Diversidade de género

A diversidade de género diz respeito à identificação de género não pertencente ao sexo biológico com que se nasce.

A diversidade de género diz respeito à identificação de género não pertencente ao sexo biológico com que se nasce. Indivíduos pertencentes a estes grupos são, na grande maioria, transexuais, trangéneros e travestis.

Quando se fala de género, a primeira coisa que se pensa é no binómio homem e mulher (Silva, & Barboza, 2005). No entanto, é necessário ter em consideração outro tipo de condição que poderá não se adequar a nenhum dos dois pólos (Silva, & Barboza, 2005). Referimo-nos ao indivíduo que, apesar de ter nascido biologicamente associado ao género masculino ou ao género feminino, encontra a sua identificação no género oposto (Silva, & Barboza, 2005).

A partir daqui, Madureira e Branco (2015) referem a importância de se falar na diversidade de género devido aos problemas a ela inerentes, pelos quais passam os indivíduos que se inserem nestes grupos.

Como compreendem Arán e Murta (2009) um dos grandes problemas associado à diversidade de género é o facto de, na condição de transexual ou outro tipo de identidade que não masculina nem feminina, o indivíduo se encontrar num quadro clínico que implica a intervenção médica cirúrgica que lhe permita encontrar uma forma de se sentir reorganizado consigo mesmo.

Os estudos apontam para a inadequação entre sexo e género quando, após todo o processo terapêutico inerente, se conclui que o indivíduo preenche todos os requisitos necessários para se dar início à mudança de sexo oficial (Arán, & Murta, 2009).

Tendo em conta todo este processo, o desenvolvimento  humano, na vertente psicológica, abrange vários aspectos como o ambiente físico, social e simbólico, dentro do qual, o indivíduo procura, constantemente, encontrar-se a si mesmo, no mundo (Madureira, & Branco, 2015).

Limitações sociais associadas à diversidade de género

No que diz respeito à diversidade de género, dentro do desenvolvimento humano existente, consideram-se aqui questões como a homofobia, ou o sexismo (Madureira, & Branco, 2015).

Neste sentido, alguns estudos evidenciam a exclusão social a que se assiste junto de indivíduos pertencentes a grupos não hegemónicos, mas a outros associados à diversidade de género da qual falamos (Silva, & Barboza, 2005).

 A estes indivíduos é negado o acesso a condições de vida normatizadas como o mercado de trabalho, os serviços de saúde, a segurança e o bem-estar, o direito à cidadania, entre outros, com base no facto de pertencerem à comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trangéneros/Transexuais) (Silva, & Barboza, 2005).

Muitos indivíduos passam por situações provocadoras de intenso sofrimento, porque não se enquadram na chamada heteronormatividade, encontrando-se em orientações sexuais diferentes da heterossexual, como é o caso da homossexualidade ou da transexualidade (Madureira, & Branco, 2015).

Segundo os estudos de Arán e Murta (2009) a diversidade de género está fortemente ligada a questões como a transexualidade e a identidade de género. Nestes estudos compreende-se tanto a transsexualidade como a identidade de género como fenómenos que ocorrem quando o sexo biológico com que o indivíduo nasceu não está de acordo com o género com o qual o mesmo se identifica e daí, encontrarmos a definição de diversidade sexual (Arán, & Murta, 2009).

“Esta denominação, que designa a insatisfação decorrente da discordância entre o sexo biológico e a identidade sexual de um indivíduo, aponta como única possibilidade de tratamento a realização de uma cirurgia de conversão sexual e a utilização de hormônios” (Murta, 2007, cit in Arán, & Murta, 2009).

Assim os trabalhos de Madureira e Branco (2015) procuram encontrar formas estratégicas de promover o estabelecimento de acesso à informação sobre as diferenças de desenvolvimento entre indivíduos, especificamente no que concerne ao género no sentido de extinguir e prevenir comportamentos hostis junto de quem é diferente.

Conclusão

A diversidade de género é um assunto vasto e bastante delicado que vem sendo estudado ao longo dos tempos devido às consequências a ela associadas. Indivíduos que não se identificam com o género inserido nas normas sociais, encontram diversos obstáculos no que diz respeito a todo o seu processo de desenvolvimento. Devido ao facto de se tratar de um problema interno de identificação pessoal, acarreta, na maioria dos casos, muito sofrimento porque a pessoa se encontra psicologicamente em desacordo com o seu género biológico. Devido a isso, nasce a necessidade de implementar todo um processo terapêutico e, muitas vezes, cirúrgico, para que o indivíduo volte a encontrar-se a si mesmo. Na maioria dos casos, para além da discordância interna, a pessoa encontra obstáculos para se inserir na sociedade já que a mesma não está preparada para lidar com situações que não se enquadram nas regras sociais vigentes, resultando na exclusão social destes indivíduos.

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References:

  • Arán, M., & Murta, D. (2009). Do diagnóstico de transtorno de identidade de género às redescrições da experiência da transexualidade: uma reflexão sobre gênero, tecnologia e saúde. Physis revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 19 [1]: 15-41, 2009. Recuperado em 22 de abril de 2018 de http://www.redalyc.org/html/4008/400838222003/;
  • Madureira, A.F.A., & Branco, A.U. (2015). Gênero, Sexualidade e Diversidade na Escola a partir da Perspectiva de Professores/as. Trends in Psychology/Temas em Psicologia -2015, Vol.23, nº3, 577-591. Recuperado em 22 de abril de 2018 de http://www.redalyc.org/html/5137/513751492005/;
  • Silva, A.S., & Barboza, R. (2005). Diversidade sexual, Gênero e Exclusão Social na produção da Consciência Política de Travestis. Althenea Digital – num. 8: 27-49 (otoño 2005). Recuperado em 22 de abril de 2018 de http://www.redalyc.org/html/537/53700802/.

 

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