Infanticídio

O infanticídio diz respeito ao crime de homicídio cometido contra crianças, habitualmente, pelas mães.

Infanticídio

O infanticídio diz respeito ao crime de homicídio cometido contra crianças, habitualmente, pelas mães. O assassinato é, frequentemente, realizado em momentos de crise cujos sinais de alerta devem ser meticulosamente analisados.

 

“O infanticídio – “lato sensu”” – entendido como o assassinato de crianças nos primeiros anos de vida, é praticado em todos os continentes e por pessoas com diferentes níveis de complexidade cultural desde a antiguidade (Guimarães, 2003, p.1, cit in Masson, & Sehnem, 2014).

De acordo com a revisão bibliográfica de Iaconelli (2012) as maiores taxas de infanticídio ocorrem junto de mulheres cuja gravidez não foi desejada e com maior autonomia para decidir o que fazer, principalmente no período de gestação. Já os estudos de Masson e Sehnem (2014) focam a incidência de crimes de infanticídio em mulheres que, aquando do parto, sofrem perturbações de humor e psicoses pós-parto, relacionadas entre si.

Masson e Sehnem (2014) consideram que uma das maiores prevalências de infanticídio em mulheres que desenvolvem sintomas de psicose pós-parto, tem como consequência, além deste crime, também o suicídio, devido a um estado de irrealidade, em que a puérpera deixa de ter noção dos seus atos, principalmente quando há histórico psiquiátrico.

A psicose puerperal acontece em mulheres sujo parto aconteceu há pouco tempo, com sintomas de depressão, delírios e pensamentos de autoagressão ou de agressão ao bebé, sendo estas que levam à consolidação do crime de infanticídio ou de suicídio, o que leva a crer na necessidade de lhes fazer um acompanhamento meticuloso devido à necessidade de vigilância constante (Masson, & Sehnem, 2014).

Estudos levados a cabo por Zambaldi et al (2010, cit in Masson, & Sehem, 2014) permitiram concluir que, muitas vezes, o infanticídio ocorre em função de a mãe relatar que ouve vozes a manda-la cometer o crime, o que a leva muitas vezes a delirar achando que está a fazer o melhor para o seu filho pois está a livra-lo da angústia (Masson, & Sehnem, 2014). No entanto, algum tempo depois do nascimento, os sintomas desaparecem (Masson, & Sehnem, 2014).

Para Costa et al (2011, cit in Masson, & Sehnem, 2014) alguns dos sintomas que apesentam puérperas que cometem o suicídio ou o infanticídio prendem-se com comportamentos confusos e delirantes, tais como ideias de agredir a criança, depressão e, em menor escala, mania.

A revisão da literatura de Masson e Sehnem (2014) mostra que a psicose pós-parto se trata de uma variação da doença bipolar ou que se relaciona com ausência de apoio social e/ou familiar, relacionamento conjugal disfuncional, famílias mono parentais, gravidez não desejada, histórico infantil de mau relacionamento com os pais, relação disfuncional com a mãe por falta de preparação, dificuldades monetárias, ou outros.

Na antiguidade, para evitar uma gravidez não desejada, os métodos contraceptivos mais comuns eram o coito interrompido, a lavagem da genitália imediatamente depois da relação sexual, e a vasectomia (Iaconelli, 2012). O infanticídio acontecia maioritariamente entre as classes mais pobres, junto com o abandono ou a venda de crianças (Iaconelli, 2012).

Ainda nos dias de hoje, muitas mulheres que têm gravidez não desejada, alegam que não são casadas, que são virgens, que são perseguidas, etc, e acabam por cometer o crime, seguido do homicídio, em momentos alucinogénicos em que ouvem vozes tais como, ordens para não se mexerem, para pararem ou caminharem (Masson, & Sehnem, 2014).

A confusão instalada na cabeça destas mulheres durante a alucinação, leva à consolidação de um dos crimes ou de ambos em quase igual proporção (Masson, & Sehnem, 2014).

Quando há sinais de perigo de infanticídio nestas mulheres que apresentam sintomas psíquicos graves Iaconelli (2005, cit in Masson, & Sehnem, 2014) não aconselham o aleitamento. O mesmo deve ser substituído por alguém que possa responsabilizar-se pelos cuidados ao bebé, uma vez que, a mulher que se encontra em plena crise, não consegue interpretar o bebé como tal, o que coloca em risco de vida tanto a mãe como o filho (Iaconelli, 2005, cit in Masson, & Sehnem, 2014).

Conclusão

O infanticídio é cometido, maioritariamente, por mulheres em estado psicótico e bipolar, ou em situações de gravidez não desejada. Habitualmente, no caso das mulheres perturbadas, os relatos das mesmas são de que, em situação de crise, ouvem vozes de comando que lhes ordenam a realização do crime. Devido a estas situações, as famílias são aconselhadas a não deixar os bebés ao cuidado das mães, uma vez que ambos correm risco de vida, já que o infanticídio é, frequentemente, seguido de homicídio. O apoio psicológico a estas puérperas parece inegavelmente imprescindível, pelo menos durante os momentos de crise.

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References:

  • Iaconelli, V. (2012). Mal-estar na maternidade: do infanticídio à função materna. Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de Sã Paulo. São Paulo, Brasil;
  • Masson, L., & Sehnem, S.B. (2014). O Infanticídio Decorrente da Psicose Pós-Parto. [em linha] PSICOLOGADO, psicologado.com. Acedido a 3 de junho de 2016 em https://psicologado.com/atuacao/psicologia-juridica/o-infanticidio-decorrente-da-psicose-pos-parto.
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