Stockhausen, Karlheinz

Biografia do compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007), um dos mais importantes compositores de música electrónica e serial no século XX.

Nascimento 22 de agosto de 1928, Burg Mördrath, Alemanha
Morte 5 de dezembro de 2007, Kürten, Alemanha
Ocupação Compositor, professor
Principais obras «Kreuzspiel»; «Estudo I»; «Estudo II»; «Momente»; «Zyklus»; «Carré»;«Getsang der Jünglinge»; «Stimmung»; «Hymnem»; «Licht»; «Klang»

Primeiros anos

Karlheinz Stockhausen nasceu no dia 22 de Agosto de 1928, em Burg Mödrath, na Alemanha. Filho de um mestre de escola, viveu em Altenberg a partir dos sete anos de idade, onde recebeu as suas primeiras lições de piano com o organista da Catedral de Altenberg, Franz-Josef Kloth. Mais tarde, aprendeu a tocar violino e oboé.

Entre 1947 e 1951, o compositor estudou pedagogia musical e piano no Conservatório de Música de Colónia e musicologia, filosofia e estudos germânicos na Universidade de Colónia. Embora tivesse estudado harmonia e contraponto, só revelou interesse pela composição a partir de 1950, ano em que estudou com Frank Martin e começou os seus próprios estudos analíticos das obras de Schönberg, Bartók e Webern.

Em 1952, foi para Paris com o objetivo de receber aulas de Olivier Messiaen e Darius Milhaud. Estudou com Messiaen durante um ano mas abandonou as aulas de Milhaud logo após as primeiras semanas. Além de estudar, trabalhou nos estúdios de música concreta da Rádio Francesa e fez experiências com a utilização de geradores de sons elétricos.

Início da carreira

Stockhausen regressou a Colónia em 1953, onde se tornou assistente de Herbert Eimert, no estúdio de música eletrónica da Alemanha Ocidental, Westdeutscher Rundfunk. Viria a ocupar a posição de Eimert entre 1963 e 1977. Ainda em 1953, compôs o «Estudo I», a primeira peça musical escrita a partir de ondas senoidais. Seguiu-se, no ano seguinte, o «Estudo II», o primeiro trabalho de música eletrónica a ser publicado.

Entre 1954 e 1956, Stockhausen estudou fonética, acústica e teoria da informação na Universidade de Bona. Estes estudos permitiram-lhe um entendimento completo do material da sua música, através da possibilidade de produzir um número infinito de sons e suas cambiantes e analisá-los cientificamente. Juntamente com Eimert, editou o jornal «Die Reihe» entre 1955 e 1962.

Karlheinz Stockhausen

Ensino

Palestrante nos cursos internacionais de verão para a nova música de Darmstadt (Escola de Darmstadt) desde 1953, começou a ser considerado o principal mestre de composição nesse local em 1957. Stockhausen deu os primeiros concertos-conferências nos EUA em 1958 e, a partir daí, continuou a dar concertos em vários locais ao mesmo tempo que dirigia pequenos conjuntos. Tornou-se, ainda, professor convidado em várias universidades norte-americanas.

Em 1963, fundou o Curso de Nova Música de Colónia, baseando-se na na ideia dos cursos de Darmstadt, onde ensinou até 1968. Tornou-se professor de composição na Escola Superior de Colónia em 1971, função que ocupou até 1978. Em 1998, criou os Cursos Stockhausen, que acontecem anualmente em Kürten, local onde residia desde 1965.

Morte

O compositor faleceu no dia 5 de Dezembro de 2007, em Kürten, depois de sofrer um ataque de coração. Tinha 79 anos de idade. Na noite anterior tinha completado um trabalho para ser interpretado pela Mozart Orquestra de Bolonha.

A música de Stockhausen

A primeira e maior influência na sua evolução musical foi Anton Webern. Através de uma análise detalhada da música de Webern compreendeu quão longe poderia levar as técnicas “webernianas”. Assim, desenvolveu a teoria das dimensões do som – altura, intensidade, timbre, duração e posição no espaço – serializando, à semelhança de Webern, todos os parâmetros.

