Perfecionismo

Entende-se por perfecionismo a tendência para estabelecer metas ou ideais elevados ao nível da perfeição, em uma ou mais áreas da vida.

Conceito de Perfecionismo

Entende-se por perfecionismo a tendência para estabelecer metas ou ideais elevados ao nível da perfeição, em uma ou mais áreas da vida.

Não obstante o perfecionismo ser muitas vezes percebido, no senso comum, como uma característica positiva, este pode por vezes ser um obstáculo à concretização de objetivos ou planos (ver resolução de problemas).

Perfecionismo e distress psicológico

Ao colocar-se perante expetativas muito elevadas e idealistas, o indivíduo tende a desfocar-se do que são objetivos realistas, ajustados às circunstâncias e às suas potencialidades enquanto pessoa. Por outras palavras, o perfecionismo está, muitas vezes, associado a metas tão idealistas que frustram sistematicamente o indivíduo, podendo despoletar um sentimento de ineficácia e incompetência.

Outras vezes, estas metas ou conceções de desempenho irrealistas levam o indivíduo a procrastinar (ver procrastinação), bloquear ou evitar determinadas situações ou tarefas com medo de errar ou não ser capaz.

Nesta medida, o perfecionismo pode tornar-se disfuncional, podendo gerar um elevado distress psicológico, e em particular experiências de ansiedade ou depressão (ver perturbações de humor). No âmbito destas, as perceções de autoeficácia e autoestima encontram-se mais fragilizadas, por influência das regras tendencialmente rígidas, isto é, pouco flexíveis, sobre temáticas de competência e eficácia (e.g. o que considera ser um percurso profissional de “sucesso”; o que considera ser um profissional competente ou bem-sucedido).

Estas regras tomam a forma de ideais ou obrigações que deve cumprir, que ao não serem satisfeitas, por discrepância elevada entre o que é real e o que é ideal ou obrigatório (ver discrepâncias do Eu), tendem então a gerar respostas emocionais experiencialmente desagradáveis (e.g. frustração, zanga/raiva, tristeza, ansiedade).

Estas experiências frustrantes, ao não serem simbolizadas de forma ajustada (e.g. perceber que os objetivos podem ser irrealistas), contribuem então para a consolidação de crenças disfuncionais (ver crença disfuncional) e a elaboração de pensamentos automáticos negativos sobre a competência do indivíduo (e.g. “Eu não sou suficientemente bom”; “Se eu não fizer x, eu não sou um profissional competente”; “Eu não fiz X, logo sou incompetente”).

Nesta perspetiva, o perfecionismo pode inclusive condicionar a produtividade da pessoa, ao contrário da expetativa do indivíduo, bem como a sua capacidade de regular o tempo que dedica à produtividade e o tempo que dedica ao lazer. Para além da área laboral, na qual as temáticas da competência podem ser mais evidentes, é frequente que o perfecionismo se estenda a outras áreas da vida, como a social ou familiar.

Contudo, nem sempre se tornam evidentes para o indivíduo as consequências negativas do perfecionismo, ou ainda o indivíduo não as relacionar com as suas metas de perfeição. Em qualquer circunstância, pode ser importante a tomada de consciência desta tendência quando sistemática e geradora de distress, no sentido de o reduzir e promover um maior bem-estar psicológico.

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References:

Hewitt, P., & Flett, G. (1991). Perfectionism in the self and social contexts: Conceptualization, assessment, and association with psychopathology. Journal of Personality and Social Psychology, 60(3):456-470.

Maciejewski, P, Prigerson, H, & Mazure, C. (2000). Self-efficacy as a mediator between stressful events and depressive symptoms: Differences based on history of prior depression. The British Journal of Psychiatry, 176: 373-378.

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