MMPI

Conceito de MMPI. Composição e escalas. Interpretação

Conceito de MMPI

O MMPI, por extenso Minnesota Multiphasic Personality Inventory, é um inventário de autorregisto utilizado para avaliação da personalidade em Psicologia.

Este inventário é aplicado à população com idade superior a dezoito anos na sua versão MMPI-2 e à população adolescente, com idades compreendidas entre os catorze e os dezoito anos, na sua versão MMPI-A. Estas versões apresentam assim diferenças entre si.

Composição e escalas

O MMPI-2 é constituído por um conjunto de escalas de validade, responsáveis pelo enquadramento de situações de: confusão ou descuidado na resposta aos itens, inconsistência entre respostas, exagero na perturbação causada pelos sintomas ou ocultação desta, desejabilidade social e honestidade ou defensividade na resposta.

A par destas, inclui um conjunto de escalas clínicas que permitem conhecer as respostas ao inventário segundo a categorização em grupos de sintomas/queixas, tendencialmente associadas a perturbações psicológicas ou modos de funcionamento da personalidade, sendo estas as escalas:

  • Hipocondria, relacionada com a preocupação excessiva sobre o corpo e eventuais doenças físicas, sugerindo em certas situações perturbações de conversão ou delírios somáticos;
  • Depressão, relacionada com a presença de sintomas depressivos, podendo sugerir quadros de depressão clínica;
  • Histeria, indicadora de presença de sintomas físicos em resposta ao stresse associados à negação de perturbações psicológicas;
  • Desvio Psicopático, remete para a manifestação de problemas com a autoridade, problemas familiares com dificuldade na integração de valores e normas sociais, podendo enquadrar situações antissociais e de crime;
  • Masculinidade-Feminilidade, indicadora do funcionamento ao nível dos interesses do indivíduo, ou mais ou menos centrados naqueles associados ao estereótipo de masculinidade e feminilidade;
  • Paranoia, remete para a identificação de manifestações como ideias de referência, desconfiança e sentimento de perseguição e sensibilidade à crítica dos outros, podendo sugerir quadros de psicose, mais frequentemente paranoia e esquizofrenia;
  • Psicastenia, relacionada com queixas de tensão, ansiedade, medo e dúvida excessivos, podendo sugerir quadros de perturbações de ansiedade, como a perturbação obsessivo-compulsiva;
  • Esquizofrenia, remete para dificuldades de adaptação social e relacionamento familiar deficitário, preocupações e dificuldade de distinção entre fantasia e realidade, podendo sugerir quadros de psicose, mais concretamente esquizofrenia;
  • Hipomania, indicadora da atividade do indivíduo, irritabilidade e dificuldade no controlo dos impulsos e sociabilidade, podendo indicar sintomas hipomaníacos;
  • Introversão social, sugestiva de situações de isolamento ou evitamento de situações sociais, passividade e autodesvalorização.

Interpretação

A interpretação dos resultados do inventário, realizada pelo psicólogo (o único profissional habilitado a fazê-lo), implica a consideração de todas as escalas, atendendo à sua configuração. Por outras palavras, as escalas são interpretadas em relação umas com as outras, ao invés de serem interpretadas isoladamente. Neste sentido, o MMPI pode sinalizar situações de perturbação, não obstante a sua utilização não se restringir a este fim, já que é útil na compreensão do funcionamento da personalidade do indivíduo.

O MMPI-2 pode ser utilizado em diferentes contextos de atuação da psicologia, tais como o contexto clínico e o contexto forense.

Palavras-chave: MMPI; personalidade; avaliação psicológica

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References:

  • Groth-Marnat, G. (2003). Handbook of Psychological Assessment. New Jersey: John Wiley & Sons, Inc.
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