Ecossistema Ripícola

Conceito de Ecossistema Ripícola:

Ecossistema – Bosques Ripícolas – ecossistema caracterizado pela sua proximidade à água, sob a forma de rios ou ribeiras, podendo agir como limite dos ecossistemas aquáticos, no entanto, o seu próprio limite é difícil de definir. Estes ecossistemas desenvolvem-se sob a forma longitudinal, pois vão acompanhando a massa d’água em toda a sua extensão. A sua largura varia consoante a largura e a inclinação do talude, sendo que em determinadas zonas, mais sombrias, pode possuir uma grande extensão.

Além de possuírem uma função de habitat para um grande número de espécies vegetais e animais, possui muitas outras funções vitais aos ecossistemas. De entre essas funções podem ser destacadas: a proteção do solo ao evitar a erosão do talude, a regulação dos ciclos biogeoquímicos nomeadamente do ciclo da água e dos nutrientes. Pode-se ainda destacar a sua influência no controlo de cheias e a capacidade de filtração de poluentes, tornando as águas próprias para a existência de comunidades estáveis e saudáveis.

Estas zonas apresentam um elevado grau de humidade durante grande parte do ano, funcionando como elemento de ligação entre um habitat aquático e um habitat terrestre.

Constituição do ecossistema:

  • Estrato vegetal:
    • Alnus glutinosa (Amieiro)
    • Fraxinus excelsior (Freixo)
    • Quercus robur (Carvalho-alvarinho)
    • Quercus suber (Sobreiro)
    • Ilex aquifolium (Azevinho)
    • Crataegus monogyna (Pilriteiro)
    • Betula celtibérica (Vidoeiro)
    • Salix spp. (Salgueiro)
    • Narcissus cyclamineus
    • Musgos, hepáticas e fetos

As espécies presentes possuem um crescimento rápido, agindo muitas vezes como espécies pioneiras. Nem todas as espécies referidas em cima aparecem em conjunto, algumas aparecem nos ecossistemas que se encontram mais a norte de Portugal, enquanto outras são mais características do Sul do País. Além das espécies mencionadas existem muitas outras, estas foram mencionadas por serem aquelas que aparecem em maior quantidade.

 A comunidade vegetal assume a função de filtrar a água tornando-a mais limpa, além de assegurarem habitat para as espécies animais que aí habitam. Sendo por esses motivos de grande importância.

A quantidade de espécies existente no bosque vai variar com a qualidade do solo e a quantidade de precipitação, bosques em que existe grande percentagem precipitação são menos ricos, possuem solos menos férteis e consequentemente menos espécies arbóreas e arbustivas.

Um destaque vai para a espécie Narcissus cyclamineus, esta trata-se de um endemismo ibérico e surge nas margens do rio Coura, neste tipo de ecossistemas aparecem muitos outros endemismos. Estes ecossistemas caraterizam-se também pela presença de diversas espécies herbáceas demonstrando assim a sua grande diversidade. A presença de espécies com grande valor medicinal e económico é mais um fator a ter em conta na proteção destes espaços.

A fauna existente nestes ecossistemas é muito rica e diversificada. Podem ser encontradas diversas espécies de répteis, anfíbios e aves. Alguns mamíferos também podem ser encontrados, em particular aqueles que habitat tanto em meio terrestre como em meio aquático. Estes ecossistemas representam habitats, local de repouso (muitas aves migratórias usam-nos como local de pouso e para obterem alimento durante as suas migrações) além de se tratar de um local para obter alimento e reproduzir-se.

  • Espécies de fauna:
    • Neomys anomalus (Musaranho-de-água)
    • Lutra lutra (Lontra)
    • Salamandra salamandra (Salamandra-de-pintas-amarelas)
    • Cinclus cinclus (Melro d’água)

Apesar da sua importância, estes ecossistemas encontram-se em perigo devido à intervenção humana, às invasões por espécies exóticas e à degradação ambiental que tem vindo a ocorrer nos últimos anos. No sentido de proteger estes locais foram emitidas diversas diretivas, das quais é exemplo a diretiva Quadro da água.

Estas diretivas visam a proteção e uma gestão mais eficiente destes ambientes. Outras medidas foram sendo tomadas com o intuito de proteger estes ecossistemas, entre essas medidas encontra-se uma aposta em melhorar a gestão do território, assim como projetos de restauração ecológica na tentativa de recuperar os locais que se encontravam mais degradados.

O investimento numa melhor educação cívica é também de grande importância, para envolver a população, na preservação destas zonas, pois a degradação dos ecossistemas ribeirinhos, como os ecossistemas ripícolas, devem-se muitas vezes à intervenção da população.

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References:

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Portela-Pereira, E. (2013) Análise Geobotânica dos Bosques e Galerias Ripícolas da Bacia Hidrográfica do Tejo em Portugal. Contributo. Tese de Doutoramento em Geografia Física, IGOT-UL, Lisboa, 437p. [+ A284p.].

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