Judith Butler

Judith Butler é uma das maiores notoriedades dos estudos culturais de género da atualidade.

Judith Butler

Judith Butler é uma das maiores filósofas pós-estruturalista dos estudos de género, teoria queer, feminismo e filosofia política. Ela nasceu no dia 24 de fevereiro de 1956, em Cleveland, Ohio, nos Estados Unidos da América (EUA). Hoje em dia, leciona no departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Por sua notoriedade nos estudos culturais e políticos, Judith Butle recebeu o título de professora de filosofia Hannah Arendt, no European Graduate School (EGS), Suíça onde também é convidada a dar aulas e palestras algumas vezes por ano. Polémica, Butler se dedicou aos estudos hegelianos no seu doutoramento, em 1984. Sua tese teve como título, Subjects of Desire: Hegelian Reflections in Twentieth-Century France.

Descendente de famílias judias, Judith Butler estudou em escolas hebreias durante toda sua infância e adolescência. Por isso, ela participa do Jewish Voices for Peace e é ativa na luta pela paz no Médio Oriente. Entretanto, Butler critica o sionismo e suas consequências.

Por conta disso, ela é extremamente criticada pelo Estado de Israel. Hoje ela faz parte do Boycott, Divestment and Sanctions em defesa da causa Palestina.

Gender Trouble

Em 1990, Judith Butler publicou seu livro mais célebre até agora, Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. Na versão em português recém traduzida é Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. A obra dedica-se a discutir os trabalhos de Sigmund Freud e Michel Foucault.

Em Gender Trouble, Judith Butler traz à tona a discussão sobre sexo, género e sexualidade. Ela explica que o género é uma construção social de estereótipos repetidos ao longo do tempo. Para a filósofa, sexo, género e sexualidade são performances, muitas vezes provenientes de escolhas involuntárias.

Ela também critica, nesta obra, a ideia de que o sexo biológico seja binário, ou seja, existam apenas as opções homem e mulher. Na sua crítica, Butler discorda do feminismo até então. Para ela, as feministas cometeram alguns erros ao longo da luta pela igualdade de género, principalmente por classificarem as mulheres como um grupo homogéneo.

Ao lutar pelos seus direitos, as mulheres acabaram por reforçar a ideia de que o género é binário. É o que outras autoras caracterizam como uma forma de backlash (Faludi, 2006).

Undoing Gender

Em 2004, Butler publica Undoing Gender. Uma coletânea de suas reflexões sobre sexo, género, sexualidade, performance e psicanálise. Nesta obra, ela comenta sobre a necessidade de desfazer as concepções restritivamente normativas de uma vida sexual e genderizada.

Neste refinamento de seus pensamentos, ela descreve como ocorre a performance do género sem que nosso consciente se dê conta. Butler chama este processo de automático ou mecânico. Ela conclui, então, que muitos dos nossos desejos não são derivados da nossa personalidade, mas, sim, das normas sociais que nos cercam.

Reconhecimentos

Judith Butler é reconhecida no mundo todo pelas suas teorias. Ela foi premiada por seus trabalhos duas vezes: Brudner Prize, em Yale (2004); e Eleita membro da American Philosophical Society (2007).

Judith Butler: obras já publicadas

  • 2015: Notes Toward a Performative Theory of Assembly e Senses of the Subject
  • 2013: Dispossession: the performative in the political (com Athena Athanasiou)
  • 2012: Parting Ways: Jewishness and the Critique of Zionism
  • 2009: Frames of War: When Is Life Grievable?
  • 2007: Who Sings the Nation-State?: Language, Politics, Belonging (com Gayatri Spivak)
  • 2005: Giving An Account of Oneself
  • 2004: Undoing Gender
  • 2004: Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence
  • 2003: Women and Social Transformation (com Elisabeth Beck-Gernsheim e Lidia Puigvert)
  • 2000: Contingency, Hegemony, Universality: Contemporary Dialogues on the Left (com Ernesto Laclau e Slavoj Žižek)
  • 2000: Antigone’s Claim: Kinship Between Life and Death
  • 1997: The Psychic Life of Power: Theories in Subjection
  • 1997: Excitable Speech: A Politics of the Performative
  • 1993: Bodies That Matter: On the Discursive Limits of “Sex”
  • 1990: Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity
  • 1987: Subjects of Desire: Hegelian Reflections in Twentieth-Century France
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References:

Faludi, S. (2006). Backlash: the undeclared war against American women. New York: The River Press.

Jagger, Gill (2008). Judith Butler: Sexual politics, social change and the power of the performative. New York: Routledge. pp. 115–8.

Butler, J. (2003). Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Butler, J. (1988). Performative Acts and Gender Constitution: An Essay in Phenomenology and Feminist Theory. Theatre Journal, 40(4), 519-531.

BUTLER, Judith. Sobre Anarquismo: uma entrevista com Judith Butler. In: Revista de Ciências Sociais, n. 36 – abril de 2012 – pp.19-27.

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