Intersexualidade

A intersexualidade diz respeito à compreensão psicológica associada ao desenvolvimento do indivíduo no que diz respeito à sua designação de género, masculina ou feminina.

A intersexualidade diz respeito à compreensão psicológica associada ao desenvolvimento do indivíduo no que diz respeito à sua designação de género, masculina ou feminina.

Através dos estudos realizados por Santos e Araujo (2003) várias teorias acerca do tema da intersexualidade defendem que, no que diz respeito à sexualidade, em termos psíquicos, o indivíduo nasce neutro e desenvolve a sua psicossexualidade ao longo de uma evolução sexual saudável. No entanto, este amadurecimento no que diz respeito à psicossexualidade, também depende da genitália com que o indivíduo nasce (Santos, &Araujo, 2003).

Estas teorias assumem que a sexualidade do indivíduo depende mais de fatores sociais e ambientais do que de fatores biológicos (Santos, &Araujo, 2003).

Do mesmo modo, estes autores, um ano depois, aquando das suas pesquisas acerca do tema da intersexualidade, compreenderam ainda que esta condição está diretamente associada à forma como o indivíduo é criado e com os fatores que se associam ao seu desenvolvimento (Santos, &Araujo, 2004). Exemplo disso é o facto de já estar estereotipado desde que se nasce, o papel que se deve assumir em cada um dos géneros, até mesmo nas brincadeiras pelo que uns brinquedos estão designados para serem usados por um género e outros brinquedos pelo género oposto (Santos, &Araujo, 2004).

Tendo em conta estas teorias, Santos e Araujo compreendem que uma criança fisicamente entendida como interssexo, cujo desenvolvimento psicossexual se realizou de uma forma menos focada, terá a designação sexual mais rapidamente definida através da sua identidade de género do que através do sexo.

Devido a estes fatores que influenciam o desenvolvimento sexual da criança, é importante que a mesma se defina o mais cedo possível, preferencialmente por volta dos dois anos de idade, para que se consigam evitar confusões ligadas à própria identidade de género (Santos, &Araujo, 2003). Neste aspecto vale salientar que a confusão acerca da identidade de género diz respeito ao facto de a criança crescer fisicamente com uma genitália mas crescer identificando-se com o sexo oposto (Santos, &Araujo, 2003).

A nova definição de intersexualidade pretende evitar este tipo de confusão, a incerteza e toda uma panóplia de situações que levam os pais a confrontarem-se com uma situação de ambiguidade associada à compreensão sexual da criança acerca de si mesma (Santos, &Araujo, 2003).

Por este motivo, as autora defendem a necessidade de sensibilizar as crianças desde cedo para a necessidade de maior flexibilidade no que concerne à designação de género junto das crianças, para que as mesmas sejam capazes de assimilar e adaptar-se melhor a diferentes realidades (Santos, &Araujo, 2004).

Esta situação traz, quase invariavelmente, bastantes consequências, uma vez que leva à necessidade de procurar um especialista, a frequentes consultas médicas e, por vezes, até mesmo a procedimentos cirúrgicos até compreender que algo se passa (Santos, &Araujo, 2003).

Em relação à questão da necessidade de intervenção cirúrgica, Santos e Araujo (2004) referiram também os casos de hermafroditismo ou pseuso-hermaroditismo em que é necessário o acompanhamento adequado para que a criança possa perceber com que género se identifica mais.

Em termos sociais, a dificuldade em compreender-se e compreender o mundo em volta, prende-se com o facto de que a maioria dos indivíduos tem a sua sexualidade claramente definida o que faz com que estes indivíduos tenham maior necessidade de se compreender ao nível sexual (Santos, &Araujo, 2003).

Assim Santos e Araujo (2003) compreendem a intersexualidade como algo que pretende, primordialmente, promover a integração e a adaptação do indivíduo à sociedade.

Conclusão

A intersexualidade vista, primeiramente, desconstruir rótulos associados desde sempre ao ser humano no que concerne à definição do género masculino e do género feminino. Esta necessidade nasce do facto de alguns indivíduos não se conseguirem definir em relação aos outros, ou porque nascem com as duas condições de genitália, no caso dos hermafroditas ou pseudo-hermafroditas, ou porque não se identificam com o sexo com que nasceram, pelo que, nestes casos, entramos no âmbito da identidade de género. Isto faz com que haja uma procura do entendimento acerca de que forma estes indivíduos se podem compreender e encaixar com vista a que a sua adaptação e desenvolvimento sejam saudáveis em relação aos demais.

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References:

  • Santos, Moara de Medeiros Rocha, &Araujo, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de. (2003). A clínica da intersexualidade e seus desafios para os profissionais de saúde. Psicologia: ciência e profissão, 23(3), 26-33. Recuperado em 24 de abril de 2018 de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932003000300005;
  • Santos, Moara de Medeiros Rocha, &Araujo, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de. (2004). Intersexo: o desafio da construção da identidade de gênero. Revista da SBPH, 7(1), 17-28. Recuperado em 24 de abril de 2018 de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582004000100003.
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