Messiaen, Olivier

Biografia do compositor, organista e professor francês Olivier Messiaen (1908-1992), conhecido pelo uso de temáticas religiosas e do canto de pássaros nas suas obras.

Nascimento 10 de Dezembro de 1908, Avignon, França
Morte 27 de Abril de 1992, Paris, França
Família Mulheres: Claire Delbos (1932-1959); Yvonne Loriod (1961-1992). Filhos: Pascal (1937)
Ocupação Compositor, organista e professor
Principais obras «Offrandes oubliées»; «Apparition de l’église éternelle»; «Nativité du Seigneur»;  Quatuor pour la fin du temps»; «Mode de valeurs et d’intensités»; «Turangalîla-Symponie»; «La transfiguration de notre seigneur Jésus-Christ»; «Le Réveil des oiseaux»; «Oiseaux exotiques»; «Catalogue d’oiseaux»

Primeiros anos

Olivier Messiaen nasceu no dia 10 de Dezembro de 1908, em Avignon, na França. O compositor era filho do académico especializado em literatura inglesa Pierre Messiaen e da poeta Cécile Sauvage. Começou a  compor com sete anos e ensinou-se, ele próprio, a tocar piano.

Com onze anos, ingressou no Conservatório de Paris, onde estudou até 1930, com Marcel Dupré, Paul Dukas, Georges Caussade, entre outros. Nos últimos anos estudou, também, ritmos musicais gregos e indianos, cantochão e música tradicional. Também notou o canto de todos os pássaros franceses, classificando-os por regiões. Messiaen citou e utilizou o canto dos pássaros em várias das suas obras.

La jeune France e a II Guerra Mundial

Em 1931 tornou-se organista da L’Église de le Trinité, onde se manteve desde então. De 1936 ao início da II Guerra, em 1939, leccionou na Schola Cantorum de Paris e na École Normale de Musique. Ainda em 1931 foi apresentada uma das obras que lhe traria reconhecimento enquanto compositor, «Offrandes oubliées». Em 1938, o «Nativité du Seigneur» reafirmaria a sua reputação.

Messiaen casou com a violinista e compositora Claire Delbos em 1932. O casamento inspirou o músico a compor trabalhos para a mulher executar, por exemplo, «Thème et variations» para violino e piano, e peças que celebraram a felicidade doméstica do casal, «Poêmes pour Mi». Em 1937 nasceu o filho de ambos, Pascal. Delbos viria a perder a memória gradualmente depois de uma operação, já no final da guerra, e viveu num sanatório até à sua morte, em 1959.

Olivier Messiaen

Em 1936, juntamente com os compositores André Jolivet, Daniel Lesur e Yves Baudrier, fundou La Jeune France, um grupo que tinha como objectivo a promoção da nova música francesa.

Durante a II Guerra Mundial, foi capturado pelas tropas alemãs (em 1940) e levado para Görlitz. Nessa altura teve a oportunidade de conhecer um violinista, um violoncelista e um clarinetista entre os prisioneiros, o que o motivou a escrever um trio que foi gradualmente incorporado no «Quatuor pour la fin du temps». Foi apresentado em 1941 para uma plateia de prisioneiros e guardas.

Depois da II Guerra Mundial

Depois de libertado, voltou a assumir o seu posto de organista na L’Église de le Trinité e começou a dar aulas no Conservatório de Paris  (harmonia, depois análise a partir de 1947 e composição desde 1966). Entre os seus alunos estiveram Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez, Jean-Louis Martinet, Xenakis e Yvonne Loriod, com quem casou em 1961. Em 1944, Messiaen compilou a sua técnica de composição em «Technique de mon langage musical».

O compositor não utilizou o dodecafonismo mas depois de três anos a estudar e a ensinar o método de Schönberg, ele próprio experimentou formas de o “alargar” através da duração, da articulação e da dinâmica. O resultado destas inovações foi «Mode de valeurs et d’intensités». Esta obra pode não ser a primeira representante integral do serialismo total mas foi fundamental para o seu desenvolvimento, inspirando Boulez e Stockhausen. Durante este período fez experiências, também, com a música concreta.

Últimos anos

No Verão de 1978, Messiaen deixou de dar aulas no Conservatório. Foi promovido ao grau mais elevado da Legião da Honra em 1987. Devido a uma operação não pôde participar na celebração do seu 70.º aniversário, em 1978. No entanto, em 1988, marcou presença no Royal Festival Hall de St. François, em Londres, para efeitos da comemoração do seu 80.º aniversário.

Apesar da dor que o acompanhou nos últimos anos de vida, obrigando-o a várias cirurgias às suas costas, ainda conseguiu concluir um trabalho que lhe tinha sido encomendado pela Orquestra Filarmónica de Nova Iorque «Éclairs sur l’au-delà», que foi apresentada seis meses depois da sua morte. Messiaen faleceu em Paris, no dia 27 de Abril de 1992.

Olivier Messiaen

Legado musical de Messiaen

A música de Messiaen combina a sua profunda fé católica com a celebração do amor humano e do seu amor à natureza.

Em termos de música inspirada pela religião olhe-se aos seguintes exemplos: «Apparition de l’église éternelle» para órgão (1932); «Visions de l’amen» para dois pianos (1934); «Trois petites liturgies de la présence divine» para coro feminino e orquestra (1944); «Vingt regards sur l’enfant Jésus» para piano (1944); «Messe de la pentecôte» para órgão (1950); «La transfiguration de notre seigneur Jésus-Christ» para orquestra e coro (1969). O canto dos pássaros, indispensável no trabalho de Messiaen, pode ser encontrado em «Le Réveil des oiseaux» (1953); «Oiseaux exotiques» (1956) ou «Catalogue d’oiseaux» (1959). Ambas as mulheres foram, também, fundamentais para o seu trabalho de composição, com várias obras dedicadas ou criadas para a execução das mesmas.

Messiaen deu uma nova dimensão à cor e intensidade de música para órgão, fazendo um uso especial das reverberações acústicas e contrastes de timbres. A sua harmonia, rica e cromática, deriva do uso das progressões modais de 7.ª e 9.ª de Debussy. Nas suas obras para orquestra fez uso das ondas Martenot (um instrumento electrónico) e de instrumentos de percussão exóticos, produzindo atmosferas orientais. Um conhecido exemplo é a notável «Turangalîla-Symponie» (1948), com dez movimentos, e que inclui um solo de piano, a utilização de instrumentos de percussão de forma semelhante a uma orquestra de gamaleão javanês, e ondas Martenot. O seu trabalho rítmico foi novo, envolvendo métricas irregulares, algumas delas originadas por antigos procedimentos gregos. Messiaen também reconheceu a supremacia da melodia.

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References:

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

The Editors of Encyclopædia Britannica. (2014). Olivier Messiaen. Em http://www.britannica.com/biography/Olivier-Messiaen

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