Xilofone

Morfologia, origem e desenvolvimento do instrumento musical de percussão xilofone.

Xilofone

O xilofone é um instrumento musical de percussão de altura definida, constituído por uma série de barras de madeira muito dura e sonora (ou de material sintético), dispostas cromaticamente como as teclas de um piano. As barras são colocadas sobre cordas ou fios de borracha que passam em orifícios feitos em pontos nodais das barras, ou alternativamente assentam simplesmente sobre um colchão de feltro. Para afiná-las, dado que possuem comprimentos e espessuras diferentes, deve-se escavar em arco a sua parte inferior (o que faz descer a altura do som) ou diminuir o seu comprimento (o que a faz subir).

Actualmente, os modelos de xilofone usados em orquestras apresentam tubos ressonadores debaixo das barras, com o objectivo de enriquecer a sonoridade seca e penetrante do instrumento. O âmbito do instrumento é normalmente de quatro oitavas, começando no dó central. As notas são escritas uma oitava abaixo do som real.

O xilofone é também classificado de idiofone percutido, dado que as barras são colocadas em vibração através do auxílio de baquetas de madeira, borracha dura ou plástico para sons mais fortes, e em fio de lã para passagens mais suaves. O critério do material das baquetas fica geralmente a cargo dos músicos; os compositores, por norma, especificam somente o uso de baquetas duras, médias ou moles.

Xilofone

Origem e desenvolvimento do xilofone

O xilofone é um instrumento originário do sudoeste asiático e o seu uso é muito comum especialmente em culturas não ocidentais. Hoje em dia, encontram-se vários xilofones no seu estado mais primitivo em regiões africanas. Embora não se saiba exactamente quando ou como foram introduzidos nesta região do globo, acredita-se que tenha ocorrido antes do século XV.

Entre estas formas primitivas do instrumento, destacam-se, por exemplo, o xilofone de terra, em que as barras são colocadas numa vala ou buraco no solo, estando apoiadas nos pontos nodais sobre pedaços de um material semelhante à cortiça, e o xilofone de pernas, em que as barras são são dispostas nas pernas de uma pessoa sentada, normalmente uma mulher. Uma versão ligeiramente mais desenvolvida do que as anteriores é o xilofone de troncos. Neste caso, dois troncos de árvores pousados no chão servem de suporte para algumas barras colocadas transversalmente. Este tipo encontra-se em África mas também em países como a Indonésia ou a Papua-Nova Guiné.

Nas fases seguintes do seu desenvolvimento, surgem modelos assentes numa estrutura e modelos portáteis; a afinação das barras começa a ser uma constante e aplicam-se cabaças debaixo das barras para aumentar a sonoridade do instrumento. Estes modelos aproximam-se já do xilofone actual.

Depois da introdução do xilofone em África, acredita-se que este terá seguido para a América do Sul. No entanto, os xilofones que chegaram à Europa a partir do século XV são oriundos da Indonésia. O primeiro registo encontrado relativo ao xilofone na Europa remonta ao ano de 1511, quando o organista e compositor alemão Arnolt Schlick conheceu o instrumento como registo de órgão, sob o nome de hölzern Gelächter (riso de madeira).

O modelo cromático actual do instrumento começou a ser utilizado na música ocidental a partir do século XIX. O primeiro compositor a escrever para xilofone, como instrumento de orquestra, foi o francês Camille Saint-Saëns em «Dança Macabra», no ano de 1874. O músico utilizou-o ainda, no «Carnaval dos Animais», em 1886, representando “Os Fósseis”.

Contudo, o xilofone só começou a ser realmente explorado no século XX, não como uma mera sonoridade, mas mas com instrumento per se. Neste sentido, o autor Luís Henrique destacou algumas das suas intervenções de maior interesse:

  • «Carte Blanche», John Addison;
  • «Little Serenada», William Bardwell;
  • «Piece for Mo», David Bedford;
  • «The Shape of Things to Come», Arthur Bliss;
  • «Le Marteau sans Maître», «Pli Selon Pli», Pierre Boulez;
  • «2.ª Sinfonia», Havergal Brian;
  • «Variações e Fuga sobre um tema de Purcell», Benjamin Britten;
  • «Dance Symponhy», «Appalachian Spring», «3.ª Sinfonia», Aaron Copland;
  • «Concerto para piano n.º 2», Hans Werner Henze;
  • «Kammermusick, nr.º 1». Paul Hindemith;
  • «Fantasy on Japanese Wood Prints», de Alan Hovhaness;
  • «Concerto para orquestra», Witold Lutoslawsky;
  • «Chronochramie», «Sept HaïKaï», «Couleurs de la Cité Céleste», Olivier Messiaen;
  • «1.º Concertino para Percussão e Orquestra», Thomas B. Pitfield»;
  • «1.º Concerto para Piano», «Street Corner Overture», Alan Rawsthorne;
  • «Moses und Aaron», Arnold Schönberg;
  • «O Pássaro de Fogo», «Les Noces», Igor Stravinsky;
  • «3.ª Sinfonia», «Concerto para Orquestra», «Concerto para Piano», Michael Tippett;
  • «Concerto Asiático», Tomasi;
  • « Sinfonia Concertante», Sir William Walton;
  • «Sonata para xilofone solo», T. Pitfield. 
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References:

Henrique, L. (1998). Instrumentos Musicais. Fundação Calouste Gulbenkian.

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