Falla, Manuel de

Biografia do compositor espanhol Manuel de Falla (1876-1946). Representante do nacionalismo musical foi, juntamente com Isaac Albéniz e Enrique Granados, um dos mais importantes músicos espanhóis do início do século XX.

Nascimento 23 de Novembro de 1876, Cádiz, Espanha
Morte 14 de Novembro de 1946, Alto Garcia, Argentina
Ocupação Compositor
Principais Obras «A Vida Breve»; «O Retábulo do Mestre Pedro»; «El Amor Brujo»; «O Chapéu de Três Bicos»; «Noites nos Jardins de Espanha»; «Fantasia Bética»; «Sete Canções Populares Espanholas»; «Quatro Peças Espanholas»

Primeiros anos

Manuel de Falla nasceu no dia 23 de Novembro de 1876, em Cádiz, na Espanha. Falla aprendeu a tocar piano com a mãe, passando a estudar, a partir de 1889, com Alejandro Odero. Aprendeu, ainda, técnicas de harmonia e contraponto com Enrique Broca.

Em 1900, já a viver em Madrid, continuou a receber lições de piano com José Troga, estudando também composição com Felipe Pedrell, que defendia que a música de uma nação devia ser baseada na sua música tradicional. Entre as suas primeiras peças encontram-se duas zarzuelas (a primeira das quais produzida em 1902), um género de ópera espanhola idiomática na qual a música se combina com diálogo falado. Não obstante, Falla foi mais influenciado pelo espírito nacionalista de Pedrell do que pelas próprias músicas tradicionais.

No ano de 1905, o músico recebeu dois prémios: o prémio da Academia de Belas-Artes de Madrid, com a ópera em 2 actos «La Vida Breve» (que não foi executada na altura) e o prémio Ortiz y Cusso para pianistas espanhóis.

Paris

Depois de ensinar piano durante dois anos em Madrid, Falla mudou-se para Paris, em 1907. Na capital francesa tornou-se amigo e foi muito influenciado pelos impressionistas Maurice Ravel, Claude Debussy e Paul Dukas, bem como Igor Stravinsky, Florent Schmitt, Isaac Albéniz e Sergei Diaghilev.

Por esta altura, compôs as «4 Peças Espanholas», interpretadas por Ricardo Viñes, em 1908, em Paris e, pelo próprio Falla, três anos depois, em Londres. Depois de vários esforços, conseguiu estrear «La Vida Breve» no dia 1 de Abril de 1913, em Nice. O libreto havia sido traduzido para francês por Paul Milliet. Esta produção repetiu-se na Opéra-Comique, em Paris, sendo muito aclamada pela crítica.

Falla terminou a composição de «Sete Canções Populares Espanholas» ainda em Paris, perto do início da I Guerra Mundial, vendo-se forçado a regressar a Madrid devido ao conflito.

Manuel de Falla

Regresso a Madrid

Em 1915, o compositor escreveu o ballet «El Amor Brujo» e, em 1916, concluiu a sua obra de concerto mais ambiciosa e bem sucedida (começada em Paris, em 1909), «Noites nos Jardins de Espanha», que evoca a atmosfera Andaluza.

Estas duas obras começaram a solidificar a reputação de Falla como um dos principais compositores espanhóis e o ballet de 1919 «O Chapéu dos Três Bicos», encomendado por Diaguilev, foi a confirmação disso mesmo. Ainda nesse ano concluiu a sua maior obra para piano solo, «Fantasia Bética», dedicada a Arthur Rubinstein. Bética era o nome romano (Baetica) para Andaluzia.

Granada

Entre 1921 e 1939, Manuel de Falla viveu em Granada, onde organizou em 1922 o Concurso de Cante Jondo.

Neste período, o seu estilo tornou-se menos colorido mas nunca menos espanhol. Na verdade, o elemento tradicional e popular andaluz que caracterizara as suas obras precedentes, foi substituído pela recriação de um estilo severo do tempo dos antigos mestres espanhóis da polifonia.

Deste período data a ópera de câmara, baseada num incidente de «Dom Quixote», «O Retábulo do Mestre Pedro», estreada em 1923, e o «Concerto para Cravo», de 1926. Ambas as obras foram escritas com Wanda Landowska em mente, uma cravista polaco-francesa conhecida por reavivar a popularidade do instrumento no início do século XX.

Últimos anos

Ainda em Granada, Falla começou a compor a cantata orquestral «Atlántida», com base no texto catalão «L’Atlàntida» de Jacint Verdaguer, e prosseguiu essa composição já na Argentina. A vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola levou à sua mudança para a Argentina, onde permaneceu até à sua morte, recusando até uma oferta do Governo de Franco para o seu regresso em 1940.

O compositor nunca terminou a obra. Essa conclusão coube a Ernesto Halffter, já depois da sua morte. Manuel de Falla morreu no dia 14 de Novembro de 1946, depois de uma paragem cardíaca, em Alta Garcia, na província de Córdoba, na Argentina. Em 1947, os seus restos mortais foram transportados para a Catedral de Cádiz.

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