo intervalos, modulações e dinâmicas díspares. Surge em papéis como Scarpia, em «Tosca» de Puccini, ou Nabucco, em «Nabucco», de Verdi.
  • Barítono verdiano: quase uma sub-categoria do dramático mas com maior extensão vocal no registo agudo. O poder e robustez permite ao cantor “gritar”, sobressaindo mesmo em orquestrações mais pesadas. Toma o nome do compositor que mais se destacou por escrever para este tipo de timbre, Verdi.
  • Barítono Kavalierbariton: um timbre “metalizado”, capaz de se mover entre o liricismo e o dramatismo, não tão poderoso quanto o verdiano. O conde, em «Capriccio» de Strauss ou Giorgio Germont, na «Traviata» de Verdi, são bons exemplos.
  • Barítono lírico: o mais doce de todos, sem dureza na voz, comum nos papéis mais cómicos. É possível encontrá-lo, por exemplo, no papel de Papageno, na «Flauta Mágica» ou de Marcello, em «La Bohème», de Puccini.
  • Barítono ligeiro ou Martin (referência ao cantor francês do mesmo nome): registo agudo, quase qualidade de tenor; muito frequente no repertório francês. Surge, por exemplo, nos papéis de Dancaïre, em «Carmen», de Bizet ou de Pelléas, em «Pelléas et Mélisande», de Debussy.
  • Barítono baixo: registo ligeiramente mais agudo do que o baixo, que se move confortavelmente na tessitura do barítono convencional mas que possui intervalo ressonante menor, tipicamente associado ao baixo. Esta categoria surgiu no final do século XIX, com os personagens wagnerianos Wotan, em «A Valquíra» (ciclo «O Anel do Nibelungo»), o holandês, em «O Navio Fantasma» e Hans Sachs, em «Os mestres cantores de Nuremberga».
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References:

Dourado, H.A. (2004). Dicionário de termos e expressões da música. Editora 34.

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

The Editors of Encyclopædia Britannica (nd). Baritone. Em https://www.britannica.com/art/baritone-vocal-range

Wikipedia (nd). Baritone. Em https://en.wikipedia.org/wiki/Baritone#Verdi

 

 

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