Queda de Constantinopla

A Queda de Constantinopla colocou um ponto final no Império Bizantino, e segundo a generalidade dos historiadores, também na época Medieval.

A Queda de Constantinopla, capital do Império Bizantino, antigo Império Romano do Oriente deu-se a 29 de Maio de 1453. A conquista desta cidade por parte do Império Otomano permitiu a esta entidade politica, fortalecer o poder que já detinha no Leste da Europa.

A expansão otomana, primeiramente para os territórios bizantinos na Anatólia e posteriormente nos Balcãs, isolou Constantinopla territorialmente, apenas o Bósforo era a porta de saída e entrada de bens, os Bizantinos controlavam alguns territórios em redor da capital, lentamente os otomanos estrangularam a capital bizantina.

A conquista de Constantinopla pelo império turco atrasou-se também pela invasão de Tamerlão da Anatólia, que adiou em algumas décadas os planos otomanos para a expansão europeia.

A importância de Constantinopla remonta ao tempo do Império Romano, e ao estabelecer a cidade de Bizâncio, refundada como Constantinopla pelo Imperador Constantino.

A Eterna cidade Roma, que havia originado o Império, tinha perdido importância relativamente á parte Oriental do Império, região para qual o poder financeiro e económico havia sido transferido, tornando esta região a mais próspera de todo o Império. Constantino instaurou o cristianismo como região oficial do Império, Roma era o símbolo do paganismo romano, com os seus inúmeros templos dedicados a estas divindades, para Constantino era fulcral ter uma capital puramente vocacionada para o credo cristão. Outro factor que provavelmente teve a maior influência na fixação de Constantinopla enquanto capital imperial foi o factor político, com uma nova Capital, o Imperador podia governar longe das intrigas palacianas e aristocráticas de Roma.

Assim deu-se um cisma administrativo no seio do Império, que mais tarde originaria o Império Romano do Ocidente e do Oriente. Com a queda definitiva de Roma em 476, a parte Oriental sediada em Constantinopla, manteve-se como baluarte da autoridade romana, evoluindo para Império Bizantino. Durante a maioria da Idade Média foi a cidade mais importante da Europa, servindo como elo de ligação entre a Europa, Médio Oriente e Extremo Oriente.

Maomé profetizou que um dia um grande comandante muçulmano iria conquistar Constantinopla. Esta profecia surge no século VII, época em que Constantinopla era provavelmente a cidade mais poderosa e influente do mundo, daí ter-se fixado no subconsciente do mundo islâmico como peça vital da sua história.

Os Otomanos tentaram conquistar por três vezes Constantinopla, em 1391, 1396 e 1422, todas sem sucesso pelos mais diversos motivos, problemas internos, incapacidade militar de transpor as muralhas ou preferência pela conquista de outros territórios nos Balcãs.

Seria apenas com o Sultão Maomé II que Constantinopla iria cair, juntamente com o Império Bizantino. O Sultão aproveitou o isolamento geográfico provocado pelas conquistas otomanas, e uma relativa indiferença do ocidente relativamente ao Império Bizantino, indiferença provocada pelas constantes quezílias entre católicos e ortodoxos. Mesmo com estes problemas, o ocidente ainda enviou pequenos continentes para a defesa da cidade, mas claramente insuficientes perante os 100 mil soldados estimados da força otomana.

Maomé II iniciou o cerco no dia 2 de Abril de 1453, e contrariamente às tentativas anteriores otomanas, cercou por completo Constantinopla tanto por terra como por mar. As anteriores tentativas de conquista da cidade haviam fracassado porque os cercos não completavam a parte marítima, permitindo a entrada de novos abastecimentos na cidade.

Após várias tentativas falhadas de tomada das muralhas, a 29 de Maio as forças otomanas conseguem entrar na cidade e conquistar a cidade que sobreviveu toda a Idade Média, e que constituía um descendente directo do Império Romano, que viu a sua influência estender-se até o século XV.

Queda de Constanttinopla

Queda de Constanttinopla

O Sultão Maomé havia prometido aos seus soldados um saque de três dias à cidade, mas ao entrar na cidade após a conquista deixou cair essa promessa e ordenou aos soldados que parassem de imediato com os saques e violência contra a população. Permitiu que a população bizantina se mantivesse na cidade, que acabaria por tornar-se a capital otomana.

A generalidade da historiografia demarca o final da Idade Média com a Queda de Constantinopla, embora outras correntes não concordem com este ponto de vista. Certo é que com a Queda de Constantinopla, o Império Bizantino ruiu e o Império Otomano assumiu-se cada vez mais como a grande potência na época, ameaçando toda a Europa.

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References:

ÁLVAREZ PALENZUELA, Vicente (Coord.); Historia Universal de la Edad Media, Ariel, 2002

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