Imprensa cor-de-rosa

Conceito, história e valores-notícia da imprensa cor-de-rosa

Imprensa cor-de-rosa é a designação dada, genericamente, aos veículos de comunicação social especializados em cobrir o cotidiano das pessoas, sejam celebridades ou seres humanos comuns.

 

A imprensa cor-de-rosa (também designada de jornalismo cor-de-rosa, notícia cor-de-rosa ou jornalistas cor-de-rosa) é aquela que trabalha para favorecer os interesses e as necessidades do mercado com o objetivo de agradar a todos ou, de preferência, não desagradar a nenhum consumidor. Nesse sentido, publica informações leves ligadas às vidas privadas e públicas de várias pessoas, essencialmente figuras públicas, e, ao mesmo tempo, vende o espaço editorial para anunciantes divulgarem a sua publicidade. Por outras palavras, é aquele tipo de imprensa (jornal, revista, portal de informação…) em que um apresentador de televisão, por exemplo, pode e deve vender através da sua opinião/indicação um produto ou serviço de uma empresa, com contrato assinado e tudo!

Contudo, o maior fascínio da imprensa cor-de-rosa, produto da cultura de massas, está em mostrar aos seus leitores que os famosos são pessoas comuns, que têm problemas e dificuldades como elas. E isso revela por que é que os conteúdos deste tipo de imprensa são apetecíveis.

 

Exemplo:

As chamadas revistas de celebridades são um exemplo da dita imprensa cor-de-rosa porque fornecem aos seus leitores notícias “light” ou leves. Este tipo de revista social foca-se na vida íntima de pessoas conhecidas na sociedade, do cinema, televisão, jet-set, música, etc. O seu público, essencialmente feminino, adora, mas estas revistas costumam ser criticadas por fazerem a sua cobertura noticiosa de forma intrusiva e cometerem, por vezes, invasão de privacidade em relação a pessoas que não querem ter sua intimidade devassada. No entanto, o que acontece é que muitas outras pessoas não só não se importam como se oferecem para dar entrevistas e posar para fotos, o que promove a existência deste tipo de veiculo de comunicação social.

 

Um pouco de história…

A imprensa cor-de-rosa nasceu na segunda metade do século XX, filha da chamada imprensa sensacionalista e da chamada imprensa feminina do século XVIII. Porém, sabe-se que o interesse pela vida privada começou muito, muito antes, pelo menos na época romana. O imperador Augusto, por exemplo, publicou a “Acta diurni populi romani”, cujo objetivo era entreter a sociedade.

Atualmente, percebemos que o que distinguiu a imprensa cor-de-rosa dos outros órgãos de comunicação foi a sua tendência para se render ao mundo da publicidade e do mercado, misturando uma notícia com um anúncio ao mesmo tempo e alimentando as publireportagens.

A imprensa cor-de-rosa inaugurou uma nova fase de jornalismo que junta o espaço jornalístico com o espaço publicitário, permitindo que a lógica do mercado transite com naturalidade entre notícias, jornais e jornalismo.

Atualmente, a imprensa cor-de-rosa continua a tentar obter os seus lucros através da publicidade e consequentemente da audiência e para isso, de modo a atrair os leitores, procura assuntos sensacionalistas (muitas vezes fabricados) que reúnam no mesmo texto, consumo, entretenimento, publicidade, marketing, serviço, espetáculo, jornalismo, etc.

A imprensa cor-de-rosa, hoje em dia, continua a vender e a despertar a curiosidade nos leitores. Continua a incluir artigos de opinião, informação, análise e tantas outras matérias que transformam os jornalistas destas revistas numa espécie de detetives que pesquisam a vida privada dos famosos, alguns não respeitando a ética jornalística.

 

Valores-notícia da imprensa cor-de-rosa

Os valores-notícia do jornalismo generalista são a atualidade, novidade, veracidade, periodicidade e interesse público. Na imprensa cor-de-rosa, o discurso difere um pouco, tanto que se pode afirmar que os valores-noticia deste tipo de imprensa começam no predomínio absoluto das personagens e acabam no interesse humano em detrimento do interesse público. Claro que a atualidade dos acontecimentos é importante, mas aqui a atualidade é, muitas vezes, a continuação da contagem de histórias que em vez de verídicas, são apenas prováveis. O êxito deste discurso liga-se à maior ou menos parecença das chamadas personagens com as pessoas comuns, que têm tendência a identificarem-se com os seus ídolos. Embora as suas informações não sejam propriamente interessantes ou úteis, a imprensa cor-de-rosa possui os seus leitores fieis porque consegue apelar às emoções e esse público dita-lhe um último valor notícia: a periodicidade. Mas aqui, ao contrário dos jornais, a edição semanal é quanto basta. Uma edição mensal como as revistas cientificas seria muito, mas uma edição diária como os jornais seria dar pouco tempo de descanso ao seu público.

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