Teoria da pressão radicular

Teoria da pressão radicular (hipótese da tensão radicular) é uma das teorias que tenta explicar a ascensão da água e sais minerais pelos vasos xilémicos, nas plantas.

Esta teoria tenta justificar esta elevação com a diferença de concentrações entre a quantidade de água e sais minerais presente no solo e a quantidade de seiva bruta presente no xilema, não considerando a existência de transpiração.

Esta ascensão da seiva bruta da raiz até às folhas é facilmente observável através de um corte no caule de uma planta de pequeno porte, após este corte a região liberta continuamente um líquido.

A teoria da pressão radicular defende que uma pressão que ocorre no xilema, na zona da raiz das plantas, favorece a subida da seiva bruta (água e sais minerais). Esta pressão denomina-se por pressão radicular.

A sua principal causa é a acumulação de iões (presentes no solo) nos tecidos radiculares, por transporte activo, provocando a entrada de água pelas raízes através de um processo de osmose.

A ocorrência de osmose deve-se à diminuição do potencial hídrico que ocorre na área. Esta diminuição leva à entrada de água nas células do xilema, criando uma pressão nesta estrutura que leva à subida da água até ao topo da planta, normalmente não ultrapassa os dois a três metros de altura.

Uma outra teoria que tenta explicar o processo de circulação da seiva bruta é a teoria da Tensão-coesão-adesão, que tem por base a evaporação da água nas folhas, esta é a teoria mais aceite para explicar esse movimento.

Consequências da pressão radicular:

  • Gutação

Corresponde à presença de gotas nas margens das folhas. Estas gotas surgem devido à necessidade, por parte da planta, de libertar o excesso de água presente nos vasos do xilema. Esta água sai por poros especializados denominados hidátodos. Estes poros encontram-se associados às nervuras de menor dimensão da folha. O processo de gutação ocorre, normalmente, ao amanhecer.

  • Exsudação

Corresponde à contínua subida de água após a ocorrência de poda ou de um corte no tecido caulinar. Após a fractura dos tecidos do caule é possível verificar que uma substancia (água) continua a ser expelida por essa fractura.

Factores que condicionam a ocorrência de pressão radicular:

  • Condições ambientais

As condições do local onde a planta se encontra podem condicionar a existência de pressão radicular. A presença de uma grande quantidade de água no solo pode ser um dos factores que leva ao uso da pressão radicular como forma de movimentação da seiva bruta, uma vez que esta quantidade de água desequilibrará as concentrações (de água e sais minerais) dentro e fora da planta.

  • Espécie de planta

Nem todas as espécies vegetais apresentam pressão radicular, por exemplo, as árvores podem não apresentar pressão radicular, uma vez que a sua parte aérea se encontra muito distante da raiz evitando assim a acumulação de pressão nos vasos xilemicos, na zona radicular.

  • Transpiração na planta

Transpiração, na planta, corresponde à perda de água pelas folhas. A ausência de transpiração faz com que deixe de existir um equilíbrio entre a perda de água da planta e quantidade de água existente no solo, este desequilíbrio leva ao surgimento da pressão radicular.

  • Humidade atmosférica

A humidade presente na atmosfera pode fazer diminuir a transpiração e consequentemente aumenta a pressão radicular, uma vez que a presença de água na atmosfera evita a perda de água por parte da planta, aumentando assim a pressão presente na raiz.

Apesar das provas da ocorrência desta pressão, é possível que o processo de pressão radicular não seja o principal método utilizado na ascensão da água pelo caule, em certas espécies de plantas, uma vez que muitas espécies arbóreas não apresentam esta pressão.

Outro factor que condiciona o uso da pressão radicular, no movimento da seiva bruta, nos vasos xilémicos é a incapacidade por parte deste método de deslocar a seiva por uma longa distância, pois a pressão exercida não é suficiente para ultrapassar a pressão da gravidade. Mais uma dos motivos de desacreditação deste método como forma de movimentação da seiva, é a sua lentidão, uma vez que a movimentação da seiva nos vasos xilémicos ocorre de forma rápida e continua.

 

Fontes:

Dinis, Maria de Lurdes Proença de Amorim (2007). Modelos Fenomenológicos de Distribuição Intercompartimental de Substâncias Radioactivas. Volume II. Dissertação de doutoramento da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal.

 

Palavras-chave:

Xilema

Pressão radicular

Seiva bruta

Gutação

Exsudação

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