Rachmaninoff, Sergei

Biografia do compositor russo Sergei Rachmaninoff (1873-1934), a última grande figura da tradição romântica russa e um virtuoso do piano do seu tempo.

Nascimento 1 de Abril de 1873, Semyonovo, Rússia
Morte 28 de Março de 1943, Beverly Hills, Califórnia, Rússia
Ocupação Compositor, pianista e maestro
Principais obras «Prelúdio em dó# menor»; «Concertos para piano n.º 1, 2 e 3»; «A Ilha dos Mortos»; «Os Sinos»; «Variações sobre um tema de Corelli»; «Rapsódia sobre um tema de Paganini»

Primeiros anos

Sergei Rachmaninoff nasceu no dia 1 de Abril de 1873, em Semyonovo, perto de Novgorod, no seio de uma família aristocrática (o pai já se tinha retirado do exército e a mãe era filha de um general). Tanto o pai, Vasily, como a mãe, Lubov, eram pianistas amadoras pelo que o compositor deve à sua mãe as suas primeiras lições. Cientes do seu talento musical, os pais contrataram Anna Ornatskaya, que o orientou durante três anos.

Depois do pai perder toda a fortuna da família, os Rachmaninoff mudaram-se para São Petersburgo, onde uma doença matou a sua irmã Sofia. Os pais de Sergei separaram-se nessa altura e os restantes três filhos ficaram a cargo de Lubov.

No ano de 1885 ingressou no Conservatório de Moscovo, onde estudou com Nikolai Zverev, que teve uma influência maciça no músico. Outros dos seus professores foram Alexander Ziloti (estudante de Liszt), também no piano, Taneyev (contraponto) e Arensky (harmonia). A casa de Zverev era frequentada por Tchaikovsky e entre os seus colegas encontrava-se Alexander Scriabin.

Início de carreira

Rachmaninoff concluiu os seus estudos de piano um ano mais cedo, em 1891, e para concluir o curso de composição com Arensky, compôs a ópera «Aleko» também num ano. Esta ópera, de um acto, estreou no Bolshoi de Moscovo em 1893. O compositor foi, também, a terceira pessoa a receber a Medalha de Ouro do Conservatório. Os trabalhos que escreveu no Conservatório entraram no repertório de imediato: além de «Aleko», compôs o o seu primeiro Concerto para piano, entre 1890 e 1891, e o «Prelúdio em dó# menor» no Verão de 1892.

Estas duas obras trouxeram-lhe popularidade enquanto compositor e concertista. O prelúdio, no entanto, iria assombrá-lo durante o resto da sua vida, por ser continuamente requerido nos seus concertos.

Um jovem Rachmaninoff

Depressão e recuperação

O músico continuou a compor activamente até Março de 1987, até à primeira apresentação da sua primeira Sinfonia, sob a regência desastrosa de Alexander Glazunov. A obra não voltou a ser ouvida até à sua morte. O resultado deste fiasco levou Rachmaninoff a enfrentar uma depressão que durou três anos, incapacitando-o de compor.

Nesses anos trabalhou como concertista, maestro e professor. Em 1897-1898 ocupou o cargo de 2.º director da orquestra da Companhia Privada da Ópera Russa de Moscovo, onde estabeleceu uma amizade duradoura com o então desconhecido baixo Chaliapine. A primeira deslocação profissional que fez ao estrangeiro aconteceu em 1899, a Londres, onde executou o seu conhecido prelúdio e dirigiu a sua fantasia para orquestra «Falésia».

Por esta altura submeteu-se a tratamento hipnótico com Nicolai Dahl, também ele músico amador, com que  mantinha longas conversas de música. Alguns meses depois, ainda em 1900, iniciou a composição do segundo «Concerto para piano», que se revelou um êxito na sua primeira exibição, mantendo uma imensa e justa popularidade até aos dias de hoje.

Período de sucesso

Daí em diante, Rachmaninoff compôs com fluência e usufruiu de sucesso artístico e financeiro. Em 1902 casou-se com a sua prima Natalia Satin, através de um arranjo com os padres do exército russo, com quem o avô mantinha relações. De 1904 a 1906 foi director da orquestra de Bolchoi, dedicando-se simultaneamente à composição das óperas «O Cavaleiro Avarento» e «Francesca da Rimini».

