Carvalho (Biologia)

Conceito de Carvalho (Biologia):

Carvalho é o nome comum dado à maior parte dos elementos do género Quercus. A sua família é a Fagaceae e a sua ordem corresponde à ordem Fagales. O termo carvalho deriva do termo “carv” que significa ramagem.

Os carvalhos eram árvores consideradas sagradas na antiguidade, sendo muitas vezes veneradas pelas religiões pagãs. Simbolizava a longevidade, o vigor, a força e a lealdade. Os druidas, sacerdotes pagãos, tinham o costume de se reunir em carvalhais onde praticavam os seus rituais, este fato fez com que a palavra celta para carvalho desse origem ao nome destes sacerdotes.

Este género possui espécies perenes assim como espécies caducifólias, sendo nativas de regiões com o clima temperado e clima frio, em particular no hemisfério norte. A sua floração ocorre normalmente na primavera, podendo variar consoante a espécie. Normalmente são espécies muito resistentes e pouco exigentes, podendo crescer praticamente em todos os tipos de solo.

O seu fruto é denominado de bolota sendo muito utilizado como alimento para os porcos. As suas folhas são, muitas vezes, recortadas e possuem diferentes formas consoante a espécie. A elevada longevidade é uma caraterística de quase todos os elementos deste género.

O género Quercus foi descrito por Lineu e contém mais de 600 espécies. A identificação é muitas vezes efectuada através da análise das suas bolotas ou da forma das suas folhas, esta pode ser difícil devido à sua semelhança entre espécies e ao fato de os carvalhos se hibridizarem muito facilmente, dificultando assim a sua distinção.

Em Portugal:

O carvalho é uma das árvores mais reconhecidas de Portugal, sendo mesmo considerada um símbolo do país. A sua predominância estende-se praticamente a todo o território, no entanto, as espécies presentes vão variando consoante as condições ambientais, pois umas espécies estão melhor adaptadas a determinadas condições ambientais do que outras. Por exemplo é mais provável encontrar um sobreiro no sul do pais do que no norte, pois estes encontram-se bem adaptados a locais com temperaturas elevadas e pouca chuva.

Portugal é reconhecido em todo o mundo pelos seus trabalhos em cortiça, sendo que esta é um dos produtos obtidos dos sobreiros (Quercus suber). As bolotas originárias das várias espécies de carvalhos foram durante muito tempo fonte de alimento para as populações mais pobres, sendo que hoje são usadas para preparar muitas iguarias típicas da região do Alentejo, por exemplo pão de bolota. As bolotas usadas são maioritariamente do sobreiro e da azinheira, devido à sua doçura.

Seguem alguns exemplos de espécies autóctones da Península Ibérica, particularmente de Portugal.

  • Carvalho-português ou lusitano (Quercus faginea) – espécie típica do centro e sul de Portugal, não ultrapassa os 20m sendo muitas vezes encontrado como espécie arbustiva. Árvore de folha caduca, a sua copa é bastante densa sendo muitas vezes de forma arredondada. Esta espécie prefere climas suaves a quentes podendo, no entanto, existir em climas continentais. O seu crescimento é lento e as suas bolotas servem de alimento a animais como os porcos. A sua madeira é usada para fazer vigas assim como serve de combustível.

  • Carvalho-negral (Quercus pyrenaica) – espécie espontânea em Portugal, está bem adaptado a climas quentes. As suas folhas são caducas e a sua copa é arredondada e pode adaptar-se a vários tipos de solo. Pode viver até os 300 anos, quando em condições favoráveis. Não atingem mais que 20m de altura. Durante muitos anos era usada para a obtenção de madeira. Normalmente é usada em atividades silvo-pastoris.

  • Carvalho-alvarinho ou carvalho roble (Quercus robur) – espécie típica do território português tendo sido durante um longo período de tempo a árvore dominante nas florestas portuguesas. Árvore de grande porte, podendo atingir até 45m de altura, apresenta uma grande longevidade que pode ir até os 300 anos. A sua copa é alta e larga, o seu tronco é robusto e direito. As suas bolotas amadurecem no outono e servem de alimento aos porcos.

  • Azinheira (Quercus rotundifolia) – espécie persistente, pode atingir os 20m de altura. O seu tronco é curto e retorcido. Típica do interior alentejano, está bem adaptada aos climas secos caraterísticos do Mediterrâneo. A sua exploração é feita sobre a forma de montado, com o intuito de obter a bolota para a alimentação. Surge muitas vezes em plantações conjuntas com o sobreiro. A sua longevidade pode atingir os 1000 anos.

  • Sobreiro (Quercus suber) – espécie típica do sul de Portugal. As suas folhas são persistentes e oblongas, forma uma copa ovalada. O seu tronco é muito espesso, uma vez que possui uma camada esponjosa, normalmente removida com fins comerciais (cortiça). A espécie encontra-se bem adaptada aos climas secos, possui raízes profundas e folhas com cutícula para impedir a perda de água. A sua longevidade pode atingir os 500 anos. As suas bolotas podem ser usadas para a alimentação.

Fontes:

Carvalheira, Marta; Castro, Marina; Castro, José Ferreira; Gallardo, J. F. (2005) – Contribuição para o estudo de solos florestais submetidos a pastoreio: caso da Quercus pyrenaica Willd. In 5º Congresso Florestal Nacional: a floresta e as gentes. Viseu: Instituto Politécnico

António, Nuno Cruz, (2009). Ficha do Carvalho-português. Consultado em: Junho 16, 2015, em http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Carvalho-portugues?bl=1&viewall=true#Go_1

Carvalho, João P.F.; Santos, José A.; Reimão, Dario (2005). O Carvalho-Negral em Portugal e Transformação Tecnológica da Madeira. 5º Congresso Florestal Nacional, IPV, Viseu. Consultado em: Junho 16, 2015, em http://repositorio.utad.pt/bitstream/10348/1517/1/Carvalho%20et%20al.pdf

Castro, Marina; Castro, José; Sal, António Gomez (2009). Efeito da Pastorícia Tradicional na Redução de Combustíveis Finos em Bosques de Quercus pyrenaica. Silva Lus. v.17 n.2 Lisboa. Consultado em: Junho 16, 2015, emhttp://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S0870-63522009000200002&script=sci_arttext&tlng=en

CRE, (2012). Carvalho-alvarinho [Quercus robur]. Consultado em: Junho 16, 2015, em http://www.100milarvores.pt/2012/11/carvalho-alvarinho-quercusrobur-fonte_8.html

ICN. Plano sectorial da rede Natura 2000, habitats naturais. Consultado em: Junho 16, 2015, em http://www.cienciaviva.pt/veraocv/2011/downloads/9230.pdf

Plantar Portugal. Espécies autóctones. Consultado em: Junho 16, 2015, em http://www.plantarportugal.org/index.php/especies-autoctones/

Quercus. Árvores e arbustos. Consultado em: Junho 16, 2015, em http://umaarvorepelafloresta.quercus.pt/arvores/

Palavras-chave

Bolota

Carvalhal

Plantas caducifólias

Plantas perenes

Espécies autóctones

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