Deficiência mental ligeira

A deficiência mental ligeira associa-se às limitações que levam o indivíduo a adquirir competências de forma mais prolongada do que seria espectável para a sua idade.

A deficiência mental ligeira associa-se às limitações que levam o indivíduo a adquirir competências de forma mais prolongada do que seria espectável para a sua idade. Contudo, ela não implica, necessariamente, a impossibilidade de adquirir competências como qualquer outro indivíduo não portador da deficiência mental.

De acordo com a definição do DSM-IV-TR (2000) a deficiência mental associa-se à capacidade intelectual abaixo da média, avaliada no comportamento adaptativo do indivíduo antes dos 18 anos.

Alguns estudos baseados na concepção da própria Organização Mundial de Saúde (OMS) compreendem que a deficiência mental não deve ser sempre avaliada pela mesma perspectiva, uma vez que ela pode ter diferentes graus, contudo o artigo se focará, principalmente, na deficiência mental ligeira (Silva, 2006). É entendida como uma subanormalidade ligeira, dentro da qual, o indivíduo pode, perfeitamente, ser orientado (Silva, 2006).  Neste tipo de deficiência, o doente passa, apenas, por episódios esporádicos de intervenção, pelo que a intensidade da mesma vai variar de acordo com a situação e, principalmente, nos momentos de transição do ciclo de vida (Silva, 2006).

Segundo os trabalhos de Coelho e Coelho (2001) algumas das particularidades da deficiência mental ligeira, prendem-se com o facto de que a mesma não é perceptível a olho, ou seja, o indivíduo não apresenta nenhuma alteração física, por exemplo, facial. Devido a esta particularidade, uma vez que a deficiência na se encontra facilmente visível, por vezes são depositadas expetativas sobre o indivíduo que não se adaptam às suas capacidades por serem irrealistas perante a sua condição, o que acaba por trazer consequências de fracasso, principalmente em termos de relacionamentos interpessoais (Coelho, & Coelho, 2001).

Em termos métricos os estudos revelam que se trata de um quadro de deficiência mental ligeira quando o quociente de inteligência (QI) do paciente, se encontra entre os 50 e os 70 (Silva, 2006).

Nestas situações ele consegue assumir diferentes capacidades práticas, desde que devidamente orientado, através das necessidades educativas especiais (nee), o que lhes irá permitir incluir na sociedade (Silva, 2006).

Coelho e Coelho (2001) revelam que se verificam alguns desvios no que concerne ao comportamento do indivíduo, principalmente na adolescência, em que o défice intelectual não lhes permite assumir uma conduta normalizada, conduzindo a limitações na capacidade de desenvolver estratégias de coping adequadas à idade.

De acordo com os trabalhos levados a cabo por Silva (2006) são estes indivíduos que apresentam algumas dificuldades de aprendizagem durante o período escolar, no entanto, isso não implica que, futuramente, lhes irá ser vedado o acesso a um estilo de vida normal. Assim, eles são capazes de trabalhar, de ter bons relacionamentos sociais e até mesmo de contribuir para o desenvolvimento e a evolução da sociedade (Silva, 2006).

Contudo, por vezes, o indivíduo é, imediatamente, rotulado como “diferente” o que coloca um abismo associado à (im)possibilidade de inclusão (Coelho, & Coelho, 2001). Isto significa que a capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sociedade é possível mas num período de tempo diferente daquele que é esperado para a idade do indivíduo portador de deficiência mental ligeira (Coelho, & Coelho, 2001).

De referir ainda que, habitualmente, o indivíduo tem consciência e insight sobre as suas limitações (Coelho, & Coelho, 2001).

Versões mais antigas do DSM-IV, definem a deficiência mental ligeira como atribuída a indivíduos cuja incapacidade pode ser “educável” (Silva, 2006).

Uma das características mais comuns da deficiência mental ligeira, é o atraso na linguagem, no entanto, não tão limitativo que impeça o indivíduo de realizar as tarefas do dia a dia bem como ser capaz de ter um discurso coerente (Silva, 2006).

Conclusão

A deficiência mental ligeira é, corriqueiramente, observada em qualquer instituição de ensino, na qual, os indivíduos diagnosticados são capazes de desenvolver as suas capacidades intelectuais, com tudo, com algum atraso em relação aos restantes membros da turma. Desta forma, eles são orientados e acompanhados por educadores e professores do ensino especial para que obtenham as ferramentas adequadas às suas necessidades. Na maioria das vezes, a deficiência mental ligeira não é impeditiva de desenvolver, ainda que de forma mais prolongada, capacidades e competências que permitam que o indivíduo se possa incluir normalmente na sociedade.

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References:

  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2000). DSM-IV-TR. MANUAL DE DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICA DAS PERTURBAÇÕES MENTAIS. 4ª Ed. Lisboa: Climepsi Editora;
  • Coelho, L, & Coelho, R. (2001). Impacto psicossocial da deficiência mental. Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal. Vol. 3, nº1, jan/jun 2001. Recuperado em 31 de outubro de http://www.redalyc.org/html/287/28730110/;
  • Silva, M.R.F. (2006). Efeitos da Natação na Coordenação Motora: estudo de caso de um indivíduo com deficiência mental ligeira. Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Porto. 2006.
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