Império Bizantino

O Império Bizantino estendia-se, no pico expansionista, do Médio/Próximo Oriente, norte de África, leste Europeu, península itálica e ibérica.

O Império Bizantino surgiu das divisões administrativas no seio do império romano dos finais do século III e IV – divisão em império romano do ocidente, com capital em Roma, e império romano do oriente, com capital em Bizâncio, posteriormente designada Constantinopla.

Com as constantes derrotas e perdas territoriais do império romano do ocidente, nos finais do século IV e com maior incidência no século V, que culminaria com o saque de Roma e queda do império ocidental em 476, o império oriental surge como herdeiro e descendente, do império romano. Em 480, fase às grandes alterações provocadas pelas invasões bárbaras no mapa político europeu, pela fragmentação do império romano do ocidente, pela ocupação da península itálica, pelos ostrogodos, o Imperador Zenão, aboliu a divisão administrativa do império tornando-se assim, o único Imperador.

As décadas seguintes ficaram marcadas pela estabilização interna do império, através de inúmeras reformas administrativas, económicas, fiscais, culturais, militares, implementadas pelo imperador Anastácio. Estas reformas permitiram consolidar o império como unidade política própria, afastando-se gradualmente do império romano que o originara. Este período ficou igualmente marcado pela, estabilização das fronteiras imperiais, e após alguns tumultos internos, pela cimentação do poder imperial, com o imperador Justiniano.

Com o império consolidado, tanto em termos financeiros como em termos territoriais e administrativos, Justiniano, começou a sua tentativa de recuperação dos territórios pertencentes ao império ocidental, perdidos para os povos bárbaros.

Conquistou os territórios do norte de África (548), perdidos para os Vândalos, conquistou territórios na península itálica, Sardenha e Sicília aos ostrogodos (535-554), pondo um ponto final aos ostrogodos na história, e ainda conseguiu estabelecer uma presença bizantina na península ibérica controlada pelos visigodos. Boa parte, dos territórios italianos viriam a, ser perdidos no final desse século, com a invasão de outro povo – os lombardos.

A história do império está recheada de momentos, como o de Justiniano, em que consegue expandir-se e fortalecer-se, mas logo em seguida o império entra em declínio, com guerras nos Balcãs, no médio oriente, com as perdas territoriais provocadas pelos lombardos. Esta crise do século VII é, justificada pelas diversas epidemias que assolaram o império, resultando em perdas significativas para a base de recrutamento militar, e para a economia imperial.

O conflito constante entre, bizantinos e o Império Sassânida provocaram, um desgaste enorme a ambos, algo que veio favorecer a ascensão e expansão de uma nova força vinda da península arábica – os Árabes muçulmanos. A batalha de Jarmuque (634) marca, o início da expansão muçulmana para territórios anteriormente ocupados por cristãos no médio oriente.

Os árabes continuaram a pressionar o império, conquistando territórios no médio oriente, promovendo investidas na Anatólia e norte de África, como a conquista do Egipto em 642. O Egipto, desde a antiguidade era o celeiro da Europa, eram indispensáveis os cereais vindos desta região para a subsistência de Constantinopla. Ao perder esta província, rapidamente a capital passou de uma população de 500 mil habitantes para 70 mil, sem os cereais fornecidos pelo Egipto era impossível manter uma população elevada.

Este enfraquecimento bizantino era, visível na postura defensiva que o império adoptou no século VIII e parte do IX, tanto contra os árabes como contra os vizinhos europeus, como os búlgaros, que conseguiram conquistar diversos territórios nos Balcãs.

A segunda metade do século IX e o século X marcaram, a ascensão ao poder de imperadores mais competentes e capazes de enfrentar as ameaças presentes nas fronteiras imperiais. Nesta época foi recuperado o Chipre e Creta perdidos no século VII para os árabes. Foi estabilizada a fronteira com os búlgaros, e reconquistados territórios no médio oriente.

A inconsistência governativa dos territórios, a fraca capacidade do império em manter uma estrutura administrativa eficaz e competente durante largos períodos de tempos, juntamente com o surgimento de novos inimigos como o turcos seljúcidas a oriente, e os normandos na Sicília, provocaram outro declínio do império no século XI. Século marcado igualmente pelo Grande Cisma do Oriente (1054), rotura entre a Igreja ortodoxa e a católica, que em muito se assemelhava com a divisão do império romano que este na génese do império bizantino.

A Dinastia Comnena, composta por cinco imperadores, que entre eles governaram o império durante 104 anos (1081-1185), permitiram um renascimento do império, as conquistas militares não visaram a captura de grandes territórios, centraram-se na consolidação dos territórios imperiais. Mas essencialmente assistiu-se a um renascimento cultural, assente na cultura clássica, um florescimento do comércio internacional, promovido pelos comerciantes das cidade-estado italianas como Veneza ou Génova.

O saque de Constantinopla 1204, por parte dos cruzados provocou a queda temporária do Imperio, em 1264, a capital é reconquistada, e é reintroduzido o império bizantino, que até a recaptura da capital estava centrado em Niceia.

O saque de Constantinopla por outros cristãos foi, um golpe que o império não conseguiu curar. Após ter sobrevivido a várias tentativas de controlo e aniquilação por diversas potências muçulmanas, a ascensão do Império otomano, mostrou ser demasiado para aquilo que o império conseguia lidar. Ao longo do século XIV, os otomanos foram conquistando progressivamente territórios bizantinos no leste europeu, e em redor a Constantinopla, cercando e enfraquecendo a capital, até que em 1453, o sultão Mehmet II, o Conquistador, sitiou e conquistou a capital, do outrora poderoso império bizantino.

Esta conquista marca o fim da época medieval, o início da época moderna, e o fim do império bizantino, que sobreviveu e floresceu na época medieval, preservando muita da cultura clássica. Não deixa de ser relevante compreender a magnitude temporal da civilização romana, que mesmo sofrendo alterações na sua identidade, conseguiu sobreviver até os meados do século XVI, na forma de império bizantino.

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