Vulnerabilidade psicossocial

A vulnerabilidade psicossocial refere-se ao desajuste vivido pelo indivíduo, principalmente adolescente e jovem adulto, no que concerne à sociedade.

Vulnerabilidade psicossocial

A vulnerabilidade psicossocial refere-se ao desajuste vivido pelo indivíduo, principalmente adolescente e jovem adulto, no que concerne à sociedade.

Segundo os estudos de Ribeiro (2011) a vulnerabilidade psicossocial diz respeito a várias áreas sendo uma das principais aquela que se associa ao mercado de trabalho e, consequentemente, a conjuntura e a precariedade, principalmente, nas faixas etárias mais jovens.

Na maioria dos casos, de vulnerabilidade psicossocial de caris laboral, estão também associadas variáveis de caris educativo, familiar, comportamental e de valores, que influenciaram todo o desenvolvimento dos indivíduos que se encontram em situações mais vulneráveis (Paula, & Maciel, 2011).

A intervenção neste sentido, além de procurar solucionar circunstâncias de jovens em idade escolar que se encontram em situação de vulnerabilidade social, pretende ainda estabelecer um relacionamento positivo entre os mesmos, as suas famílias e a comunidade escolar, ou seja, possibilitar a construção de uma mediação dos conflitos escolares (Paula, & Maciel, 2011).

Paula e Maciel (2011) entendem ainda como mais vulnerável a situação dos adolescentes que aparecem junto de instituições de acolhimento com problemas associados ao nível sócio económico (NSE), má nutrição e baixa escolaridade. Em muitos casos encontram-se relatos de todo o tipo de abusos, o que implica consequências negativas no que concerne ao seu desenvolvimento (Paula, & Maciel, 2011).

Quando se fala na vulnerabilidade psicossocial destes jovens no campo laboral, é preciso compreender as condições a que eles tem acesso e as competências que é necessário que desenvolvam para serem devidamente orientados em relação às suas escolhas (Ribeiro, 2011).

Profissionais de vários setores associados à comunidade escolar, são os mais adequados para promover a possibilidade de entrada destes jovens no mercado de trabalho através de uma parceria com a família, assente em vínculos positivos e amenização dos conflitos entre ambas as partes (Paula, & Maciel, 2011).

De referir que, muitas vezes, estas situações acarretam altos níveis de sofrimento psíquico, o qual, é o grande responsável pelo alto grau de vulnerabilidade a que estão expostos (Paula, & Maciel, 2011).

No sentido da orientação profissional é importante que os jovens sejam acompanhados por profissionais ligados à psicologia do trabalho (Ribeiro, 2011).

Para tal, Paula e Maciel (2011) indicam a importância de intervenção de equipas multidisciplinares onde se inserem psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, professores, gestores e ainda administrativos cujo trabalho se realiza em interação com o jovem e com a sua família.

Vulnerabilidade psicossocial ou desajuste?

No que concerne ao termo “vulnerabilidade psicossocial” propriamente dito, Ribeiro (2011) indica que diz respeito à inadaptação ou desajuste de um indivíduo a uma realidade, cuja relação deve ser vista de forma mútua, já que ambos estão relacionados entre si, no sentido de produzir algo.

Assim, considera-se vulnerável a parte da população que se encontra em situação precária de emprego, inserida no grupo economicamente ativo (Ribeiro, 2011).

Muitas vezes esta situação deve-se ao próprio ambiente em que os jovens vivem, que não favorece a sua inclusão no mundo ativo, pelo que é necessário que o acompanhamento de jovens em situação precária de emprego e de desenvolvimento seja feito de perto, observando as condições em que os mesmos vivem (Paula, & Maciel, 2011).

Tendo em conta esta caracterização é importante referir que a população deixou de investir em questões de carreira para se adaptar a um processo social coletivo, o qual, é partilhado psicossocialmente (Ribeiro, 2011).

No entanto, Ribeiro (2011) indica que, devido à atual conjuntura, as populações ficam impedidas de participar no mundo ativo, o que, consequentemente, limita a capacidade para construir vínculos, ou seja, há maior tendência para desenvolver sentimentos de inutilidade perante a sociedade. Com base neste processo de desinstitucionalização em relação à sociedade, aumenta o risco de vulnerabilidade psicossocial associado ao mercado de trabalho (Ribeiro, 2011).

Todos estes cuidados e respetivo acompanhamento psicossocial, só podem ter verdadeira eficácia quando o jovem é devidamente acompanhado, também, pela família, assumindo a sua responsabilidade, no sentido de promover as oportunidades que lhes ofereçam maiores probabilidades de êxito (Paula, & Maciel, 2011).

Esta participação ativa da família pressupõe o enquadramento da mesma na orientação do jovem, com a sua presença em reuniões onde se possa partilhar informação, opiniões acerca do mesmo, bem como, ajudar a suportar dificuldades que possam ocorrer (Paula, & Maciel, 2011).

Conclusão

A vulnerabilidade psicossocial, principalmente, nas camadas mais jovens, diz respeito ao desajuste existente entre as mesmas e a sociedade, em vários aspetos, tais como o mercado de trabalho. Verifica-se que há maiores riscos de vulnerabilidade em jovens que se encontram em idade escolar, especialmente, quando o ambiente familiar não promove um desenvolvimento saudável. Tendo em conta, não só a conjuntura como o contexto de desenvolvimento que os jovens têm disponível, é importante que toda a comunidade escolar, em parceria com a família, se comprometa, de forma ativa, a reunir condições que permitam diminuir situações de risco.

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References:

  • Paula, Tassiane Cristine Santos de., & Maciel, Juliana Canedo. (2011). RELATO EXPERIÊNCIA ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE SOCIAL: O CUIDADO COMPARTILHADO COM A FAMÍLIA. Revista Soc.Bras. Enferm. Ped. São Paulo, julho de 2011 v.11, n.1, p.41-4. Disponível em http://www.sobep.org.br/revista/component/zine/article/140-adolescentes-em-vulnerabilidade-social-o-cuidado-compartilhado-com-a-famlia.html;
  • Ribeiro, M.A. (2011). Juventude e trabalho: construindo a carreira em situação de vulnerabilidade. Arquivos brasileiros de psicologia. http://seer.psicologia.ufrj.br/index.php/abp/article/view/724/588.
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