Iberia (Albéniz)

Iberia: conjunto de doze peças para piano de Isaac Albéniz, compostas entre 1906 e 1909. Considerações técnicas e estilísticas, inspiração, interpretações e arranjos famosos.

Conceito

«Iberia» é o nome de um conjunto de doze peças para piano solo, divididas em quatro livros, escritas pelo compositor espanhol Isaac Albéniz entre 1906 e 1909. É considerada a obra-prima do compositor.

Logo nos primeiros anos após a estreia de «Iberia» foram vários os compositores a expressarem a admiração pela beleza e dificuldade da obra, entre os quais Felipe Pedrell, Tomás Bretón, Enrique Granados, Manuel de Falla e Gabriel Fauré. Schöenberg afirmou que nada no trabalho de Albéniz até então faria esperar uma obra de tamanha complexidade, muscularidade e dificuldade, afirmando que só «Goyescas», de Granados, poderia ser colocada a par desta.

Não obstante, o mais fervoroso admirador terá sido Claude Debussy, que tocava frequentemente secções do conjunto e escreveu, inclusive, uma crítica na «Société Internationale de Musique», em Dezembro de 1913, que além muito positiva, enaltece a beleza espanhola somente pelas das emoções experimentadas pelo ouvido: “Never has music attained to such diverse, such colorful impressions. One’s eyes close, dazzled by such wealth imagery” (“Nunca atingiu a música impressões tão coloridas e diversas. Os olhos fecham-se maravilhados pela riqueza da imaginação”) (Vallas, 1967, apud Mast, 1974).

Considerações técnicas e estilísticas

Tecnicamente, «Iberia» é uma das obras mais difíceis no repertório de piano porque requere dos seus intérpretes imensa força e flexibilidade das mãos. A execução do conjunto de peças, na sua totalidade, requereria aproximadamente 75 minutos sem pausa, pelo que raramente é interpretada deste modo num só recital.

A obra enquadra-se na escola impressionista, especialmente pelas evocações musicais de Espanha. Os títulos das peças fazem referência a uma zona geográfica de Espanha  ou a um estilo musical de dança, salvo a excepção da primeira, intitulada «Evocación».

Além de «Evocación», o primeiro livro, dedicado a Mme Ernest Chausson, é constituído pelas peças «El Puerto» e «Corpus Christi en Sevilla». As três foram estreadas no dia 9 de Maio de 1906, na Salle Pleyel, em Paris. O segundo, dedicado a Mlle Blanche Selva, é composto pelas peças «Rondeña», «Almería» e «Triana». Foram estreadas a 11 de Setembro de 1907, em Saint-Jean-de-Luz, França. O terceiro, dedicado a Mme Marguerite Hasselmans, é constituído por «El Albaicín», «El Polo» e «Lavapiés». Foi estreado no salão de Mme. Armand de Polignac, em Paris, no dia 2 de Janeiro de 1908. Ao quarto livro, dedicado a Mme Pierre Lalo, pertencem as peças «Málaga», «Jerez» e «Eritaña». Foram apresentadas pela primeira vez no Salon d’Automne, em Paris.

Visão Andaluza

Na verdade, embora «Iberia» pretendesse ser uma obra sobre Espanha, é notória uma visão particular sobre aquilo que é o próprio país.  Cadiz (El Puerto), Granada (El Albaicín), Ronda, Málaga, Jerez e Almería, que intitulam peças de «Iberia», pertencem à região da Andaluzia. Sevilha, capital da região, inspirou outras três. A única menção não andaluza cabe à Plaza de Lavapiés, um bairro de Madrid na altura humilde e negligenciado. O compositor terá afirmado, exprimindo-se sobre a sua própria música, que era no sul (com as suas diversas tradições musicais) que se encontrava a verdadeira raiz de Espanha.

Interpretações e arranjos orquestrais

A estreia das doze obras de «Iberia» coube à pianista francesa Blanche Selva, que trabalhou com o próprio compositor. No entanto, e apesar da dificuldade da obra, vários intérpretes apresentaram publicamente a obra com sucesso ainda antes da morte do compositor, em 1909, incluindo Joaquín Malats (acredita-se que tenha apresentado algumas peças, individualmente, ainda antes da estreia de Mlle Selva), José Vianna da Motta, Ricardo Viñes, Isidor Philipp, Alfred Cortot, Marguerite Long de Marliave, Ernest Schelling, Leo Ornstein, George Copeland e Arthur Rubinstein. Interpretações notáveis mais recentes, por comparação, pertencem a Alicia de Larrocha, Luiz Fernando Perez, Claudio Arrau, Yvonne Loriod, Artur Pizarro, Esteban Sánchez, entre outros.

Várias das peças que constituem «Iberia» foram também orquestradas por nomes como Arbós, Stokowski, Surinach e Rafael Frünbeck de Burgos, entre outros.

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References:

Mast, P.B. (1974). Style and Structure in Iberia by Isaac Albéniz. Tese de doutoramento em filosofia, Eastmar School of Music of the University of Rochester. Em http://waltercosand.com/CosandScores/Composers%20L-P/Mast,%20Paul%20B/Style%20and%20structure%20in%20Iberia%20by%20Isaac%20Alb%C3%A9niz.pdf

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