O compositor desenvolveu, também, o método de composição, com pequenas células ou motivos, no que ele chamou “composição de grupo”, considerando grupo um lapso no tempo musical (os grupos mais extensos chamam-se momentos). A configuração de um trabalho resulta, portanto, do modo como os vários grupos se interrelacionam. O auge deste período surgiu em 1961-1964 com a obra «Momente».

Depois, Stockhausen procurou uma nova atitude para com a mobilidade da música, visto que a ordem dos grupos, cada um contido em si mesmo, podia ser variada, para que a continuidade musical fosse alterada. Por exemplo, em «Zyklus» (1959), para percussionista solo, o executante pode começar em qualquer uma das 17 páginas e continuar até chegar ao ponto de partida, fazendo a leitura da esquerda para a direita ou vice-versa. O elemento aleatório (música aleatória) nestas obras implica que não existem duas interpretações iguais.

Na música eletrónica, explorou o parâmetro espacial (e transferiu os mesmos processos para a música ao vivo nos seus «Gruppen» para três orquestras. Começou por especificar as maneiras de proceder – a colocação, o uso de microfones, etc – para a produção de sons, por vezes, como em «Carré», calculando antecipadamente os materiais e formas básicas, mas deixando em aberto a realização dos detalhes.

O conceito de música eletrónica, estranho para os ouvidos habituados às disciplinas da composição instrumental, era considerado para além do horizonte da maioria do público. Não obstante, Stockhausen possuía uma enorme corrente de seguidores, atentos ao seu trabalho: reexaminava constantemente as suas teorias, reestruturava as suas composições e explorava  novos processos de comunicação. Poucos compositores da nova música do século XX se podem aproximar de Stockhausen pela extensão e duração dos estudos que fez para a sua obra. Além de mais, à semelhança de Cage, Stockhausen foi um dos poucos compositores avant-gard a ter sucesso em meios populares.

Atingiu uma larga audiência com obras como «Getsang der Jünglinge», que combina sons electrónicos com a voz de um rapaz soprano alterada por efeitos de eco, filtros, etc, e «Stimmung», inspirada no Oriente, na qual durante 75 minutos, 6 cantores se vão apropriando de sons electrónicos produzidos por altifalantes escondidos recriando uma vocalização próxima do transe mas em permanente mudança. Com «Hymnen» (1969) compôs uma espécie de hino universal utilizando vários hinos nacionais e, em «Mantra» (1970), começou a reincorporar formas melódicas convencionais.

A partir de 1977, e até 2003, dedicou-se à composição de um trabalho fortemente imbuído nos conceitos de espiritualismo e misticismo. «Licht» é um ciclo de sete óperas, cada uma titulada com um dia da semana. Stockhausen tinha como objectivo unificar a história do Universo e a história do Homem, o biológico e o religiosa, a criação e a evolução.  A seguir, abraçou um novo e ainda mais ambicioso projecto, «Klang», que não veio a concluir. Esta composição teria 24 partes, cada uma correspondendo às 24 horas do dia. Compôs até à 21.º hora, tendo concluída uma delas na véspera da sua morte.

A visão de Stockhausen sobre música pode ser lida numa coleção alemã de 10 volumes, «Texte». Outras publicações de referência são «Conversations with Stockhausen», de Mya Tannenbaum (1987), «Stockhausen: Conversatons with the Composer» (1974), de Jonathan Cott, e uma compilação das suas palestras e entrevistas da autoria de Robin Maconie, «Stockhausen on Music» (1989).

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References:

Karlheinz Stockhausen: short biography. Em http://www.karlheinzstockhausen.org/karlheinz_stockhausen_brief_biography_english.htm

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

The Editors of Encyclopædia Britannica (nd). Karlheinz Stockhausen. Em https://www.britannica.com/biography/Karlheinz-Stockhausen

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