Trissomia 21 – musicoterapia

A musicoterapia junto de crianças com trissomia 21 pretende estimular o desenvolvimento das mesmas.

Trissomia 21 – musicoterapia

A musicoterapia junto de crianças com trissomia 21 pretende estimular o desenvolvimento das mesmas. Este desenvolvimento é principalmente marcado pela comunicação, que será a capacidade na qual a musicoterapia intervém mais.

“A Síndrome de Down ou Trissomia 21 resulta de um distúrbio da divisão dos cromossomos que influencia regularmente a formação do corpo das crianças afetadas.”

(Augusto, 2003, p.2).

No que diz respeito à musicoterapia na intervenção com indivíduos portadores de trissomia 21, Augusto (2003) sublinha a importância da mesma para o desenvolvimento psicomotor dos mesmos, uma vez que é possível associar o som aos elementos, como por exemplo, utilizar a música na construção de objetos para poder explorar o som destes.

Assim, complementando a musicoterapia com a psicologia, podemos encontrar uma forma de acompanhamento que cria harmonia entre duas ciências objetivando o sucesso evolutivo do desenvolvimento destas crianças (Pereira, 2013).

A musicoterapia tem a pretensão, em primeiro lugar, de ser associada aos estímulos sonoros já utilizados pela mãe da criança com trissomia 21, reforçando os mesmos, uma vez que estes serão fundamentais ao longo de todo o desenvolvimento da criança (Augusto, 2003).

É preciso compreender que o trabalho entre o profissional que utiliza a estratégia da musicoterapia, o psicólogo e o trabalho da mãe, são eficazes quando se fazem em equipa pelo que a criança terá o acompanhamento triplo, do terapeuta, do psicoterapeuta e da família, o que a levará a ter muito mais sucesso e segurança no cumprimento dos seus objetivos (Augusto, 2003). Assim a intervenção é feita no âmbito da continuidade, ou seja, o trabalho terapêutico é feito em parceria e continua em casa junto da família, principalmente, da mãe (Augusto, 2003).

O papel da mãe, no processo de musicoterapia junto da criança com trissomia 21 está extremamente associado à diminuição da ansiedade, dos medos e da aceitação (Pereira, 2013).

Quando se fala de musicoterapia compreende-se toda uma ficha musicoterápica, isto é, a presença da música em todos os contextos do ambiente familiar em que a criança se insere, desde discos, rádios, estilos de música preferidos e complementação dos mesmos com a comunicação, pois tudo isto ajuda, com bastante eficácia, a desenvolver o vocabulário (Augusto, 2003). A musicoterapia é realizada ainda através de instrumentos musicais como o violão e o quizo, CD’s de canções infantis e outros géneros de música que façam parte da vida de ambos (mãe e bebé) (Pereira, 2013).

Segundo Pereira (2013) quando se insere uma criança com trissomia 21 num processo de musicoterapia e psicologia, deve-se encaminhar a mãe para esse setor, para que os terapeutas possam recolher informação, através da anamnese, com vista aos meios de intervenção, tais como perceber as eventuais dificuldades sociais e afetivas existentes entre a mãe e a criança.

Dentro desta terapia, é necessário perceber como funciona o dia-a-dia da criança com trissomia 21, e procurar saber de que forma é que a música tem um papel importante na sua vida, para poder agir em função desse processo, orientando o mesmo por prioridades e preferências (Augusto, 2003).

A ficha musicoterápica permite, então, obter dados para a organização de aspectos psicológicos e sociais acerca da vida da criança, e, posteriormente, encaminhar a mãe no processo de musicoterapia (Pereira, 2013).

Esta intervenção é sempre realizada entre o musicoterapeuta e o psicólogo, junto da mãe e da criança, cujo objetivo é criar uma alavanca de comunicação com esta última através da música e, desta forma, promover o desenvolvimento do vocabulário bem como organiza-lo (Pereira, 2013). A utilização da musicoterapia deve ser efetuada em forma de paródia no sentido de estimular a comunicação (Pereira, 2013).

Ao mesmo tempo, a junção entre a musicoterapia e a psicologia permitem trabalhar os medos e anseios já anteriormente referidos e orientar a mãe no que concerne à trissomia 21 (Pereira, 2013).

É importante referir que todo este processo deve ser iniciado ainda durante os primeiros meses de vida, para que seja o mais precocemente possível, para que a criança seja acompanhada e estimulada no seu desenvolvimento desde o seu início de vida e, posteriormente, deve ser alargado às relações familiares além da mãe (Pereira, 2013).

Conclusão

A revisão da literatura permite-nos compreender o enorme sucesso da musicoterapia e da psicologia do desenvolvimento e estimulação de crianças com trissomia 21, aliados ao trabalho materno e familiar. Verifica-se que a musicoterapia é uma das melhores formas de estimular o desenvolvimento da comunicação nestas crianças pelo que se torna necessário perceber como funciona o mundo sonoro das mesmas para intervir em conformidade com o mesmo.

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References:

  • Augusto, M.I. (2003). As possibilidades de estimulação de portadores da síndrome de down em musicoterapia. Monografia apresentada ao Conservatório Brasileiro de Música – Centro Universitário;
  • Pereira, Gláucia Tomaz Marques (2013). MÃES QUE CANTAM: A CANÇÃO NA RELAÇÃO DE AJUDA PARA MÃES DE BEBÊS COM SÍNDROME DE DOWN – TRANSDISCIPLINARIDADE ENTRE MUSICOTERAPIA E PSICOLOGIA. Nac. das Apaes – Fenapes | Brasília/DF | v.3 | nº3 | p.40-51 | ago/dez. 2013. Acedido a 15 de setembro de 2016 em http://apaeciencia.org.br/index.php/revista/article/view/23/26.
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