Peptidoglicano

Conceito de Peptidoglicano

O peptidoglicano, também conhecido como mureína, é um dos componentes principais presentes na parede celular da maioria das bactérias. A sua principal função é preservar a integridade da célula e resistir à turgescência, ou seja, sem a sua presença a célula acabaria por lisar. O peptidoglicano também contribui para a manutenção de uma forma celular definida e sustentar outros componentes da parede celular como proteínas e ácidos teicóicos.

Presente na parede das bactérias mas ausente nas archeas, o peptidoglicano constitui uma das principais diferenças entre estes dois domínios procariotas. O peptidoglicano é o único polímero da parede celular em comum entre as bactérias Gram positivas e negativas mas a parede celular das bactérias Gram-negativas contém apenas cerca de um quinto da quantidade de peptidoglicano comparativamente àquela encontrada na espessa parede celular das bactérias Gram-positivas.

O peptideglicano é um heteropolímero constituído por cadeias lineares de resíduos de açúcares chamados glicanos e por curtos péptidos que estabelecem ligações cruzadas entre as cadeias polissacáridas. Estas cadeias são compostas por resíduos alternados de N-acetilglucosamina e ácido N-acetilmurâmico associadas por ligações glicosídicas β (1 → 4).

Os curtos péptidos compostos por quatro a cinco resíduos de aminoácidos que estabelecem as ligações cruzadas entre as cadeias polissacáridas paralelas e estão anexados aos resíduos de ácido N-acetilmurâmico. Os péptidos contêm aminoácidos de configuração L e D alternados, sendo que a ocorrência de aminoácidos de configuração D é uma característica típica do peptidoglicano. Nas bactérias Gram-negativas como a Escherichia coli, o péptido consiste em L-alanina (o primeiro aminoácido ligado ao ácido N-acetilmurâmico), D-glutamato, ácido diaminopimélico e D-alanina e dois tetrapéptidos vizinhos ligam-se através de uma ponte entre um resíduo do ácido diaminopimélico a um resíduo de D-alamina do péptido adjacente. Já para bactérias Gram positivas como Staphylococcus aureus, o péptido consiste em L-alanina, D-glutamato, L-lisina e D-alanina e uma ponte de pentaglicina adicional liga os tetrapéptidos.

Antibióticos β-lactâmicos como as penicilinas e as cefalosporinas interferem na biossíntese do peptidoglicano. Estes antibióticos ligam-se a transpeptidades e evitam a formação de ligações cruzadas dos péptidos do peptidoglicano. Assim, forma-se um peptidoglicano defeituoso e enfraquecido, resultando na lise das células bacterianas.

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