Perturbado com a agitação política russa, decidiu ir para Dresden, com a sua família, em 1906. Ali escreveu três das suas maiores obras: a sua segunda Sinfonia (1907), o poema sinfónico, «A Ilha dos Mortos» (1909) e o terceiro «Concerto para piano» (1909). Este último foi escrito, precisamente, para a sua primeira digressão pelos Estados Unidos, onde não só se apresentou como concertista, como  também dirigiu as suas composições sinfónicas. Foi convidado a tornar-se maestro na Sinfónica de Boston mas declinou a proposta e regressou à Rússia em Fevereiro de 1910. Aqui compôs outra obra notável, «Os Sinos», baseada na tradução para russo de um poema de Edgar Allan Poe.

Últimos anos

Em 1917, devido à Revolução Russa, abandonou definitivamente o seu país e iniciou uma nova carreira triunfante como pianista internacional, fazendo dos Estados Unidos a sua base. Passou, assim, a ter menos tempo para compor, daí só ter concluído em 1926 o seu quarto Concerto para piano, que começara em 1914. A obra não teve grande sucesso na altura e assim permanece até hoje.

Em 1931 assinou uma carta onde atacou o regime soviético. Como consequência, a sua música foi banida da Rússia até 1933. Compôs, em 1934, a «Rapsódia sobre um tema de Paganini», seguindo-se em 1936 a sua terceira sinfonia. Em 1938 participou no concerto do jubileu de Henry Wood, em Londres, e deu o seu último recital nesta cidade no ano seguinte. Compôs, em 1940, as «Danças Sinfónicas» para orquestra.

Apesar da saúde débil, realizou uma digressão pelos EUA no Inverno de 1942-1943, cujas receitas foram oferecidas em socorro da guerra. Além dos seus problemas de saúde, crescia a tristeza derivada da percepção de que nunca voltaria à Rússia, transparecendo a ideia de um quase divórcio forçado da sua terra Natal (saliente-se que Rachmaninoff nunca se adaptou totalmente a viver nos Estados Unidos). Depois de actuar em Knoxville, no Tennessee, a 15 de Fevereiro, caiu gravemente doente e morreu a 28 de Março de 1943.

Sergei Rachmaninoff

Legado musical de Rachmaninoff

Rachmaninoff foi um dos maiores virtuosos do piano, algo comprovado pelos registos discográficos não só dos próprios concertos como de obras de outros autores. O vigor e o cuidado de pormenor que o caracterizam como director de orquestra estão igualmente patentes nos registos. Foi, no entanto, como compositor que o seu nome perdurou, embora não tenha escrito um conjunto extenso de obras.

O músico foi o último dos fulgurantes mestres russos do final do século XIX, com o seu característico talento para longas e amplas melodias imbuídas de uma melancolia contida mas omnipresente, que resultava em sonoridades luxuosas. As suas óperas não conseguiram impor-se devido sobretudo a deficiências nos libretos, mas a música que se ouve através de gravações é notável. Três dos quatro concertos pianos são parte obrigatória do repertório romântico, e as sinfonias, embora ofuscadas pelas obras pianísticas, são também populares. As suas canções são reconhecidas entre as melhores do repertório russo.

Nos últimos anos de vida, o seu estilo tornou-se mais refinado, como o provam as «Variações sobre um tema de Corelli», para piano, a «Rapsódia sobre um tema de Paganini», a última série de canções e as «Danças Sinfónicas». Mas a sua obra-prima é a cantata «Os Sinos», onde se fundem e articulam todas as suas potencialidades.

Rachmaninoff, que viveu no período do surgimento do dodecafonismo, do neoclassicismo e de outras formas que caracterizaram o período contemporâneo, foi a antítese do modernismo. As suas composições espelham o estilo romântico de Tchaikovsky, Brahms e Dvořák, porque o compositor sempre preferiu compor e tocar em estilos que lhe eram queridos desde nascença: as suas composições utilizam regularmente cantos, hinos e canções popular e o seu virtuosismo pianístico era tecnicamente brilhante. Como resultado, no seu tempo de vida, nunca foi apreciado por compositores que rejeitaram o estilo romântico, como Schönberg e Stravinsky, mas era admirado por compositores como Mahler, Ormandy e Mitropoulos. Hoje, é largamente admirado como compositor  e um dos maiores virtuosos do piano do seu tempo.

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References:

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

Ramos, P.J. (nd). Sergei Vassilievich Rachmaninoff. Em http://www.classical.net/music/comp.lst/rachmaninoff.php

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