Grupos de risco

Os grupos de risco são formados, principalmente, por indivíduos que, por determinadas características, se encontram em situação de vulnerabilidade.

Grupos de risco

Os grupos de risco são formados, principalmente, por indivíduos que, por determinadas características, se encontram em situação de vulnerabilidade.

No que concerne ao conceito de grupos de risco, Guareschi, Reis, Huning e Bertuzzi (2007) referem a noção de vulnerabilidade a que os indivíduos pertencentes aos grupos de risco estão sujeitos. Fala-se, aqui, de pessoas discriminadas, por questões seja de raça, de orientação sexual, como homossexuais, ou por toxicodependência, ou ainda por serem portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DST), como é o caso da síndrome da imunodeficiência adquirida (HIV) (Guareschi, Reis, Huning, & Bertuzzi, 2007).

Assim sendo, em relação ao HIV “…a vulnerabilidade cresce quando aparecem algumas das situações a seguir: falta de acesso à informação, aos serviços básicos de educação e falta de confiança ou credibilidade na sustentação de estratégias de ação.”

(Guareschi, Reis, Huning, & Bertuzzi, 2007).

Sapienza e Pedromônico (2005) indicam que os grupos de risco são formados por indivíduos que estão mais expostos do que a média, a determinada doença ou comportamento. As variáveis associadas aos grupos de risco prendem-se com questões genéticas, biológicas e psicossociais, e, habitualmente, a palavra “risco” traz inerente uma conotação de fatalidade (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Há uma certa tendência para se associar as crianças e os adolescentes aos grupos de risco, na maioria das vezes, no entanto, passar a fazer parte de um grupo de risco, é uma condição que pode acontecer em qualquer idade (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Em geral, vários são os fatores que podem levar um indivíduo a fazer parte de um grupo de risco, especialmente a partir da infância, tais como: a prematuridade, a desnutrição, o baixo peso, a existência de lesões cerebrais, atrasos no desenvolvimento, o ambiente familiar, a raça, a etnia, o nível sócio económico (NSE), o desemprego, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, entre muitos outros (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

No que refere à questão da raça, por exemplo, Guareschi, Reis, Huning e Bertuzzi (2007), falam sobre os indivíduos de raça negra, que são, frequentemente, alvo de vulnerabilidade em função da sua cor, muitas vezes, sem mesmo que o seu NSE seja o mais baixo.

Corroborando estas teorias, alguns estudos indicam que, alguns grupos de risco, se encontram em vulnerabilidade social, por questão de recursos e habilidades, nomeadamente, ao nível dos serviços de saúde e das oportunidades que a própria sociedade proporciona, que se mostram escassas (Guareschi, Reis, Huning, & Bertuzzi, 2007).

De referir, no que diz respeito ao ambiente familiar, por vezes está associado a pais portadores de doenças psiquiátricas, tais como a esquizofrenia, ou então, por motivos stressores de ordem familiar, desenvolvimento de um quadro de hiperatividade, défice de atenção, entre outros (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Na fase da adolescência, os grupos de risco apresentam-se, normalmente, segundo registos de depressão, ansiedade, stresse, comportamento desviante ou perturbação de personalidade, abandono escolar, maternidade precoce, toxicodependência, violência, ambiente familiar precário e desestruturado, tal como já foi referido, etc (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Por outro lado, Guareschi, Reis, Huning e Bertuzzi (2007) indicam que os grupos de risco não contemplam apenas questões relacionadas com a saúde e com o comportamento desviante dos seus integrantes, mas também se relacionam com a educação, o trabalho, a rede de suportes disponível e até mesmo as políticas públicas, de forma generalizada (Guareschi, Reis, Huning, & Bertuzzi, 2007).

Não podemos descurar da noção de que o risco pode estar presente em qualquer família, pobre ou rica, no entanto, no caso das famílias mais pobres, por falta de condições e de acesso a cuidados, há maior tendência para a exposição dos seus elementos (Sapienza, & Pedromônico, 2005).

Abramovay (2002, cit in Guareschi, Reis, Huning, & Bertuzzi, 2007), do mesmo modo, indica que, em grande parte das situações, estes grupos não possuem os recursos necessários para evitar que caiam em situação de risco.

Devido a todas as dificuldades inerentes às condições em que os grupos de risco se encontram, as consequências associadas às mesmas, acabam por se traduzir em problemas de inserção social (Guareschi, Reis, Huning, & Bertuzzi, 2007).

Conclusão

Os estudos indicam que os grupos de risco abarcam diferentes tipos de características, sejam de doença, de raça, de orientação sexual, entre outros. Na maioria deles, algumas das principais razões prendem-se com o ambiente familiar, os recursos existentes, o NSE, ou ainda a falta de informação. Por esse motivo, torna-se imprescindível investir em programas de prevenção e de intervenção, no sentido de minimizar os danos.

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References:

  • Guareschi, Neuza M.F., Reis, Carolina D., Huning, Simone M., & Bertuzzi, Leticia D. (2007). Intervenção na condição de vulnerabilidade social: um estudo sobre a produção de sentidos com adolescentes do programa do trabalho educativo. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 7(1). Recuperado em 21 de outubro de 2016, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812007000100003;
  • Sapienza, G., & Pedromônico, M.R.M. (2005). RISCO, PROTEÇÃO E RESILIÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Psicologia em Estudo, Maringá, v.10, n.2 p. 209-216, mai/ago. 2005. scielo.br/pdf/pe/v10n2/v10n2a07.pdf.
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