Hipocondria

Entendemos como hipocondria o medo exagerado de sintomas erradamente percepcionados como provenientes de doença grave.

Hipocondria

Entendemos como hipocondria o medo exagerado de sintomas erradamente percepcionados como provenientes de doença grave. Neste sentido, procuramos compreender em que consiste e como se desencadeia.

Segundo Dib, Alexandre, e Nardi (2006) e de acordo com o critério A do DSM-IV, a hipocondria trata-se de uma interpretação errada de sintomas de uma doença grave, mesmo depois de haver uma avaliação médica adequada do caso que exclui sintomatologia orgânica.

Alguns dos sintomas mais comuns são a fobia às doenças, a crença de que se está verdadeiramente doente, preocupações exageradas com o corpo e dor psicogénica (Vaz Serra, leitão, & Ponciano, 1979).

Outros estudos sugerem a presença de um desvio no que concerne às capacidades para usufruir das forças da inteligência humana, a partir do qual, como já foi referido, o indivíduo sente preocupações exageradas com doenças bizarras e inexistentes, sempre na ideia de que irá sucumbir devido a elas (d’Amiens, 2012).

À luz da teoria Freudiana psicanalítica, já se compreendia a hipocondria diferentemente da doença orgânica, na medida em que a primeira advinha de causas psíquicas e a segunda de dores corporais (Fortes, 2013).

O que acontece é que, devido à enorme descarga neurótica ou psicótica, que origina a hipocondria os sintomas são despoletados pelo corpo, desencadeando dor (Fortes, 2013).

Normalmente, os indivíduos que sofrem da patologia, fazem bastante prática de exercício físico e de desporto, tomam cuidados redobrados com a alimentação, com a aparência e com o organismo, além de lerem frequentemente livros relacionados com doenças que propiciam epidemias (Vaz Serra, Leitão, & Ponciano, 1979).

“Trata-se de um indivíduo em que no círculo de amigos, no ambiente profissional ou nele mesmo surgiram enfermidades que determinaram viesse a ficar muito preocupado com as doenças em geral. É de admitir que tenha traços neuróticos, com um equilíbrio emocional instável, o que o leva a tomar com regularidade medicamentos para controle do sono ou da ansiedade. As suas preocupações levam-no a visitar o médico com regularidade.”

(Vaz Serra, leitão, & Ponciano, 1979, p.7).

De acordo com a literatura, Dib, Alexandre e Nardi (2006) referem que a perturbação hipocondríaca afeta comumente mais mulheres do que homens, embora, estudos realizados por d’Amien (2012), a doença se tenha verificado mais em indivíduos do sexo masculino do que do sexo feminino.

Vaz Serra, Leitão e Ponciano (1979) indicam ainda, nos seus estudos, que em famílias onde há grande histórico de doenças e de demasiada atenção às mesmas, é mais comum surgirem diagnósticos de hipocondria.

Hipocondria segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10)

Trata-se de queixas somáticas constantes e exagerada preocupação com o aspeto físico, mesmo depois de uma avaliação médica apropriada, pelo que o hipocondríaco apresenta elevada preocupação com doenças graves, baseado na errada interpretação errada de sintomas, a qual se manifesta durante, pelo menos, seis meses (DSM-IV, cit in Dib, Alexandre, & Nardi, 2006).

Habitualmente, profissionais da classe médica apresentam elevado grau de hipocondria, seguidos de pacientes que, associados à hipocondria, apresentam também sintomas de depressão major, perturbação obsessivo-compulsiva (POC) e perturbação de ansiedade generalizada (PAG) (Dib, Alexandre, & Nardi, 2006).

No que diz respeito à associação a outras doenças, Vaz Serra, Leitão e Ponciano (1979) já referiam perturbações tais como a Depressão, a Neurose e a Esquizofrenia, o que implica a necessidade de diferentes tipos de intervenção psicoterapêutica.

Fortes (2013) refere ainda a relação com a paranoia, segundo a teoria Freudiana, uma vez que o indivíduo sente uma espécie de perseguição pelo seu próprio corpo, porque os sintomas não são percepcionados como internos, causando satisfação acreditar que são razões externas que provocam tal sintomatologia.

Há a necessidade sistemática de tomar medicação para equilibrar o sono e controlar a ansiedade, principalmente quando se esteve em contato com enfermidades no círculo de amigos, ou quando há histórico clínico pessoal, desenvolvendo preocupação patológica com a saúde e em ir ao médico regularmente (Vaz Serra, Leitão, & Ponciano, 1979).

Do ponto de vista comportamentalista, a ligação da hipocondria às doenças tem como base uma interpretação exagerada das grandes epidemias como a tuberculose e o cancro (Vaz Serra. Leitão, & Ponciano, 1979).

Conclusão

A hipocondria esta habitualmente associada a doenças do foro psiquiátrico tais como a esquizofrenia e a depressão, mas, além disso, ela tem como base essencialmente fatores internos ao indivíduo, já que ele percepciona os sinais da doença d forma errada e exagerada.

Verificamos que os cuidados são exageradamente redobrados com a saúde com a práticar desporto, fazer uma alimentação rigorosamente equilibrada, tomar medicação, ir ao médico, entre outros sintomas obsessivos.

Por todos estes motivos conclui-se que a doença pode limitar a qualidade de vida do indivíduo, o que sugere a possibilidade de este necessitar de apoio psicoterapêutico.

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References:

  • d’Amiens, F.D. (2012). História filosófica da hipocondria e da histeria (1833). Rev . Latinoam Psicopat. Fund. V15, nº2, p. 359-363. Acedido a 31 de março de 2016 em http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v15n2/10.pdf
  • Dib, M., Alexandre, M., V., & Nardi, A.E. (2006). Transtorno de pânico e hipocondria. Panic disorder and hypocondriasis. Bras Psiquiatr, 55(1): 82-84. Acedido a 31 de março de 2016 em http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v55n1/v55n1a13.pdf
  • Fortes, I. (2013). A dor como sinal da presença do corpo. Pain as sign f the body’s presence. Tempo psicanal. 45, nº2. [em linha] PEPSIC. Periódicos Eletrônicos em Psicologia. Acedido a 31 de março de 2016 em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-48382013000200004
  • Vaz Serra, A.S., Leitão, C.M., & Ponciano, E. (1979). Importância dos factores de aprendizagem na hipocondria. Análise Psicológica. II, 2: 207-214. Acedido a 31 de março de 2016 em http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/1960/1/1979_2_207.pdf
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